Interregulação, consciência e atenção compartilhadas
despatologizando o TDAH
DOI:
https://doi.org/10.51207/2179-4057.20240003Palavras-chave:
TDAH, Déficit de Atenção, Hiperatividade, Interregulação, Patologização, Dificuldades EscolaresResumo
A prevalência do chamado Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) em crianças e adolescentes no mundo é estimada em 5%. Desde classificações iniciais como “Lesão Cerebral Mínima” (1947) e “Disfunção Cerebral Mínima” (1962), até a nomenclatura atual de TDAH (desde 1987), passou-se quase um século na busca pela definição do fundamento biológico e genético do quadro descrito. A despeito do avanço tecnológico, o diagnóstico do TDAH continua sendo exclusivamente clínico. Para Vigotski, o diagnóstico clínico, entretanto, pode significar apenas nomenclatura médica para sintomas, sem atender adequadamente às demandas reais da criança, da família e da escola. A partir da perspectiva histórico-cultural, o objetivo deste trabalho é analisar criticamente o constructo psicopatológico “TDAH”, cuja concepção e critérios diagnósticos são fundamentados unilateralmente no indivíduo. Para tanto, recorreu-se às categorias analíticas interregulação e atenção compartilhada, para avaliar processos afetivos-cognitivos (funções psicológicas superiores) de um aluno encaminhado pela escola com suspeita de TDAH. Alinhadas com estudos anteriores de Werner (1997), as análises indicaram a importância de se deslocar o eixo da avaliação focada no indivíduo para os processos intersubjetivos em ocorrência, e que os sinais de hiperatividade, impulsividade e desatenção não caracterizam transtorno particular ou déficit primário intrínseco. Pode-se concluir que o diagnóstico de TDAH, cada vez mais presente nos laudos encaminhados à escola, ao considerar as funções psicológicas superiores como produto dissociado das relações sociais, contribui para o fenômeno crescente de patologização do comportamento infantil, dificultando o enfrentamento das verdadeiras causas das dificuldades escolares de alunos e alunas.
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