Modelo de avaliação de transtornos de aprendizagem por equipe interdisciplinar

Autores

  • Nadja Cristina Furtado Back Universidade Federal do Paraná
  • Tatiele dos Santos Telaska Universidade Federal do Paraná
  • Juliana Lautenschlaeger Damari Ambulatório de Transtornos de Aprendizagem
  • Cláudia Cabral Dettmer Ambulatório de Transtornos de Aprendizagem
  • Sandra Vieira Silva Centro de Neuropediatria do Hospital das Clínicas
  • Tatiana Izabele Jaworski de Sá Riechi Universidade Federal do Paraná
  • Ana Chrystina de Souza Crippa Universidade Federal do Paraná

DOI:

https://doi.org/10.5935/0103-8486.20200003

Palavras-chave:

Fracasso Escolar, Diagnóstico Diferencial, Dislexia, TDAH

Resumo

Observa-se um aumento progressivo da evasão escolar e do fracasso acadêmico. A demanda por avaliação e diagnóstico sobre questões de aprendizagem está crescendo nos serviços públicos de saúde. Para direcionar os métodos de intervenção e minimizar as dificuldades de aprendizagem, é necessário identificar os fatores que levam ao fracasso escolar e diferenciar as dificuldades escolares. O presente estudo tem como objetivo descrever o modelo de avaliação interdisciplinar realizado no Ambulatório de Transtornos de Aprendizagem (ATA) do Centro de Neuropediatria do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná e relatar três casos avaliados. Os dados apresentados neste estudo baseiam-se em 56 avaliações realizadas em crianças e adolescentes com queixas de dificuldades de aprendizagem, a fim de caracterizar a população atendida, o modelo de avaliação aplicado e as conclusões da equipe interdisciplinar. Nesta amostra, a maior frequência foi do sexo masculino (78,6%), com idade média de 10 anos e 5 meses. As dificuldades escolares foram percebidas em 44,6% dos casos, o transtorno de aprendizagem em 7,1% e outros transtornos em 17,9%. Esses resultados coincidem com outros estudos sobre dificuldades de aprendizagem e demonstram que o modelo utilizado pelo ATA é eficaz para concluir sobre a proposta diagnóstica e de intervenção.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Nadja Cristina Furtado Back, Universidade Federal do Paraná

Fonoaudióloga, mestranda em Psicologia na Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR.

Tatiele dos Santos Telaska, Universidade Federal do Paraná

Psicóloga, mestranda em Psicologia na Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR.

Juliana Lautenschlaeger Damari, Ambulatório de Transtornos de Aprendizagem

Psicopedagoga, extensionista profissional colaborador do Ambulatório de Transtornos de Aprendizagem (ATA), Curitiba, PR.

Cláudia Cabral Dettmer, Ambulatório de Transtornos de Aprendizagem

Médica oftalmologista, extensionista profissional colaborador do Ambulatório de Transtornos de Aprendizagem (ATA), Curitiba, PR.

Sandra Vieira Silva, Centro de Neuropediatria do Hospital das Clínicas

Assistente social do Centro de Neuropediatria do Hospital das Clínicas (CENEP/HC), Curitiba, PR.

Tatiana Izabele Jaworski de Sá Riechi, Universidade Federal do Paraná

Psicóloga, Professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR.

Ana Chrystina de Souza Crippa, Universidade Federal do Paraná

Médica neurologista, Professora do Departamento de Pediatria da Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR.

Referências

1. American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos men- tais: DSM-5. 5ª ed. Porto Alegre: Artmed; 2014.

2. Rotta NT, Ohlweiler L, Riesgo RS. Transtor- nos da aprendizagem: abordagem neurobio- lógica e multidisciplinar. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed; 2016.

3. Ciasca SM, Rodrigues SD, Azoni CAS, Lima RF. Transtornos de aprendizagem: neurociência e interdisciplinaridade. Ribei- rão Preto: Book Toy; 2015.

4. Cosenza RM, Guerra LB. Neurociência e educação: como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed; 2011.

5. Capellini SA, Germano GD, Cunha VLO. Transtornos de aprendizagem e transtornos da atenção. São José dos Campos: Pulso Editorial; 2010.

6. Azoni CAS. Diagnóstico Diferencial dos Transtornos da Linguagem Escrita. In: La- mônica DAC, Oliveira e Britto DB, orgs. Tratado de Linguagem: Perspectivas Con- temporâneas. Ribeirão Preto: Book Toy; 2017.

7. Brasil. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2016-2017. Rio de Janeiro: IBGE; 2018 [acesso 2019 Mar 20]. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101576_informativo.pdf

8. Brasil. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Escolares Anísio Teixeira (INEP). Censo escolar 2017: Notas Estatísticas. Brasília: INEP; 2018 [acesso 2019 Mar 20]. Disponível em: http://download.inep.gov.br/educacao_basica/censo_escolar/notas_estatisticas/2018/notas_estatisticas_Censo_Escolar_2017.pdf

9. Peressute A, Haiduk B, Portela C, Silva SV, Antoniuk AS, Riechi TIJS. Preven- ção secundária nas dificuldades de apren- dizagem: interface saúde e educação. In: Valiati MRMS, Bromberg MC, Antoniuk SA, Riechi TIJS, orgs. Desenvolvimento da criança e do adolescente: avaliação e intervenção. Curitiba: Íthala; 2011. p. 231-8.

10. Horta RL. Neurociências e políticas pú- blicas para a infância e a adolescência. In: Salles J, Haase VG, Malloy-Diniz LF, orgs. Neuropsicologia do desenvolvimento: infância e adolescência. Porto Alegre: Artmed; 2016. p. 185-92.

11. Torres DI, Ciasca SM. Correlação entre a queixa do professor e avaliação psico- lógica em crianças da primeira série com dificuldades de aprendizagem. Rev Psico- pedag. 2007;24(73):18-29.

12. Lima RF, Mello RJL, Massoni I, Ciasca SM. Dificuldades de aprendizagem: queixas escolares e diagnósticos em um Serviço de Neurologia Infantil. Rev Neurocienc. 2006;14(4):185-90.

13. Carvalho FB, Crenitte PAP, Ciasca SM. Distúrbios de aprendizagem na visão do professor. Rev Psicopedag. 2007;24(75):229-39.

14. Ribeiro R, Ciasca SM, Capelatto IV. Relação entre recursos familiares e desempenho escolar de alunos do 5º ano do ensino fun- damental de escola pública. Rev Psicopedag. 2016;33(101):164-74.

15. Guidetti AA, Lima FF, Bartholomeu D, Montiel JM, Machado AA. Estilos parentais e dificuldades de aprendizagem na escrita: análise de suas correlações. In: Capovilla FC, org. Transtornos de Aprendizagem: processos em avaliação e intervenção pre- ventiva e remediativa. 2ª ed. São Paulo: Mennon; 2011.

16. Navatta ACR, Fonseca MF, Muszkat M, Miranda MC. Triagem diagnóstica no pro- cesso de avaliação neuropsicológica inter- disciplinar. Psicol Reflex Crit. 2009;22(3): 430-8.

17. Gomes RTM, de Mello CB, Cardoso TSG, Feldeberg SCF, Muszkat M, Bueno OFA. Protocolo psicopedagógico de avaliação in- terdisciplinar de crianças com lesão cerebral. Rev Psicopedag. 2012;29(90):290-300.

18. Costa AC, Toazza R, Bassôa A, Portuguez MW, Buchweitz A. Ambulatório de aprendizagem do projeto ACERTA (Avaliação de crianças em risco de transtorno da aprendizagem): métodos e resultados em dois anos. In: Salles J, Haase VG, Malloy-Diniz LF, orgs. Neuropsicologia do desenvolvimento: infância e adolescência. Porto Alegre: Artmed; 2016. p. 185-92.

19. Moreira MPS. A avaliação social do idoso dependente na assistência domiciliar. [dis- sertação]. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica; 2005.

20. Martinelli ML, Koumrouyan E. Um novo olhar para a questão dos instrumentais técnico-operativos em Serviço Social. Rev Serv Soc Soc. 1994;16(45):137-41.

21. Lewgoy AMB, Silveira EC. A entrevista no processo de trabalho do Assistente Social. Rev Textos Contextos. 2007;6(2):233-51.

22. Graciano MIG, Lehfeld NAS, Neves Filho A. Critérios de avaliação para classi- ficação sócio-econômica: elementos para a atualização parte II. Serv Soc Reald. 1996; 5(2):171-201.

23. Graciano MIG, Lehfeld NAS, Neves Filho A. Critérios de avaliação para classificação sócio-econômica: elementos de atualização. Serv Soc Reald. 1999;8(1):109-28.

24. Paula GR, Beber BC, Baggio SB, Petry T. Neuropsicologia da aprendizagem. Rev Psi- copedag. 2006;23(72):224-31.

25. Hamdan AC, de Pereira APA, Riechi TIJS. Avaliação e reabilitação neuropsicológica: desenvolvimento histórico e perspectivas atuais. Inter Psicol. 2011;15(no.spe):47-58.

26. Wechsler D. WISC IV - Escala Wechsler de Inteligência para Crianças. 4ª ed. São Paulo: Casa do Psicólogo; 2013.

27. Rey A. Figuras Complexas de Rey: Teste de Cópia e de Reprodução de Memória de Figuras Geométricas Complexas. São Paulo: Casa do Psicólogo; 1999.

28. Sedó M, de Paula JJ, Malloy-Diniz LF. Teste dos cinco dígitos. São Paulo: Hogrefe; 2015.

29. De Toni PM. Bateria Piaget-Head de Orien- tação Direita-Esquerda: manual. São Paulo: Vetor; 2006.

30. Visca J. O diagnóstico operatório na prática psicopedagógica. São José dos Campos: Pulso Editorial; 2008.

31. Saraiva RA, Moojen SMP, Munarski R. Avaliação da compreensão leitora textos ex- positivos. São Paulo: Casa do Psicólogo; 2005.

32. Bacha SMC, Volpe MRFT. PROADE - Pro- posta de avaliação das dificuldades escolares. Anos Iniciais do Ensino Fundamental. 1ª ed. Ribeirão Preto: Book Toy; 2014.

33. Seabra AG, Dias NM. Avaliação neuropsi- cológica cognitiva: Linguagem oral. São Paulo: Memnon; 2012.

34. Capellini SA, Smythe I, Silva C. Protocolo de avaliação de habilidades cognitivo-lin- guísticas. Marília: Fundepe; 2012.

35. Santos FH, Bueno OF. Validation of the Brazilian Children’s Test of Pseudoword Repetition in Portuguese speakers aged 4 to 10 years. Braz J Med Biol Res. 2003; 36(11):1533-47.

36. Pereira LD, Schochat E. Testes auditivos comportamentais para avaliação do pro- cessamento auditivo central. Barueri: Pró- Fono; 2011.

37. Wilson RH, Moncrieff DW, Townsend EA, Pillion AL. Development of a 500-Hz masking-level difference protocol for clinic use. J Am Acad Audiol. 2003;14(1):1-8.

38. Musiek FE, Shinn JB, Jirsa R, Bamiou DE, Baran JA, Zaida E. GIN (Gaps-In- Noise) test performance in subjects with confirmed central auditory nervous system involvement. Ear Hear. 2005;26(6):608-18.

39. Musiek FE. Frequency (pitch) and du- ration pattern tests. J Am Acad Audiol. 1994; 5(4):265-8.

40. Kanski J. Oftalmologia clínica: uma abor- dagem sistemática. 6ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2008.

41. Moore A, Lightman S. Fundamentals of clinical ophthalmology: paediatric ophthal- mology. Hoboken: Wiley; 2000.

42. Hammill DD, Pearson NA, Voress JK. De- velopmental Test of Visual Perception: DTVP-3. 3rd ed. Austin: Pro-ed; 2014.

43. Andrade SA, Santos DN, Bastos AC, Pedromônico MRM, Almeida-Filho N, Barreto ML. Ambiente familiar e desen- volvimento cognitivo infantil: uma abor- dagem epidemiológica. Rev Saúde Pública. 2005;39(4):606-11.

44. Franco V. Introdução à Intervenção Precoce no desenvolvimento da criança com a família, na comunidade, em equipe. Évora: Edições Aloendro; 2015.

Downloads

Publicado

2020-01-01

Como Citar

Back, N. C. F., Telaska, T. dos S., Damari, J. L., Dettmer, C. C., Silva, S. V., Riechi, T. I. J. de S., & Crippa, A. C. de S. (2020). Modelo de avaliação de transtornos de aprendizagem por equipe interdisciplinar. Revista Psicopedagogia, 37(112), 37–51. https://doi.org/10.5935/0103-8486.20200003

Edição

Seção

Artigo Original