VOLUME 20 - EDIÇÃO 61 Jan/ Abr - 2003

Editorial
Ponto de Vista

2 - Psicopedagogia & inclusão - o papel do profissional e da escola

Psychopedagogy & inclusion. The role of the professional and the school

Elcie F. Salzano Masini

Rev. Psicopedagogia 2003;20(61):2-6

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Esta comunicação focaliza os conceitos de Psicopedagogia e de inclusão; faz referência às influências que deram origem ao movimento pela inclusão no Brasil e às características da inclusão, nos anos de 1998 a 2002. Convida a refletir sobre a especificidade do papel do psicopedagogo e sua contribuição para a inclusão escolar dos alunos com deficiência e sem deficiência.

Relato de Pesquisa

3 - Grupo ensino: uma estratégia de intervenção psicopedagógica no ensino superior

The teaching group: a strategy of psicopedagogical intervention in college teaching

Antonio Wilson Pagotti; Sueli Assis de Godoy Pagotti

Rev. Psicopedagogia 2003;20(61):7-16

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O grupo ensino é uma estratégia educacional que procura contribuir para que o aluno construa sua autonomia através da educação escolar. No trabalho três momentos são relevantes: (a) identificação projetiva nas relações com objetos, (b) identificação nas relações com o outro, (c) integração símbolo vivência. Participaram do estudo 29 alunos do segundo ano de um curso de Publicidade. O estudo foi desenvolvido por solicitação da coordenadora, que apresentou várias queixas da turma sobre problemas de interação entre os alunos, alunos e professores e no rendimento acadêmico. Foram utilizados como instrumentos em pré e pós-testes um questionário e um sociograma. Os dados indicavam baixo nível de integração entre os alunos, vários pontos de conflito e ausência de lideranças. A partir do estudo preliminar, montou-se um programa de ação psicopedagógica de dois encontros semanais de 90 minutos, durante três semanas. As atividades do grupo ensino iniciaram-se com exercícios vivenciais: não verbais, jogos lógicos inter e intragrupais e exercícios simbólicos-educacionais, enfatizando a construção de personagens. Os resultados foram considerados favoráveis por terem instigado a integração grupal, a revisão dos problemas de sala de aula, a definição de papéis e a formação profissional.

Relato de Experiência

4 - Um olhar semiótico para o processo de aprendizagem de sujeitos com deficiência mental

The semiotic vision about the mental disabled teenagers in a learning process

Rossana Aparecida Vieira Maia Angelini

Rev. Psicopedagogia 2003;20(61):17-26

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Este artigo tem como proposta apresentar uma experiência no processo de aprendizagem com jovens de uma escola especial em São Paulo. A escolha desse tema se dá pela possibilidade de ver esses jovens como pessoas capazes de aprender, a partir de uma relação que se estabelece por meio de signos que são veiculados a todo momento entre ensinante e aprendente, uma relação sígnica que permite uma escuta atenta ao que o sujeito da aprendizagem põe em circulação, uma escuta às suas demandas. O que salta aos olhos nessa relação é a percepção do ensinante que coloca o aprendente no lugar do saber, movimento que faz uma diferença considerável na mediação, para que a aprendizagem seja prazerosa. Procuramos, assim, um diálogo entre a semiótica e a psicopedagogia para dar conta do movimento do processo de aprendizagem que o aluno vivencia na sua relação com o professor, um sujeito singular nesse movimento.

5 - Angenor, estudo de caso de um cidadão brasileiro

Angenor, a Brazilian citizen case study

Elisa Pitombo

Rev. Psicopedagogia 2003;20(61):27-31

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O presente trabalho pretende trazer algumas reflexões sobre o estudo de caso de Angenor - um cidadão brasileiro de 50 anos de idade, que como muitos apresentara um problema de aprendizado escolar vinculado à linguagem oral e escrita. Devido a sua tenacidade e a sua persistência durante atendimento psicopedagógico clínico, autoriza-se a superar o sintoma do sujeito que não aprende, tornando-se capaz de ultrapassar os obstáculos do conhecer escolar universitário e profissional. Dentre suas buscas, está o atendimento clínico psicopedagógico. Apresento neste artigo a discussão do estudo de caso à luz da teoria interacionista.

Artigo de Revisão

6 - Os alicerces da aprendizagem

The bases of learning

Claudete Sargo

Rev. Psicopedagogia 2003;20(61):32-37

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A autora tem como objetivo descrever as implicações no processo de aprendizagem, decorrentes das relações entre pais e filhos. Utiliza dados retirados de suas experiências profissionais e de estudos a partir da Psicologia Analítica estruturada por Jung e da Psicanálise estruturada por Winnicott.

7 - Liberdade e limite na educação infantil: algumas contribuições filosóficas e psicopedagógicas

Freedom and limit in the philosophy and psychopedagogy: a debate about childish education

Sérgio Pereira da Silva; Andréa Afonso Borges

Rev. Psicopedagogia 2003;20(61):38-46

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Este ensaio analisa conceitos de liberdade e limite presentes no debate filosófico e psicopedagógico. Procura mostrar as especificidades (diferenças) e concordâncias (semelhanças) desses dois discursos em torno do tema em questão. O texto pretende, ainda, contribuir com a discussão em torno do conceito de liberdade e limite no sentido de se pensar a constituição da autonomia humana. No primeiro tópico, os autores mostram o eterno dilema filosófico em torno da liberdade, das regras e normas relacionando-se, dialeticamente, na perspectiva autônoma de constituição das sociedades humanas. No segundo, a mesma temática é posta em termos psicopedagógicos.

8 - Desenvolvimento do raciocínio verbal: aprendizagem por coordenação de ações, reconstrução e ressignificação de experiências

The development of the verbal reasoning : learning by action coordination, reconstrution and re-signification of experiences

Maria Therezinha de Lima Monteiro

Rev. Psicopedagogia 2003;20(61):47-51

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Estudos de psicogenética demonstraram que a inteligência verbal desenvolve-se por reconstrução de experiências, em etapas bem definidas, em termos de inteligência sensório-motora, de inteligência intuitivo-simbólica e de inteligência operatória (concreta e formal). As experiências envolvem relações implicativas e explicativas, com esquemas de assimilação aplicados sobre os objetos e reconstruídos pela linguagem, cujo desenvolvimento envolvem descentralização da perspectiva da criança em interação com seus pares. A aprendizagem cooperativa, em pequenos grupos heterogêneos, propiciando a interação social no ambiente psicopedagógico, tem se mostrado um meio eficiente de aprendizagem em nossas pesquisas, endereçadas à prática psicopedagógica, desenvolvidas em Escolas Públicas do Ensino Fundamental.

9 - O papel do adulto em situações de aprendizagem

The role of adults in learning situations

Ana Maria Falsarella

Rev. Psicopedagogia 2003;20(61):52-55

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Este texto pretende trazer elementos para reflexão, a partir da perspectiva psicanalítica, sobre a influência das imagos parentais na aprendizagem de crianças em situação escolar. Destaca a importância das primeiras relações constituídas com os adultos significativos e que servem para a formação da matriz de identidade infantil.

10 - Afetividade, um instrumento didático

Affectionateness, a didactic instrument

João da Silva Carvalho Neto

Rev. Psicopedagogia 2003;20(61):56-60

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Este artigo pretende propor a existência de aspectos energéticos presentes nas relações interpessoais em sala de aula, envolvendo alunos e professores. Atualmente, existem estudos capazes de sustentar uma teoria que explique a produção de afetos para além dos mecanismos abstratos da mente, situando-a na expansão de estruturas físicas mais amplas que o cérebro. Com isso, a sensibilidade recíproca entre os componentes de uma sala de aula pode estar permitindo que emoções e sentimentos se toquem, literalmente, produzindo um veículo para a circulação do saber, como o ar o é para o som.

11 - Sala de aula: espaço de autoria de pensamento

Classroom: space of thought autorship

Jurema Nogueira Mendes Rangel

Rev. Psicopedagogia 2003;20(61):61-66

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Este artigo tem por objetivo refletir sobre o desenvolvimento do processo de autoria de pensamento, a partir do vínculo estabelecido em sala de aula entre professor e aluno, servindo de ancoragem para a construção de um sujeito autônomo e sua identidade. Procura-se, neste estudo de caráter teórico, aprofundar a análise da relação professor-aluno, numa visão psicopedagógica. É fundamental o estabelecimento de um diálogo com os educadores que buscam construir uma nova prática pedagógica, a partir das inquietações vividas na sala de aula.

12 - Educação nos tempos atuais: grandes desafios

Education in the current times: great challenges

Lélia de Cássia Faleiros Oliveira

Rev. Psicopedagogia 2003;20(61):67-71

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Este artigo tem por objetivo assinalar algumas das principais transformações sociais ocorridas nestes últimos séculos, e ajudar na reflexão a respeito de alguns equívocos sobre os quais repousa a complexa equação: educação vs tempos atuais. A intenção é desmitificar algumas idéias que atravessam o fazer e o olhar dos educadores, bem como despertar o interesse desses educadores na assunção de sua tarefa educativa.

13 - O conceito de "diferente" no processo de inclusão e sua relação com os diversos segmentos sociais

The concept of "different" in the inclusion process and its relation with diferent social segments

Ana Lúcia Mandacarú Lobo

Rev. Psicopedagogia 2003;20(61):72-75

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Este trabalho visa a analisar o conceito de "diferente" dentro de nossa cultura e, a partir daí, localizar e situar o deficiente dentro das questões sociais e culturais que interferem diretamente no processo de inclusão escolar. Este tipo de análise nos leva a refletir sobre os diferentes campos de ação - deficiente, família, escola e sociedade - que envolvem este processo, bem como constatar a complexidade de sua intrincada rede de ações e associações.

14 - O mundo pré-operatório de Laurinha: considerações gerais sobre o estágio de pensamento pré-operatório

Laurinha's preoperational world: general considerations about preoperational thought

Vera Regina Passos Bosse

Rev. Psicopedagogia 2003;20(61):76-84

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Este artigo apresenta uma abordagem didática para entender o período de pensamento pré-operatório, conforme concebido pela epistemologia genética de Jean Piaget. Na primeira parte do trabalho, a autora apresenta um texto narrativo, onde utiliza a fala de uma personagem fictícia, de nome Laurinha, para ilustrar algumas das principais características do pensamento de uma criança, na faixa dos quatro anos de idade. Na seqüência, a autora analisa as situações vivenciadas pela personagem, trazendo uma revisão da literatura sobre os principais conceitos de Piaget acerca do pensamento pré-operatório. O objetivo deste trabalho é facilitar a tarefa de leitura considerada, muitas vezes, tão árdua, para aqueles que fazem suas primeiras aproximações da obra piagetiana.

Resenha