Dificuldade de aprendizagem no ensino fundamental e médio
a percepção de professores de sete escolas públicas de São Paulo - SP
Palavras-chave:
Professores, Percepção, Dificuldade de aprendizagem, Saúde da criançaResumo
Introdução: Atualmente, assiste-se ao aumento de crianças com queixa de dificuldades de aprendizagem encaminhadas a profissionais da saúde. Objetivo: Este estudo visou compreender a percepção de professores de escolas públicas sobre as dificuldades de aprendizagem em seus alunos. Método: Estudo descritivo, realizado em sete escolas públicas na região central de São Paulo-SP, no ano de 2011. Professores de todos os anos do Ensino Fundamental e Médio foram convidados a participar, respondendo a um questionário fechado autoaplicado. Para a análise dos dados foi usado o teste de qui-quadrado e admitido nível de significância de 5%. Resultados: Participaram do estudo 104 professores. A maioria percebeu ser muito frequente a dificuldade de aprendizagem (60,8%). Os tipos de dificuldades percebidos como mais frequentes foram escrita, leitura, desatenção e alterações de comportamento, porém, foram as de ordem comportamental as mais “difíceis de lidar”. Os participantes destacaram o desinteresse dos pais e a dificuldade em dar atenção individualizada ao aluno como importantes fatores associados às dificuldades de aprendizagem. Os profissionais da área da saúde que os professores julgaram ser mais necessários para a avaliação das crianças com dificuldades de aprendizagem foram o psicólogo (66,7%), seguido pelo fonoaudiólogo e psicopedagogo. Conclusões: Os professores participantes conceberam a dificuldade de aprendizagem como algo muito frequente na sua prática cotidiana e referiram dificuldades no seu enfrentamento. Estudos como este podem contribuir para uma reflexão mais ampla acerca do tema e para o reconhecimento e valorização dessa queixa no âmbito escolar, melhorando o diálogo entre os diferentes atores envolvidos com o desenvolvimento infantil.Downloads
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