Práticas de letramento em crianças e adolescentes com mielomeningocele

Autores

  • Fernanda Vanessa da Costa Varela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil
  • Mirelly Danglês de Oliveira Ferreira Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil
  • Sarah Camilla Ferreira de Oliveira Lima Instituto Santos Dumont, Macaíba, Rio Grande do Norte, Brasil
  • Cíntia Alves Salgado Azoni Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.51207/2179-4057.20250009

Palavras-chave:

Mielomeningocele, Alfabetização, Aprendizagem, Intervenção

Resumo

Crianças com mielomeningocele apresentam maior propensão a desenvolver problemas de aprendizagem, considerando o contexto etiológico e ambiental vivenciado. Programas de letramento e estratégias lúdicas são utilizados para aprimorar o desenvolvimento e estimular a prática das habilidades de leitura e escrita, em especial em grupos de maior vulnerabilidade. Este é um estudo longitudinal, prospectivo, qualitativo que investigou os efeitos de uma intervenção em práticas de letramento em crianças e adolescentes com mielomeningocele, integrantes de uma Clínica de Lesão Medular Infantil. A amostra foi composta por 7 participantes, entre 7 e 15 anos de idade, de ambos os sexos, com dificuldades na leitura e na escrita, divididos por conveniência em dois grupos de intervenção: G1 e G2. A avaliação pré e pós-intervenção foi realizada quanto às habilidades de processamento fonológico, leitura e escrita, seguida de uma intervenção de 10 encontros em práticas de letramento, uma vez por semana, com duração de 60 minutos cada. Os participantes obtiveram melhora após a intervenção, comparando-se o desempenho pré e pós na consciência fonológica nível de fonema (p=0,022) e desempenho total (p=0,022); na nomeação automática rápida de cor (p=0,051); na memória fonológica de não palavras (p=0,035) e na leitura (p=0,036) e escrita (p=0,022) de palavras. Conclui-se que os participantes obtiveram melhora nas habilidades da linguagem escrita após as práticas de letramento e estas serviram como ferramentas protetivas e de incentivo ao desenvolvimento da leitura e escrita, beneficiando-as quanto à inclusão educacional e social.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Brito, C. L. R., Uzêda, C. P. Q., Vieira, J. G., & Cavalheiro, L. G. (2010). Habilidades de letramento após intervenção fonoaudiológica em crianças do 1º ano do ensino fundamental. Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, 15(1), 88-95. https://doi.org/10.1590/S1516-80342010000100015

Canto, C. G. D. S., Nunes, P. O. C., & Rodrigues, A. C. S. (2021). O lúdico como ferramenta de aprendizagem de leitura e escrita. Revista Eletrônica Pesquiseduca, 13(29), 284-299.

Condemarín, M., & Medina, A. (2005). Avaliação autêntica: Um meio para melhorar as competências de leitura em linguagem e comunicação. Artmed.

Costa, F. S. M. (2014). A habilidade de leitura em crianças com mielomeningocele. [Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Minas Gerais].

Delgado, I., Barbosa, T., Macêdo, B., Lima, C., Régis, M., Lima, I., & Alves, G. (2019). Estratégias de letramento voltadas à intervenção fonoaudiológica em pessoas com síndrome de Down. Revista Educação Especial, 32, 1-16.

Ferreiro, E. & Teberosky, A. (1991). Los sistemas de escritura en el desarrollo del niño. Siglo xxi.

Grivol, M. A., & Hage, S. R. V. (2011). Memória de trabalho fonológica: estudo comparativo entre diferentes faixas etárias. Jornal da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, 23(3), 245-251.

Kabagambe, S. K., Jensen, G. W., Chen, Y. J., Vanover, M. A., & Farmer, D. L. (2018). Fetal Surgery for Myelomeningocele: A Systematic Review and Meta-Analysis of Outcomes in Fetoscopic versus Open Repair. Fetal Diagnosis and Therapy, 43(3), 161-174.

Lamônica, D. A. C., Maximino, L. P., Silva, G. K., Yacubian-Fernandes, A., & Crenitte, P. A. P. (2011). Habilidades psicolinguísticas e escolares em crianças com mielomeningocele. Jornal da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, 23(4), 328-334. https://doi.org/10.1590/S2179-64912011000400007

Lorenzini, M. V. (1993). Uma escala para determinar a disgrafia baseada na escala de Ajuriaguerra. [Dissertação de mestrado, Universidade São Carlos].

Magalhães, J. B. P. (2021). Efeito da memória, compreensão oral, vocabulário, nomeação rápida automática (RAN) na fluência de leitura [Dissertação de mestrado, Universidade do Minho (Portugal)].

McCarthy, D. J., Sheinberg, D. L., Luther, E., & McCrea, H. J. (2019). Myelomeningocele-associated hydrocephalus: nationwide analysis and systematic review. Neurosurg Focus, 47(4).

Meller, C., Covini, D., Aiello, H., Izbizky, G., Portillo Medina, S., & Otaño, L. (2021). Update on prenatal diagnosis and fetal surgery for myelomeningocele. Archivos Argentinos de Pediatria, 119(3), e215-e228.

Moojen, S., Lamprecht, R., Santos, R., M., Freitas, G. M., Brodacz, R., Siqueira, M., Costa, A. C., & Guarda, E. (2003). CONFIAS Consciência Fonológica: Instrumento de Avaliação Sequencial. Casa do Psicólogo.

Moll, K., Kunze, S., Neuhoff, N., Bruder, J., & Schulte-Körne, G. (2014). Specific learning disorder: prevalence and gender differences. PloS One, 9(7), e103537.

Ribeiro, N., & Souza, L. A. P. (2012). Efeitos do(s) letramento(s) na constituição social do sujeito: considerações fonoaudiológicas. Revista CEFAC, 14(5), 808-815.

Safi, D., Lefebvre, P., & Nader, M. (2020). Literacy acquisition: Reading development. Handbook of Clinical Neurology, 173, 185-199. https://doi.org/10.1016/B978-0-444-64150-2.00017-4

Salomão, J. F., Leibinger, R. D., Carvalho, J. G. S., Pinheiro, J. A. B., Lucchesi, G. L., & Bomfim, V. (1995). Acompanhamento ambulatorial de pacientes com mielomeningocele em um hospital pediátrico. Arquivos de Neuropsiquiatria, 53, 444-450.

Santos, J. S. D., Barby, A. A. D. O. M., & Vestena, C. L. B. (2022). Consciência fonológica no ensino da leitura a estudantes com dificuldade de aprendizagem nos anos iniciais. Revista Psicopedagogia, 39(118), 14-26.

Silva, G. F. D., & Godoy, D. M. A. (2020). Estudos de intervenção em consciência fonológica e dislexia: revisão sistemática da literatura. Revista de Educação PUC-Campinas, 25, 1-17.

Silva, G. R., & Oliveira, D. R. (2020). Breves reflexões sobre a importância da leitura para a formação de um sujeito crítico. Humanidades & Inovação, 7(1), 75-81.

Silva, P. B., Mecca, T. P., & Macedo, E. C. (2018). Teste de Nomeação Automática - TENA: Manual. Hogrefe.

Stein, L. M. (1994). TDE - Teste de Desempenho Escolar: manual para aplicação e interpretação. Casa do Psicólogo.

Wasserman, R. M., & Holmbeck, G. N. (2016). Profiles of Neuropsychological Functioning in Children and Adolescents with Spina Bifida: Associations with Biopsychosocial Predictors and Functional Outcomes. Journal of the International Neuropsychological Society: JINS, 22(8), 804-815.

Yeates, K. O., Loss, N., Colvin, A. N., & Enrile, B. G. (2003). Do children with mielomeningocele and hydrocephalus display nonverbal learning disabilities? An empirical approach to classification. Journal of the International Neuropsychological Society: JINS, 9(4), 653-662.

Zuanetti, P. A., Novaes, C. B., & Fukuda, M. T. H. (2021). Intervenção baseada em leitura compartilhada de histórias: efeito nas tarefas de baixo e alto nível de leitura e escrita. CoDAS.

Downloads

Publicado

2025-04-11

Como Citar

Varela, F. V. da C., Ferreira, M. D. de O., Lima, S. C. F. de O., & Azoni, C. A. S. (2025). Práticas de letramento em crianças e adolescentes com mielomeningocele. Revista Psicopedagogia, 42(127), 47–55. https://doi.org/10.51207/2179-4057.20250009

Edição

Seção

Artigo Original