Alterações ortográficas

existem erros específicos para diferentes transtornos de aprendizagem?

Autores

  • Jaime Luiz Zorzi CEFAC
  • Sylvia Maria Ciasca Universidade Estadual de Campinas

Palavras-chave:

Transtornos de aprendizagem, Dislexia, Redação, Transtorno da falta de atenção com hiperatividade, Educação

Resumo

Objetivos: Analisar a escrita de crianças com problemas diversos de aprendizagem para identificar perfis particulares de erros. Método: Examinou-se a escrita de 64 sujeitos avaliados por equipe multidisciplinar e diagnosticados como apresentando algum tipo de problema de aprendizagem: Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade28; Dificuldades de Aprendizagem13; Distúrbio de Aprendizagem7; Dislexia3; Distúrbios Associados5 e Diagnóstico inconclusivo9. As idades variaram entre 8,2 e 13,4 anos, média de 10,6 anos. Foram avaliados sujeitos em nível alfabético, sem rebaixamento intelectual. Os grupos de problemas foram comparados entre si, considerando-se a frequência e distribuição dos erros ortográficos produzidos nas situações de escrita. Resultados: Não foi possível identificar erros de maior prevalência para cada tipo de problema. Existe tendência à formação de blocos de erros, sendo as representações múltiplas, omissões e apoio na oralidade os erros mais frequentes. Os erros por inversão e letras parecidas são os menos presentes. O agrupamento dos erros nas categorias de ortográfico, fonológico ou visuo-espacial evidenciou tendência de predomínio dos erros devido a processos ortográficos. Não há diferença significativa entre os erros de base ortográfica e os de base fonológica, sendo que tal diferença se manifesta em relação aos erros de natureza visuo-espacial. Conclusão: Não foram identificados erros típicos para cada problema. A presença maior de erros ortográficos e fonológicos indica que estes são os aspectos mais complexos da aprendizagem. Os poucos erros ligados a processos visuais demonstram que os mesmos não são característicos dos problemas analisados.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Jaime Luiz Zorzi, CEFAC

Fonoaudiólogo; Professor do CEFAC; Doutor em Educação pela Universidade Estadual de Campinas.

Sylvia Maria Ciasca, Universidade Estadual de Campinas

Psicóloga; Professora da Universidade Estadual de Campinas; Doutora em Neurociências pela Universidade Estadual de Campinas.

Referências

Caravolas M, Volín J. Phonological spelling errors among dyslexic children learning a transparent orthography: the case of Czech. Dyslexia. 2001;7(4):229-45.

Romonath R, Wahn C, Gregg N. Phonological and orthographic processes of reading and spelling in young adolescents and adults with and without dyslexia in German and English: impact on foreign language learning. Folia Phoniatr Logop. 2005;57(2):96-110.

Juul H, Sigurdsson B. Orthography as a handicap? A direct comparison of spelling acquisition in Danish and Icelandic. Scand J Psychol. 2005;46(3):263-72.

Ziegler JC, Goswami U. Reading acquisition, developmental dyslexia, and skilled reading across languages: a psycholinguistic grain size theory. Psychol Bull. 2005;131(1):3-29.

Seymour PH, Aro M, Erskine JM. Foundation literacy acquisition in European orthographies. Br J Psychol. 2003;94(Pt 2):143-74.

Abaurre MBM. Linguística e psicopedagogia. In: Scoz FJL, Rubinstein E, Rossa EMM, Barone LC, editores. Psicopedagogia: o caráter interdisciplinar na formação e atuação profissional. Porto Alegre:Artes Médicas;1987. p.186-216.

Cagliari LC. A ortografia na escola e na vida. São Paulo – Secretaria da Educação: Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas. Isto se aprende com o ciclo básico. São Paulo:SE/CENP;1990. p.102-13.

Carraher T. Explorações sobre o desenvolvimento da ortografia em português. Secretaria da Educação: Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas. Isto se aprende com o ciclo básico. São Paulo:SE/CENP;1990. p.114-22.

Zorzi JL. Aprender a escrever: a apropriação do sistema ortográfico. Porto Alegre:ArtMed;1998.

Guimarães GE, Roazzi A. A importância do significado na aquisição da escrita ortográfica. In: Morais AG, editor. O aprendizado da ortografia. Belo Horizonte: Autêntica;2000. p.61-76.

Morais AG. Ortografia: este espetacular objeto de conhecimento. In: Morais AG, editor. O aprendizado da ortografia. Belo Horizonte: Autêntica;2000. p.7-19.

Rego LLB, Buarque LL. Algumas fontes de dificuldade na aprendizagem de regras ortográficas. In: Morais AG, editor. O aprendizado da ortografia. Belo Horizonte: Autêntica;2000. p.21-41.

Bacha SMC, Maia MBA. Ocorrência de erros ortográficos: análise e compreensão. Pró-Fono – Revista de Atualização Científica. 2001;13(2):21-6.

Scliar-Cabral L. Princípios do sistema alfabético do português do Brasil. São Paulo: Contexto;2003.

Zorzi JL. Aprendizagem e distúrbios da linguagem escrita. Porto Alegre:ArtMed;2003.

Zanella MSZ. Leitura e aprendizagem da ortografia: um estudo com alunos de 4ª a 6ª série do Ensino Fundamental [Tese de doutorado]. São Paulo:PUC-SP;2007.

Grigalevicius MM. Aprendizagem da linguagem escrita: um estudo sobre a competência ortográfica de alunos da 5ª série do ensino fundamental [Dissertação de mestrado]. São Paulo:PUC-SP;2007.

Santos TMS. Vocabulário, consciência fonológica e nomeação rápida: contribuições para a ortografia e elaboração escrita [Tese de Doutorado]. São Paulo:Universidade de São Paulo;2007.

Valente HMR. Análise da onda da fala com crianças com alterações na escrita quanto ao traço de sonoridade [Dissertação de mestrado]. São Paulo:PUC-SP;1997.

Osmon DC, Braun MM, Plambeck EA. Processing abilities associated with phonologic and orthographic skills in adult learning disability. J Clin Exp Neuropsychol. 2005;27(5):44-54.

Papagno C, Girelli L. Writing through the phonological buffer: a case of progressive writing disorder. Neuropsychologia. 2005;43(9):1277-87.

Connelly V, Campbell S, MacLean M, Barnes J. Contribution of lower order skills to the written composition of college students with and without dyslexia. Dev Neuropsychol. 2006;29(1):175-96.

Silliman ER, Bahr RH, Peters ML. Spelling patterns in preadolescents with atypical language skills: phonological, morphological, and orthographic factors. Dev Neuropsychol. 2006;29(1):93-123.

Ciasca SM, Moura-Ribeiro MVL. Avaliação e manejo neuropsicológico da dislexia. In: Rotta NT, Ohlweiler L, Riesgo RS, editores. Transtornos da aprendizagem: abordagem neurobiológica e multidisciplinar. Porto Alegre:Artmed;2006. p.181-94.

Ciasca SM. Distúrbios de aprendizagem e transtornos da atenção: algumas reflexões. In: Maluf MI, organizadora. Tramas do conhecimento, do saber e da subjetividade. Petrópolis: ABBp / Editora Vozes;2006. p.237-44.

Zorzi JL. Os distúrbios de aprendizagem e os distúrbios específicos de leitura e da escrita. In: Britto ATBO, organizador. Livro de fonoaudiologia. São José dos Campos: Pulso Editorial;2005. p.217-30.

Zorzi JL. Alterações ortográficas nos transtornos de aprendizagem. In: Maluf, MI, organizadora. Tramas do conhecimento, do saber e da subjetividade. Petrópolis: ABPp / Editora Vozes;2006. p.144-62.

Gustafson S, Ferreira J, Rönnberg J. Phonological or orthographic training for children with phonological or orthographic decoding déficits. Dyslexia. 2007;13:211-29.

Goswami U. Phonological representations, reading development and dyslexia: towards a cross-linguistic theoretical framework. Dyslexia. 2000;6(2):133-15.

Spencer K. Is English a dyslexic language? Dyslexia. 2000;6(I2):152-62.

Spencer K. Differential effects of orthographic transparency on dyslexia: word reading difficulty for common English words. Dyslexia. 2001;7(4):217-28.

Capovilla AGS, Joly MCRA, Ferracini F, Caparrotti NB, Carvalho MR, Raad AJ. Estratégias de leitura e desempenho em escrita no início da alfabetização. Psicologia Escolar e Educacional. 2004;8(2):189-97.

Meireles ES, Correa J. Regras contextuais e morfossintáticas na aquisição da ortografia da língua portuguesa. Psicologia: Teoria e Pesquisa. 2005;21(1):77-84.

Ciasca SM. Avaliação neuropsicológica e neuroimagem nos distúrbios de aprendizagem, leitura e escrita. In: Dislexia: cérebro, cognição e aprendizagem. São Paulo:Frontis;2000.

Shaywitz SE, Shaywitz BA. Dyslexia (specific reading disability). Biol Psychiatry. 2005;57(11):1301-9.

Ferreiro E, Teberosky A. Psicogênese da língua escrita. Porto Alegre:Artes Médicas;1986.

Morais AG. Ortografia: ensinar e aprender. São Paulo:Editora Ática;2001.

Catts HW. Phonological awareness: putting research into practice. Language. Learning and Education. 1999;6(1):17-9.

Olofsson A. Naming speed, phonological awareness and the initial stage of learning to read. Logopedics – Phoniatrics – Vocology. 2000;25(1):35-40.

Zorzi JL. A inversão de letras na escrita: o fantasma do espelhamento. Pró-Fono: Revista de Atualização Científica. 2001;13(2):212-8.

Griffiths S, Frith U. Evidence for an articulatory awareness deficit in adult dyslexics. Dyslexia. 2002;8(1):14-2.

Bourassa D, Treiman R. Spelling in children with dyslexia:analyses from the Treiman–Bourassa. Scientific Studies Reading. 2003;7(4):309–33.

Cao F, Bitan T, Chou T, Burman D, Booth J. Deficient orthographic and phonological representations in children with dyslexia revealed by brain activation patterns. J Child Psychol Psych. 2006;47(10):1041–50.

Mackie C, Dockrell JE. The nature of written language deficits in children with SLI. J Speech Lang Hear Res. 2004;47(6):1469-83.

Catts HW, Kamhi AG. Language and reading disabilities. Boston:Allyn & Bacon;1999.

Downloads

Publicado

2009-08-18

Como Citar

Zorzi, J. L., & Ciasca, S. M. (2009). Alterações ortográficas: existem erros específicos para diferentes transtornos de aprendizagem?. Revista Psicopedagogia, 26(80), 254–264. Recuperado de https://revistapsicopedagogia.com.br/revista/article/view/714

Edição

Seção

Artigo Original