Dislexia, docência e êxito acadêmico/profissional
um estudo de caso
DOI:
https://doi.org/10.5935/0103-8486.20200005Palavras-chave:
Dislexia, Subjetividade, Autoestima, Educação SuperiorResumo
O presente texto tem como objetivo apresentar a trajetória acadêmica de uma professora universitária que tem o diagnóstico de dislexia e busca refletir sobre sua postura diante das suas especificidades. Aborda as implicações da subjetividade no processo de aceitação do diagnóstico e a forma como essa professora convive com a dislexia. Evidencia seu percurso acadêmico perpassando todos os níveis de ensino: da educação básica à superior, incluindo a pós-graduação (mestrado e doutorado). A investigação foi de abordagem qualitativa e constituiu-se como um estudo de caso. A coleta de dados ocorreu por meio de uma entrevista semiestruturada, a qual foi gravada em áudio e posteriormente transcrita. Os dados coletados foram analisados através da análise de conteúdo. Foram identificados como elementos importantes a subjetividade, a autoestima e a motivação para continuar estudando. Concluiu-se que, embora a dislexia afete na forma como as pessoas vivenciam sua relação com as questões da leitura e da escrita, não é o transtorno em si que define esse sujeito, mas sua atitude frente aos fatos é que constitui sua subjetividade e, consequentemente, sua personalidade. A dislexia é apenas uma das características que constituem a Professora Atena como sujeito e, diante de toda sua trajetória, este transtorno é um elemento do seu dia a dia, o qual não impediu que ela obtivesse uma profissão e mantivesse sua autoestima positiva. Estes fatos demonstraram também outra perspectiva diante do diagnóstico de dislexia: a visão de alguém que tem esse diagnóstico e obteve sucesso acadêmico e profissional.
Downloads
Referências
Moojen S, França MP. Dislexia: visão fonoaudiológica e psicopedagógica. In: Rotta NT, Ohlweiler L, Riesgo R, eds. Transtornos da aprendizagem: abordagem neurobiológica e multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed; 2006.
Rotta NT, Ohlweiler L, Riesgo RS, eds. Transtornos da aprendizagem: abordagem neurobiológica e multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed; 2006.
Shaywitz S. Entendendo a dislexia: um novo e completo programa para todos os níveis de problemas de leitura. Porto Alegre: Artmed; 2006.
Mangas CF, Sánchez JLR. A Dislexia no ensino superior: características, consequências e estratégias de intervenção. Rev Iberoam Educ. 2010;53(7):1-4.
Corrà F. La Dislexia en la edad adulta: Investigación exploratoria con estudiantes universitarios [dissertação]. Veneza: Università Ca’Foscari Venezia; 2012.
Inácio A. Dificuldades de leitura em adultos sinalizados com Dislexia: análise de alguns preditores cognitivos [dissertação] Faro: Universidade do Algarve/Faculdade de Ciências Humanas e Sociais; 2015.
Moojen SMP, Bassôa A, Goncalves HA. Características da dislexia de desenvolvimento e sua manifestação na idade adulta. Rev Psicopedag. 2016;33(100):50-9.
Bonini FV, Mari RR, Anjos SA, Joveliano V, Teixeira SCP. Problemas emocionais em um adulto com Dislexia: um estudo de caso. Rev Psicopedag. 2010;27(83):310-22.
Banks M. Dados visuais para pesquisa qualitativa. Porto Alegre: Artmed; 2009.
Yin RK. Estudo de caso: planejamento e métodos. 5ª ed. Porto Alegre: Bookman; 2015.
Bardin L. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70; 2008.
American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. Tradução: Nascimento MIC. Porto Alegre: Artmed; 2014.
Snowling MJ. Dislexia. 2ª ed. São Paulo: Santos; 2004.
Capovilla FC, Capovilla AGS, Macedo EC. Rota Perilexical na Leitura em Voz Alta: Tempo de Reação, Duração e Segmentação na Pronúncia. Psicol Reflex Crit. 2001;14(2):409-27.
Stampoltzis A, Antonopoulou E, Zenakou E, Kouvava S. Modalidades sensoriales de aprendizaje y características educativas de alumnos universitarios griegos disléxicos y no disléxicos. Electron J Res Educ Psychol. 2010;8(21):561-80.
Freitas CN. Dislexia, educação superior e aprendizagem: uma análise da subjetividade e dos processos compensatórios a partir da Teoria Histórico-Cultural [tese]. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria; 2019.
Vygotsky LS. Teoria e método em psicologia. 2ª ed. São Paulo: Martins Fontes; 1999.
González Rey FL. Sujeito e subjetividade: uma aproximação histórico-cultural. São Paulo: Pioneira Thomson Learning; 2005.
González Rey FL. La significación de Vygotski para la consideración de lo afectivo en la educação: las bases para la cuestión de la subjetividade. Rev Electr Actual Investig Educ. 2009;9:1-24.
Ribeiro C. Metacognição: um apoio ao processo de aprendizagem. Psicol Reflex Crit. 2003;16(1):109-16.
Mosquera JJM, Stobäus CD. Auto-imagem, auto-estima e auto-realização: qualidade de vida na universidade. Psicol Saúde Doenças. 2006;7(1):83-8.
Patto MHS. A produção do fracasso escolar: histórias de submissão e rebeldia. São Paulo: T.A. Queiroz; 1990.
Ferraz RCSN, Ristum M. A violência psicológica na relação entre professor e aluno com dificuldades de aprendizagem. Psicol Educ. 2012;34:104-26.
Rubino R. Sobre o conceito de dislexia e seus efeitos no discurso social. Estilos Clin. 2008;13(24):84-97.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2020 Clariane do Nascimento de Freitas, Fabiane Adela Tonetto Costas

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.













