Métodos de alfabetização

delimitação de procedimentos e considerações para uma prática eficaz

Autores

  • Alessandra Gotuzo Sebra Universidade Presbiteriana Mackenzie
  • Natália Martins Dias Universidade Presbiteriana Mackenzie

Palavras-chave:

Alfabetização, Aprendizagem, Linguagem, Leitura

Resumo

O artigo apresenta os métodos de alfabetização mais difundidos no país, delimitando-os em função de seus três aspectos fundamentais: a) ponto de partida e encaminhamento da alfabetização, delimitando os métodos analíticos e sintéticos; b) unidade mínima de análise na relação entre fala e escrita, delimitando os métodos global, silábico e fônico; e c) tipo de estimulação envolvida, distinguindo os métodos multissensorial e tradicional. É apresentado breve histórico sobre os métodos de alfabetização e, em maiores detalhes, são descritos os métodos fônico e global. O método fônico tem como objetivo principal ensinar as correspondências grafofonêmicas e desenvolver habilidades metafonológicas, fomentando as habilidades de decodificação e codificação. Já o método global pressupõe que a aprendizagem da linguagem escrita ocorra pela identificação visual da palavra, focando diretamente as associações entre as palavras e seus significados. No Brasil, o método global é o mais enfatizado nas universidades e o mais utilizado nas salas de aula. Além disso, no país, a concepção construtivista tem exercido grande influência sobre as práticas em alfabetização. No entanto, pesquisas nacionais e internacionais têm questionado a efetividade do método global e das concepções construtivistas e revelado o método fônico como o mais eficaz na alfabetização regular e, ao lado do método multissensorial, na intervenção com crianças com dificuldades em leitura e escrita. Recentemente, algumas iniciativas acadêmicas e de setores do governo têm revelado uma possível aproximação entre as práticas educacionais e tais evidências científicas. Essa confluência ‘educação-ciência’ poderá beneficiar grandemente as práticas na educação fundamental do país.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Alessandra Gotuzo Sebra, Universidade Presbiteriana Mackenzie

Psicóloga, Doutora e Pós-Doutorada em Psicologia pela Universidade de São Paulo, Professora, pesquisadora e orientadora do Programa de Pós-graduação em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Bolsista de Produtividade CNPq - Uni versidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, SP, Brasil.

Natália Martins Dias, Universidade Presbiteriana Mackenzie

Psicóloga, Mestre e Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Bolsista FAPESP. Professora convidada do curso de Psicopedagogia da UPM. Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, SP, Brasil.

Referências

Hempenstall K. The whole language: phonics controversy: an historical perspective. Educ Psychol. 1997;17:399-418.

Mortatti MRL. História dos métodos de alfabetização no Brasil. Portal MEC, 2006. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/ensfund/alf_mortattihisttextalfbbr.pdf.

Brasil. Parâmetros Curriculares Nacionais/ Ensino Fundamental (1ª a 4ª). Língua Portuguesa. Brasília:Ministério da Educação e do Desporto;1997.

Brasil. SAEB – 2005. Primeiros resultados: médias de desempenho do SAEB/2005 em perspectiva comparada. Brasília:Ministério da Educação e do Desporto;2007.

Brasil. Relatório final do grupo de trabalho alfabetização infantil: os novos caminhos. 2ª ed. Câmara dos Deputados, Comissão de Educação e Cultura, 2007. Disponível em: http://bd.camara.gov.br/bd/bitstream/handle/bdcamara/1924/

Brasil. A criança de 6 anos, a linguagem escrita e o ensino fundamental de 9 anos. Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, Diretoria de Concepções e Orientações Curriculares para a Educação Básica e Coordenação Geral de ensino Fundamental. Brasília:MEC;2009.

Capovilla FC. Os novos caminhos da alfabetização infantil. São Paulo:Memnon;2005.

Organization for Economic Cooperation and Development. Knowledge and skills for life: a report on PISA 2000. Paris:OECD;2001.

Organization for Economic Cooperation and Development. Learning for tomorrow’s world: first results from PISA 2003, 2004. Disponível em: http://www.oecd.org/dataoecd/1/60/34002216.pdf.grupo_alfabetizacao_infantil_educacao_cultura.pdf?sequence=1.oc_download&gid=7277&Itemid=.

Organization for Economic Cooperation and Development. PISA 2006 Science competencies for tomorrow’s world, 2007. Disponível em: http://www.oecd.org/document/2/0,3746,en_32252351_32236191_39718850_1_1_1_1,00.html.

Organization for Economic Cooperation and Development. PISA 2009 Results: executive summary, 2010. Disponível em: http://www.oecd.org/dataoecd/34/60/46619703.pdf.

Seabra AG, Capovilla FC. Problemas de leitura e escrita: como identificar, remediar e prevenir numa concepção fônica. 6ª ed. São Paulo:Memnon;2010.

Morais J. A arte de ler. São Paulo:Editora Unesp;1995.

Gersten R, Keating T, Becker WC. Continued impact of the direct instruction model: longitudinal studies of follow through students. Educ Treat Children. 1988;11(4):318-27.

Share D. Phonological recoding and self-teaching: sine qua non of reading acquisition. Cognition. 1995;55:151-218.

Landsmann LT. Aprendizagem da linguagem escrita: processos evolutivos e implicações didáticas. São Paulo:Ática;1995.

Borstrom I, Elbro C. Prevention of dyslexia in kindergarten: effects of phoneme awareness training with children of dyslexics parents. In: Hulme C, Snowling M, eds. Dyslexia: biology, cognition and intervention. London: Whurr Publishers;1997. p.235-53.

National Institute of Child Health and Human Development. Report of the national reading panel: teaching children to read, 2000. Disponível em: http://www.nichd.nih.gov/publications/nrp/report.cfm.

Goodman KS. Manifesto for a reading revolution. In: Gollasch FV, ed. Language and literacy: the selected writings of Kenneth S. Goodman. London:Routledge & Kegan Paul; 1976. p.231-41.

Goodman KS. What’s whole in whole language? Portsmouth:Heinemann;1986.

Goodman KS. Reading: a psycholinguistic guess game. J Read Specialist. 1967;4:126-35.

Flesch R. Why Johnny can’t read? New York: Harper and Row;1955.

Chall JS. Learning to read: the great debate. New York:McGraw-Hill;1967.

Bond GL, Dykstra R. The cooperative research program in first-grade reading instruction. Read Res Q. 1967;2:10-141.

Brown IS, Felton RH. Effects of instruction on beginning reading skills in children at risk for reading disability. Read Writ: An interd J 1990; 2:223-41.

Evans MA, Carr TH. Cognitive abilities, conditions of learning, and the early development of reading skill. Read Res Q. 1985; 20:327-50.

Foorman BR, Francis DJ, Novy DM, Liberman D. How letter-sound instruction mediates progress in first-grade reading and spelling. J Educ Psychol. 1991;83:456-69.

Stahl SA, Kuhn MR. Does whole language or instruction matched to learning styles help children learn to read? School Psych Rev. 1995;24:393-404.

Vellutino FR. Introduction to three studies on reading acquisition: convergent findings on theoretical foundations of code-oriented versus whole-language approaches to reading instruction. J Educ Psychol. 1991;83:437-43.

Yates GCR. Classroom research into effective teaching. Aust J Remed Educ. 1988;20:4-9.

Lehr M. A comparative analysis examining the efficacy of whole-language reading instruction and skills-based reading instruction, 1994. Disponível em: http://snowhite.gac.oeachnet.edu/gather/ref_materials/ed.spapers/fall_Quarter_1994/Reading_instr_Methodol.text.

Brasil. Resumo técnico – censo escolar 2010. Brasília:MEC, INEP; 2010. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&task=d

Ferreiro E. Reflexões sobre alfabetização. São Paulo:Cortez;1985.

Ferreiro E. Literacy development: psychogenesis. In: Goodman YM, ed. How children construct literacy: Piagetian perspectives. Newark:International Reading Association; 1990. p.12-25.

Ferreiro E. Com todas as letras. São Paulo: Cortez;1993.

Ferreiro E, Teberosky A. Psicogênese da língua escrita. Porto Alegre:Artmed;1986.

Rego LLL. Alfabetização e letramento: refletindo sobre as atuais controvérsias. Domínio Público - Portal MEC, s/d. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me03176a.pdf.

British Dyslexia Association. Specialist literacy tuition. Disponível em: http://www.bdadyslexia.org.uk/.

Capovilla AGS. Compreendendo a dislexia: definição, avaliação e intervenção. Cad Psicopedag. 2002;2:36-59.

Seabra AG, Capovilla FC. Alfabetização fônica: construindo competência de leitura e escrita. 4ª ed. São Paulo:Memnon;2010.

Seabra AG, Capovilla FC. Alfabetização: método fônico. 5ª ed. São Paulo:Memnon;2010.

Seabra AG, Macedo EC, Capovilla FC, Diana C. Alfabetização fônica computadorizada: CD-ROM. 3ª ed. São Paulo:Memnon;2011.

Capovilla AGS. A eficácia das instruções fônicas. Rev Educ CEAP. 2003;40:56-8.

Aaron PG, Joshi RM, Quatroche D. Becoming a professional reading teacher. Baltimore:Paul H. Brookes Publishing;2008.

Elbro C, Rasmussen I, Spelling B. Teaching reading to disabled readers with language disorders: a controlled evaluation of synthetic speech feedback. Scand J Psychol. 1996; 37:140-55.

Kamps D, Abbott M, Greenwood C, Wills H, Veerkamp M, Kaufman J. Effects of small-group reading instruction and curriculum differences for students most at risk in kindergarten: two-year results for secondary- and tertiary-level interventions. J Learn Disabil. 2008;41(2):101-14.

O’Connor R, Fulmer D, Harty K, Bell KM. Layers of reading intervention in kindergarten through third grade: changes in teaching and student outcomes. J Learn Disabil. 2005; 38(5):440-55.

Schneider W, Küspert P, Roth E, Visé M, Marx H. Short and long-term effects of training phonological awareness in kindergarten: evidence from two German studies. J Exp Child Psychol. 1997;66:311-40.

Shaywitz S. Entendendo a dislexia: um novo e completo programa para todos os níveis de problemas de leitura. Porto Alegre:Artmed; 2006.

Shaywitz S, Morris R, Shaywitz B. The education of dyslexic children from childhood to young adulthood. Annu Rev Psychol. 2008; 59:451-75.

Temple E, Deutsch GK, Poldrack RA, Miller SL, Tallal P, Merzenich MM, et al. Neural deficits in children with dyslexia ameliorated by behavioral remediation: evidence from functional MRI. PNAS. 2003;100(5):2860-5.

Torgesen JK, Davis C. Individual difference variables that predict response to training in phonological awareness. J Exp Child Psychol. 1996;63:1-21.

Capovilla AGS, Capovilla FC. Efeitos do treino de consciência fonológica em crianças com baixo nível sócio-econômico. Psicologia: Reflexão e Critica. 2000;13:7-24.

Dias NM, Bighetti CA. Intervenção em habilidades metafonológicas em estudantes do ensino fundamental e desenvolvimento de leitura. Psicologia em Revista. 2009;15(3):140-58.

Fadini CC, Capellini SA. Treinamento de habilidades fonológicas em escolares de risco para dislexia. Rev Psicopedagia 2011; 28(85):3-13.

Fukuda MTM, Capellini SA. Treinamento de habilidades fonológicas e correspondência grafema-fonema em crianças de risco para dislexia. Rev CEFAC. 2011;13(2):227-35.

Oliveira DG, Lukasova K, Macedo E. Avaliação de um programa computadorizado para intervenção fônica na dislexia do desenvolvimento. Psico-USF. 2010;15:277-86.

Silva APC, Capellini SA. Programa de remediação fonológica em escolares com dificuldades de aprendizagem. J Soc Bras Fonoaudiol. 2011;23(1):13-20.

Montessori M. The discovery of the child. Madras:Kalakshetra;1948.

Fernald G, Keller H. The effect of kinesthetic factors in development of word recognition in the case of non-readers. J Educ Res. 1921;4:355-77.

Orton S. Word blindness in school children. Arch Neurol Psych. 1925;581-615.

Jardini RSR, Vergara FA. Alfabetização de crianças com distúrbios de aprendizagem, por métodos multissensoriais, com ênfase fono-vísuo-articulatória: relato de uma experiência. Pró-Fono Rev Atual Cient. 1997;9:31-4.

Jardini RSR, Gomes PTS. Alfabetização com as Boquinhas – livro do professor. São José dos Campos:Pulso Editorial;2007.

Jardini RSR, Gomes PTS. Alfabetização com as Boquinhas – caderno do aluno. São José dos Campos:Pulso Editorial;2008.

Downloads

Publicado

2011-12-01

Como Citar

Sebra, A. G., & Dias, N. M. (2011). Métodos de alfabetização: delimitação de procedimentos e considerações para uma prática eficaz. Revista Psicopedagogia, 28(87), 306–320. Recuperado de https://revistapsicopedagogia.com.br/revista/article/view/584

Edição

Seção

Artigo de Revisão