A constituição da criança com autismo
diagnóstico e suas implicações
DOI:
https://doi.org/10.51207/2179-4057.20240014Palavras-chave:
Teoria Histórico-Cultural, Diagnóstico Clínico, Autismo infantil, Inclusão Educacional, Inclusão SocialResumo
Este artigo tem por objetivo compreender como a questão do diagnóstico do desenvolvimento infantil é tratada por Lev Vigotski em seus estudos sobre a deficiência e, a partir daí, refletir sobre como o diagnóstico de autismo tem sido produzido historicamente e seus impactos na constituição da subjetividade da criança que o recebe. Fruto de uma pesquisa de doutorado em educação, parte da problemática da hegemonia das tendências biologizantes que circulam na ambiência escolar e que acabam por afetar as relações de ensino e as formas como as crianças diagnosticadas com autismo são compreendidas. O estudo fundamenta-se em textos de Vigotski acerca do diagnóstico e dos modos de constituição humana. O trabalho empírico focaliza a história de Miguel, uma criança com autismo, no segundo ano do Ensino Fundamental. Neste texto, as análises foram realizadas a partir de um relato narrativo feito pela mãe da criança ao pesquisador, e também de excertos de suas notas de campo. Para os registros, utilizaram-se a audiogravação e posterior transcrição. Os resultados permitem apreender dois movimentos: o primeiro diz respeito ao modo como a temática é trabalhada em textos de Vigotski; o segundo sinaliza a construção histórica do diagnóstico de autismo em práticas sociais escolares e não-escolares por meio da palavra do outro. Por fim, as discussões dão indícios das possibilidades de participação de Miguel na escola, na rua, no comércio, em brincadeiras, enfim, nas diferentes práticas sociais.
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