Quem são os alunos encaminhados para acompanhamento de dificuldades de aprendizagem?
Palavras-chave:
Dificuldades de Aprendizagem, Acompanhamento Escolar, Perfil de Encaminhamento, Indicador de Desempenho EscolarResumo
Uma parcela grande de alunos enfrenta dificuldade de aprendizagem, e lidar com este desafio traz dúvidas para muitos professores, tanto os já experientes como os em processo de formação. O artigo tem como objetivo apresentar o perfil dos 60 alunos encaminhados para acompanhamento escolar por meio da realização de estudos de caso (observação e entrevista) desenvolvidos pelos graduandos do curso de Pedagogia. A análise do perfil considerou: nível de escolaridade, idade, sexo, incidência de reprovação, tipo de dificuldade mais evidente e acesso (ou não) a reforço escolar. Evidenciou-se que o maior percentual de encaminhamento ocorre no 3º ano, aos 8 anos de idade, sendo a maioria meninos. A leitura e a escrita são as áreas que motivaram o encaminhamento do maior número de alunos quando estas coocorreram. Questões de comportamento, ligadas à desatenção, estão presentes em 35% da amostra, sendo que cerca de 30% dos alunos já tinham sido reprovados. Dos alunos encaminhados, 70% não recebiam acompanhamento extraclasse. O perfil evidenciado revela a atenção redobrada que os alunos com problemas para aprender necessitam. Destacou-se o papel que a formação inicial e continuada pode desempenhar no sentido de impulsionar o professor a uma constante reflexão sobre sua prática pedagógica, analisando as acomodações necessárias para desenvolver o potencial dos alunos, respeitando as suas diferenças e auxiliando na superação de suas dificuldades. Enfatizou-se que, nessa perspectiva, a pesquisa colaborativa, a exemplo dos estudos de caso realizados nas escolas, é um caminho promissor, pois valoriza as trocas entre a produção acadêmica e a prática docente.
Downloads
Referências
Moojen S. Dificuldades ou Transtornos de Aprendizagem? In: Rubinstein E, org. Psicopedagogia: uma prática, diferentes estilos. São Paulo: Casa do Psicólogo; 1999. p. 243-84.
Moojen S, Costa A. Semiologia Psicopedagógica. In: Rotta NT, Ohlweiler L, Riesgo RS, eds. Transtornos da Aprendizagem: abordagem neurobiológica e multidisciplinar. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed; 2016. p. 85-93.
Ohlweiler L. Introdução aos Transtornos da Aprendizagem. In: Rotta NT, Ohlweiler L, Riesgo RS, eds. Transtornos da Aprendizagem: abordagem neurobiológica e multidisciplinar. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed; 2016. p. 107-11.
American Psychiatric Association (APA). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Porto Alegre: Artmed; 2014.
Brasil. Diretoria de Avaliação da Educação Básica. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Avaliação Nacional da Alfabetização: relatório 2013-2014, análise dos resultados. Brasília: MEC/Inep, DAEB; 2015. 120 p.
Brasil. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Sistema de Avaliação da Educação Básica. Press Kit: Saeb 2017. Brasília: MEC/Inep, SAEB; 2018. 37 p.
Rio Grande do Sul. Secretaria da Educação do Estado do Rio Grande do Sul. SAERS 2016 Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Rio Grande do Sul. Revista do sistema. Juiz de Fora: Universidade Federal de Juiz de Fora, Faculdade de Educação, CAEd; 2016. 68 p.
Yin R. Estudo de Caso: Planejamento e Métodos. Porto Alegre: Artmed; 2005.
André MEDA. Estudo de caso: Seu potencial na educação. Cad Pesq [Internet]. 1984 [acesso 2018 Out 7];49:51-4. Disponível em: http://publicacoes.fcc.org.br/ojs/index.php/cp/article/view/1427/1425
Brasil. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Departamento de Políticas de Educação Infantil e Ensino Fundamental. Ensino fundamental de nove anos: orientações para a inclusão da criança de seis anos de idade. Brasília: MEC, SEB; 2007. 136 p.
Brasil. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretoria de Apoio à Gestão Educacional. Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa. Currículo na perspectiva da inclusão e da diversidade: as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica e o Ciclo de Alfabetização. Caderno 1/Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, Diretoria de Apoio à Gestão Educacional. Brasília: MEC, SEB; 2015. 106 p.
Brasil. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Base Nacional Comum Curricular: Educação é a Base. Brasília: MEC; 2018. 472 p.
Piccoli L, Camini P. Práticas pedagógicas em alfabetização: espaço, tempo e corporeidade. Erechim: Edelbra; 2012.
Fonseca SA. Da criança ao adolescente: gênese e desenvolvimento dos distúrbios de aprendizagem. In: Scoz BJL, Rubinstein E, Rossa EMM, Barone LMC, eds. Psicopedagogia: o caráter interdisciplinar na formação e atuação profissional. Porto Alegre: Artmed; 1987.
Rubinstein E. Psicopedagogia: uma prática, diferentes estilos. São Paulo: Casa do Psicólogo; 1999.
Osti A, Martineli SC. Desempenho escolar: análise comparativa em função do sexo e percepção dos estudantes. Educ Pesq. 2014;40(1):49-59.
Capellini AS, Tonelotto JMF, Ciasca SM. Medidas de desempenho escolar: avaliação formal e opinião de professores. Estud Psicol (Campinas). 2004;21(2):79-90.
Badian NA. Reading disability defined as a discrepancy between listening and reading comprehension: a longitudinal study of stability, gender differences, and prevalence. J Learn Disabil. 1999;32(2):138-48.
Barbaresi WJ, Katusic SK, Colligan RC, Weaver AL, Jacobsen SJ. Math learning disorder: incidence in a population-based birth cohort, 1976-82, Rochester, Minn. Ambul Pediatr. 2005;5(5):281-9.
Spelke ES. Sex differences in intrinsic aptitude for mathematics and science?: a critical review. Am Psychol. 2005;60(9):950-8.
Hooper SR, Swartz CM, Montgomery J, Reed MS, Brown TT, Wasileski TJ, et al. Prevalence of writing problems across three middle school samples. School Psych Rev. 1993;22(4):610-22.
22. Berninger VW, Hart TM. A Developmental Neuropsychological Perspective for Reading and Writing Acquisition. Educ Psychol. 1992; 27(4):415-34.
23. Hattie J. Aprendizagem visível para pro- fessores: Como maximizar o impacto da aprendizagem. Porto Alegre: Artmed; 2017.
24. Barkley RA. Transtorno de déficit de aten- ção/hiperatividade (TDAH): guia completo e autorizado para país, professores e pro- fissionais da saúde. Porto Alegre: Artmed; 2002.
25. Dorneles BV, Lima EM, Nogues CP. Apren- dizagem da matemática nos anos iniciais: conceitos e desafios. In: Piccoli L, Corso LV, Andrade SS, Sperrhake R, eds. Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC UFRGS): práticas de alfabetização, aprendizagem da matemática e políticas pú- blicas. São Leopoldo: Oikos; 2017.
26. Scoz B. Psicopedagogia e realidade esco- lar: o problema escolar e de aprendizagem. Petrópolis: Vozes; 1994.
27. Ferreiro E, Teberosky A. Psicogênese da lín- gua escrita. Porto Alegre: Artes Médicas; 1985.
28. Morais AG. Sistema de escrita alfabética. São Paulo: Melhoramentos; 2012.
29. Soares M. Alfabetização: a questão dos mé- todos. São Paulo: Contexto; 2016.
30. Fletcher JM, Lyons GR, Fuchs LS, Barnes MA. Transtornos de aprendizagem: da identificação à intervenção. Porto Alegre: Artmed; 2009.
31. Andersson U, Lyxell B. Working memory deficit in children with mathematical diffi- culties: a general or specific deficit? J Exp Child Psychol. 2007;96(3):197-228.
32. Corso LV, Dorneles BV. Perfil cognitivo dos alunos com dificuldades de aprendizagem na leitura e matemática. Psicol Teor Prat. 2015;17(2):185-98.
33. Corso HV, Corso LV. Intervenção Psicope- dagógica na dislexia do desenvolvimento. In: Sales JF, Navas AL, org. Dislexias do desenvolvimento e adquiridas. 1ª ed. São Paulo: Pearson; 2017. p. 343-53.
34. Maughan B, Carroll J. Literacy and mental disorders. Curr Opin Psychiatry. 2006;19(4): 350-4.
35. Rohde LA, Mattos P. Princípios e práticas em transtorno de déficit de atenção/ hipe- ratividade. Porto Alegre: Artmed; 2003.
36. Benczik E, Bromberg MC. Intervenções na escola. In: Rohde LA, Mattos P. Princípios e práticas em transtorno de déficit de atenção/ hiperatividade. Porto Alegre: Artmed; 2003. p. 199-218.
37. Rohde LA, Benczik EB. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade: O que é? Como ajudar? Porto Alegre: Artmed; 1999.
38. Aguiar AP, Kieling RR, Costa AC, Chardosim N, Dorneles BV, Almeida MR, et al. Increa- sing teachers’ knowledge about ADHD and learning disorders: an investigation on the role of a psychoeducational intervention. J Atten Disord. 2014;18(8):691-8.
39. Corso LV. Dificuldade na compreensão da leitura: Uma abordagem metacognitiva. Rev Psicopedag. 2004;21(66):206-15.
40. Marchesi A. Alunos com dificuldades de aprendizagem. In: Marchesi A. O que será de nós, os maus alunos. Porto Alegre: Artmed; 2006.
41. Weiss MLL. Psicopedagogia Clínica: uma visão diagnóstica dos problemas de aprendi- zagem escolar. Rio de Janeiro: DP&A; 1992.
42. Dowker A. What Works for Children with Mathematical Difficulties? (Research report, RR554). London: Department for Education and Schools and Families; 2004.
43. Piccolo LR, Giacomoni CH, Julio-Costa A, Oliveira S, Zbornik J, Haase VG, et al. Reading anxiety in L1: reviewing the concept. Early Child Educ J [Internet]. 2017 [acesso 2018 Out 7];44(1):537-43. Disponível em: https://link.springer.com/article/ 10.1007/s10643-016-0822-x
44. Beer J, Engels J, Heerkens Y, Klink J. Factors influencing work participation of adults with developmental dyslexia: a systematic review. BMC Public Health [Internet]. 2014 [acesso 2018 Out 7];14:77. Disponível em: https://bmcpublichealth.biomedcentral.com/ articles/10.1186/1471-2458-14-77
45. Fuchs LS, Powell SR, Seethaler PM, Cirino PT, Fletcher JM, Fuchs D, et al. The Effects of Strategic Counting Instruction, with and without Deliberate Practice, on Number Combination Skill among Students with Mathematics Difficulties. Learn Individ Differ. 2010;20(2):89-100.
46. Dyson NI, Jordan NC, Glutting J. A num- ber sense intervention for low-income kin- dergartners at risk for mathematics difficul- ties. J Learn Disabil. 2013;46(2):166-81.
47. Corso LV. Aprendizagem e desenvolvimento saudável: contribuições da Psicopedagogia. In: Santos BS, Anna L, orgs. Espaços psico-pedagógicos em diferentes cenários. Porto Alegre: EDIPUCRS; 2013. p. 64-76.
48. Cosenza R, Guerra L. Neurociência e edu- cação: como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed; 2011.
49. Estanislau GM, Bressan RA. Saúde mental na escola: o que os educadores devem saber. Porto Alegre: Artmed; 2014.
50. Osti A. As dificuldades de aprendizagem na concepção do professor [Dissertação de mestrado]. Campinas: Universidade Esta- dual de Campinas; 2004.
51. Guimarães KP, Saravali EG. Concepções de alunos do curso de Psicopedagogia a res- peito das Dificuldades de Aprendizagem. Educ Tem Dig (Campinas). 2006;8(1):192-210.
52. Rotta NT, Bridi Filho CA, Bridi FRS. Neu- rologia e Aprendizagem: abordagem multi- disciplinar. Porto Alegre: Artmed; 2016.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2019 Luciana Vellinho Corso, Amanda Oliveira Meggiato

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.













