Regulação e emancipação na escola
o estudo de caso do processo identitário de uma jovem
DOI:
https://doi.org/10.51207/2179-4057.20250001Palavras-chave:
Identificação Social, Desempenho Acadêmico, Psicologia Social, Anorexia, EscolarizaçãoResumo
Neste artigo compartilhou-se o estudo de caso conduzido em pesquisa de mestrado, cujo objetivo foi compreender o processo identitário de jovens mulheres brancas, ex-alunas de escolas particulares de elite, na cidade de São Paulo, espaço de atuação do psicopedagogo. Concebendo a identidade como um processo contínuo, que ocorre ao longo da história do indivíduo na relação com o contexto sócio-histórico, buscou-se identificar referenciais identitários produzidos e reproduzidos no cotidiano dessas instituições. Utilizou-se do método qualitativo de entrevistas de narrativas de história de vida e projeto de futuro de uma jovem, partindo da premissa de que a singularidade da narradora materializa o universal, na particularidade do narrado. A análise das entrevistas possibilitou apreender o processo de identidade, a partir das experiências da narradora e da relação estabelecida com o seu entorno. As práticas escolares vivenciadas revelaram-se como políticas de identidade regulatórias, isto é, como referenciais identitários totalizantes, que impõem um modelo único de ser, individualizando e patologizando o fracasso de quem aí não se enquadrava. O descompasso que levou ao adoecimento dessa aluna é fruto das inúmeras tensões invisibilizadas, ignoradas na busca sem fim de maximizar resultados, em nome de pertencer a um mundo de desempenho, em uma sociedade exausta; produz-se, aí, exclusão, e vende-se, em seguida, a inclusão. Pode-se afirmar que a narrativa possibilitou a compreensão de que as políticas educacionais se constituem enquanto políticas identitárias regulatórias, impedindo possibilidades de identidade-metamorfose em direção à emancipação humana, revelando a necessidade de ampliarmos a investigação com um universo maior.Downloads
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