VOLUME 22 - EDIÇÃO 67 Jan/ Abr - 2005

Editorial
Artigo Original

2 - A vivência da reinserção escolar de crianças com câncer: estratégia de atuação do psicólogo

Experiences of children with cancer when going back to school: a psychological care strategy

Gisele Machado da Silva; Elizabeth Ranier Martins do Valle

Rev. Psicopedagogia 2005;22(67):2-13

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Este estudo se propõe a ouvir crianças sobre sua vivência de voltar à escola durante seu tratamento oncológico, após um trabalho informativo realizado com seus colegas e professores. Seguindo normas éticas, foram identificadas, no Setor de Pediatria e Puericultura do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, oito crianças, de cinco a onze anos, participantes do estudo. Foi proposta, a elas e a suas mães, a realização de um trabalho informativo sobre o câncer na escola, a partir da apresentação do desenho animado "Não tem choro", a fim de proporcionar esclarecimentos sobre a doença e tratamento aos colegas e professores. Aproximadamente trinta dias após sua volta às aulas, em um de seus retornos hospitalares, foi feita uma entrevista com as crianças no HCFMRP-USP, a partir da seguinte questão: "Gostaria que você me contasse como está sendo voltar para a escola depois deste tempo que você passou afastado para se tratar". As entrevistas foram analisadas qualitativamente, segundo o método fenomenológico. Esta análise revelou que antes do trabalho informativo a falta de esclarecimento sobre o câncer propiciou o estabelecimento do "mistério" em torno da aparência física das crianças doentes na escola, configurando um clima hostil e agressivo para elas. Todavia, mantiveram sua posição em continuar freqüentando a escola, esforçando-se para apresentarem bom desempenho acadêmico e comportamental, além de criarem alternativas para "burlarem" a rejeição dos colegas. Segundo as crianças, o trabalho informativo constituiu-se em um importante apoio no momento da reinserção escolar.

3 - Evaluación de los estilos de aprendizaje y metacognición en estudiantes universitarios

Metacognition and learning styles evaluation in university students

Evelise Maria Labatut Portilho

Rev. Psicopedagogia 2005;22(67):14-25

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Este artículo es el resultado de una investigación cuyo propósito es el estudio del proceso de aprendizaje en la universidad, destacando como temas centrales los estilos de aprendizaje y la metacognición. Estos temas exigen una toma de consciencia por parte del sujeto en su manera de ser o funcionar en cuanto aprendente. Los estilos de aprendizaje posibilitan a la persona conscientizarse de su estilo actúale de asimilar el conocimiento, observando y analizando cuales son los mecanismos que utiliza para aprender, lo que ya ha aprendido y lo que falta para aprender. La metacognición permite que la persona, al entrar en contacto con los puntos fuertes y débiles en su proceso de aprendizaje, pueda tener la oportunidad de transformar y mejorar sus resultados académicos. La muestra fue constituida por estudiantes universitarios de cuatro titulaciones distintas de la Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR - Brasil), distribuidos en los que iniciaban la carrera y los que estaban concluyéndola. Los resultados indican la necesidad del profesor conocer como sus alumnos aprenden, como el mismo aprende y enseña su programa de aprendizaje, visando la mejoría del proceso aprendizaje-enseñanza.

4 - O Relatório psicopedagógico e sua importância para o trabalho do professor

The psichopedagogic report and its importance to work's teacher

Carolina Provvidenti de Paula Gurgel

Rev. Psicopedagogia 2005;22(67):26-40

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Este trabalho objetivou descrever a estrutura e o conteúdo de relatórios de avaliação psicopedagógica e examinar a sua importância para o professor que atende alunos com diagnóstico de deficiência mental, integrados em turmas do ensino regular. A pesquisa dividiu-se em duas partes. Na primeira, analisou-se um conjunto de 50 relatórios de avaliação psicopedagógica, oriundos do ensino especial. Na segunda parte, por meio de entrevistas estruturadas, buscou-se saber a opinião de professoras sobre o relatório. Os resultados mostraram que os relatórios apresentam-se com insuficiência de informações relevantes para o trabalho pedagógico junto ao aluno. São carentes de análises e interpretações consistentes sobre a história do problema atribuído ao aluno, bem como do contexto em que suas dificuldades se manifestam. Apenas constatam a dificuldade, não apresentando orientações efetivas para o trabalho do professor. Com as entrevistas, pôde-se verificar que a visão das professoras corroborou e ancorou as conclusões da pesquisadora. Para elas, o relatório de avaliação psicopedagógica pouco diz sobre as crianças submetidas à avaliação, pouco oferece em termos de subsídios para o trabalho educacional, sendo, portanto, irrelevante para o trabalho pedagógico. Os resultados deste trabalho apontam para uma grande lacuna entre o objetivo estabelecido pela legislação. É urgente a revisão dos procedimentos atuais de avaliação e dos seus resultados.

Artigo Especial

5 - Percursos históricos da psicopedagogia no Rio Grande do Sul

Historical overview of psychopedagogy in Rio Grande do Sul

Fabiani Ortiz Portella

Rev. Psicopedagogia 2005;22(67):41-50

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O presente artigo traz uma contribuição dos movimentos realizados no estado do Rio Grande do Sul, em torno da constituição da psicopedagogia como profissão. Apresenta dados preliminares da pesquisa a arquivos, pesquisa em teses, documentos e publicações na área. O artigo baseia-se, principalmente, no testemunho das personalidades expoentes envolvidas na área da educação e da saúde, que participaram da formação inicial, com isso organizando os fatos importantes que deram origem à psicopedagogia, trilhando os percursos necessários na direção da construção desta profissão, perfazendo quase meio século de história.

Artigo de Revisão

6 - A gênese do símbolo e a entrada na cultura: a reflexão epistemológica apóia a reflexão psicopedagógica

The genesis of the symbol and the entrance in culture: the epistemological reflection supporting the psychopedagogical reflection

Helena Vellinho Corso

Rev. Psicopedagogia 2005;22(67):51-58

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O texto tem como tema a capacidade humana de criar símbolos. Relacionando a capacidade de simbolizar com toda a possibilidade de criar cultura, o texto aborda a origem e o desenvolvimento desta capacidade no ser humano. Usando o referencial da Epistemologia Genética, especificamente quanto à formação do símbolo, busca-se evidenciar o caráter construtivo da atividade simbólica, por meio da retomada do processo sensório-motor que dá origem à imagem mental e ao jogo de faz-de-conta. A perspectiva construtivista da origem do símbolo permite a superação das posições que ou concebem a capacidade representativa como inata ou, em outro extremo, julgam que ela decorre da própria cultura, sendo aprendida por pressão do meio social. É a compreensão do caráter construtivo da atividade representativa que permite entender como o símbolo é preparado por todo o esquematismo sensório-motor, ao mesmo tempo em que prepara, por seu turno, o conceito, constituindo-se em condição prévia do pensamento lógico. A autora chama a atenção para a pertinência do tema para a Psicopedagogia, posto que a capacidade simbólica está na raiz dos processos de aprendizagem mais essenciais à efetivação da humanidade de cada um, sendo, sem dúvida pré-requisito para todas as aprendizagens escolares. Ao mesmo tempo, o aspecto da construção simbólica está presente em várias estratégias terapêuticas em Psicopedagogia Clínica, tornando indispensável ao profissional desta área a compreensão da capacidade que abre as portas da cultura ao sujeito da aprendizagem.

7 - Desmistificando a inclusão

Demystifyng inclusion

Maria Lúcia Toledo Moraes Amiralian

Rev. Psicopedagogia 2005;22(67):59-66

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Após reflexão sobre a inclusão, que não deve ser considerada como uma política exclusiva para com as pessoas com deficiência ou como uma questão restrita à área educacional, discutiu-se esse "novo paradigma educacional", comparando-o com a política anterior da Educação Especial, a integração de alunos com deficiência. Essa discussão conduziu a uma análise da inclusão em um contexto social mais amplo. Considerando a "Cultura da Culpa" e a "Cultura da Vergonha", propostas por Ruth Benedict e a "Cultura do Concern", acrescida por Davi Bogomoletz, foi analisado o conceito de inclusão e apontados sua vertente histórica, seu momento atual e suas perspectivas para o futuro.

8 - Violência na/da escola: em busca de definições

School violence and violence at school: searching for definitions

Rosana Maria César Del Picchia de Araújo Nogueira

Rev. Psicopedagogia 2005;22(67):67-79

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Este trabalho teve sua origem em minha dissertação de mestrado, cuja pesquisa buscou analisar e refletir sobre a produção científica dos programas de pós-graduação em Educação, no período de 1990 a 2000, sobre a temática "escola e violência". Baseou-se no referencial da Teoria Crítica, representada por Max Horkheimer, Theodor Adorno e Herbert Marcuse. Delimitou-se como campo de investigação as teses e dissertações sobre o tema, catalogadas no CD-ROM ANPEd/99 e bibliotecas da USP e PUC/SP. Adotou-se como recorte as dissertações e teses defendidas nos programas de pós-graduação em Educação da USP e PUC/ SP pelo fácil acesso ao material empírico e pela maior concentração do material nestas universidades, no período de 1990 a 2000. Por meio do balanço realizado, pode-se verificar que os pesquisadores não distinguiram violência física e não física, tratando-as em conjunto nos seus trabalhos. Identificou-se, também, que os estudos sobre violência da escola e na escola estão mais preocupados com a falta de disciplina dos alunos e que as explicações da violência enfatizam ora aspectos individuais, ora sociais, ora associando ou tentando relacionar os dois aspectos, embora mantidos como entidades separadas. Na pesquisa, foi possível distinguir: o aspecto da violência que os autores mais enfatizam - psicológico, sociológico ou ambos, sendo que a ênfase no aspecto social foi a mais freqüente; os tipos de violência enfatizados em suas pesquisas, o que cada autor entendia por violência física, não física, da escola e na escola; os referenciais teóricos trabalhados nas pesquisas, assim como as propostas apresentadas por eles de modo a poder responder: como a violência, em sua manifestação na escola, vem sendo estudada pelos pesquisadores.

Resenha
Cartas ao Editor