Descompassos e relações entre leitura e escrita em crianças falantes do português
um teste parcial da teoria de Uta Frith
DOI:
https://doi.org/10.51207/2179-4057.20210002Palavras-chave:
Desenvolvimento, Leitura, Escrita, Fase Ortográfica, Fase AlfabéticaResumo
A teoria do desenvolvimento de Uta Frith prevê descompassos entre a leitura e a escrita, sendo que em alguns pontos da aquisição dessas habilidades a leitura mostra-se mais sofisticada e favorece o desenvolvimento da escrita, enquanto em outras fases ocorre o contrário. Apesar de sua influência, este ponto de vista nunca foi testado empiricamente. Objetiva-se, a partir de um estudo transversal, realizar um teste parcial do modelo de desenvolvimento da leitura e escrita de Frith em crianças falantes do português brasileiro. A partir da teoria, duas hipóteses foram geradas: (1) se o desenvolvimento da fase alfabética na leitura depende da maestria da fase alfabética escrita, então crianças de 7 anos que estão na fase alfabética da leitura (1a) não podem ter adquirido conhecimento ortográfico na escrita e (1b) tenderão a apresentar melhor desempenho na escrita do que na leitura; (2) se o desempenho na fase ortográfica na escrita depende da maestria do desempenho ortográfico na leitura, então crianças entre 7 e 10 anos que se encontram na fase ortográfica na escrita (2a) devem, necessariamente, encontrar-se na fase ortográfica na leitura e (2b) tenderão a apresentar melhor desempenho na leitura do que na escrita. As hipóteses foram testadas por grupos de casos a partir de amostra de 72 crianças de 2º ao 5º ano de uma escola pública. Os perfis de desempenho obtidos na amostra corroboraram apenas a primeira hipótese.
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