Vigotski em seu tempo e hoje
na contracorrente da hegemonia
DOI:
https://doi.org/10.51207/2179-4057.20240008Palavras-chave:
Educação de Pessoas com Deficiência, Educação Especial, Desenvolvimento HumanoResumo
No início do século XX, difundiu-se a perspectiva de organização de salas de aulas homogêneas nas escolas como as mais adequadas às práticas pedagógicas, acreditando-se que assim se atenderiam às características do desenvolvimento infantil. Sob esse olhar, houve a separação de alunos “normais” e “anormais” e a criação de classes “mais fortes”, “mais fracas” e “especiais”. Nesse mesmo período, Vigotski, fundamentado em bases marxistas, desenvolveu estudos que possibilitaram o entendimento do desenvolvimento cultural e a proposição de práxis pedagógicas que o colocaram na contracorrente do pensamento hegemônico da época. Com atenção a este contexto, este artigo propõe-se a situar a posição de Vigotski em contraposição às perspectivas hegemônicas de seu tempo e analisar aspectos da produção do autor a respeito do desenvolvimento humano e da deficiência [Defectologia], como ancoragem de uma proposição de uma educação mais promissora até os nossos dias. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica e, para o desenvolvimento, foram estudados textos científicos circulantes no início do século XX e reexaminados alguns conceitos desenvolvidos por Vigotski, em diferentes manuscritos, que são discutidos em interlocução com a literatura relativa ao tema. As análises indicam que o foco voltado ao desenvolvimento cultural confere ao processo educativo relevância determinante ao desenvolvimento humano e que esta perspectiva pode sustentar práxis pedagógicas contemporâneas mais promissoras.
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