VOLUME 25 - EDIÇÃO 76 Jan/ Abr - 2008

Editorial
Artigo Original

2 - A moral como obstáculo para a aprendizagem sistemática

Morality as an obstacle to systematic learning

Jacqueline Andréa Glaser; Johnny Guedes de Lima Favre

Rev. Psicopedagogia 2008;25(76):2-13

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Há um obstáculo que impede ou torna difícil a apropriação do saber em algumas crianças, que se traduz pela reprovação, e conseqüentemente, pelo fracasso escolar. Esse obstáculo não é necessariamente de ordem cognitiva, funcional, emocional ou social, mas provavelmente de origem moral. O objetivo dessa pesquisa é investigar o valor obediência (estádio de heteronomia) na criança como possível causa do fracasso escolar, pela relação existente entre a obediência, a autoridade e as regras. Essa pesquisa foi realizada com 13 crianças, de 8 a 11 anos, alunos de escolas públicas de Lyon - França. Fazem parte do protocolo a aplicação das histórias morais, a verificação da consciência de regras, a análise do nível de estrutura cognitiva e o teste projetivo "Família Educativa". Os resultados nos mostraram que a maioria de nossos sujeitos está ainda no estádio de heteronomia moral. A maior parte deles ainda não adquiriu a consciência de regras, por isso eles vivem numa dinâmica na qual o respeito unilateral predomina, apresentam dificuldade para se descentrar e se colocar no ponto de vista do outro, condição necessária para haver aprendizagem.

3 - As hipóteses diagnósticas nos casos de dificuldades escolares: experiência em equipe multiprofissional

The diagnostic hypotheses in the cases of school difficulties: experience in multiprofissional team

Stella Maris Cortez Bacha; Ana Lúcia Ferra Finocchio; Mônica Scharth Féo Ribeiro

Rev. Psicopedagogia 2008;25(76):14-24

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No atendimento às crianças e adolescentes oriundos de escolas públicas para avaliação e/ou intervenção, no Laboratório Psicoeducacional da UNIDERP, utiliza-se as terminologias Distúrbio de Aprendizagem (DA), Dificuldade na Aprendizagem Escolar (DAE) e Distúrbio Específico de Leitura-Escrita (DLE), a partir de definições e delimitações propostas na literatura. O objetivo do presente trabalho foi verificar a eficiência no uso destas terminologias para as hipóteses diagnósticas levantadas nas avaliações de aprendizagem realizadas. Foram consultados todos os protocolos dos casos atendidos e analisadas as hipóteses diagnósticas levantadas junto aos casos atendidos no ano de 2006. Dos 40 casos com a queixa de dificuldade escolar confirmada, a maioria, 15 (37,5%), teve a hipótese diagnóstica inicial de DAE, 35%, DLE e 27,5%, DA. Destacaram-se os componentes emocionais e/ou comportamentais. O atendimento no Laboratório é clínico, mas com perspectiva também educacional. As terminologias utilizadas (DA, DAE e DLE), de uma forma geral, representaram o conjunto de dados levantados em cada caso estudado e puderam orientar as intervenções.

4 - El cuerpo... un eclipse a develar en el proceso de enseñanza aprendizaje

The body... an eclipse in the education process learning

Marta Busani; Sandra Yamzon

Rev. Psicopedagogia 2008;25(76):25-32

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El presente artículo surge de la producción de conocimientos realizado por un equipo de investigación, perteneciente al Dpto. de Psicopedagogía de la Universidad Nacional del Comahue, -Viedma, Río Negro, Argentina-, donde se indagaron aspectos del proceso de enseñanza aprendizaje en el aula que involucran la comprensión -o no- del cuerpo de los alumnos y de los docentes en dicho proceso. La presencia del cuerpo de los alumnos en su aprendizaje, se encuadró en la construcción teórica de la singularidad psíquica del educando (Benbenaste, 1995-1996) que sostiene una concepción de sujeto del aprendizaje que además de ser inteligente, es sujeto simbólico; es decir que su potencial para aprender dependerá de la significación de su propio cuerpo. Para indagar la presencia del cuerpo de los docentes en el proceso de enseñanza aprendizaje se han trabajado los desarrollos de la pedagogía crítica, especialmente lo referido al concepto de cuerpo/sujeto (Mac Laren, 1994; 1997); que da cuenta de la profunda imbricación e interacción entre cuerpo y subjetividad. La metodología cualitativa con que se han abordado las indagaciones nos ha permitido utilizar técnicas distintas para trabajar con los/as alumnos/as y con las docentes. Hemos realizado, entrevistas clínicas con alumnos/as, talleres de implicación corporal e interrogación crítica con docentes y observaciones de clase, que han puesto de relieve la interacción del cuerpo/sujeto de alumnos y docentes. En el desarrollo de este trabajo intentamos dar cuenta de las cuestiones relevantes en relación a la presencia del cuerpo -o la no conciencia del mismo- como un eclipse a develar en el proceso de enseñanza aprendizaje.

Artigo Especial

5 - O imaginário e a adolescência do jovem especial

The imaginary and the adolescence of the young special

Rossana Aparecida Vieira Maia Angelini; Neusa Gomes

Rev. Psicopedagogia 2008;25(76):33-42

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O objetivo desse trabalho é apresentar a necessidade de que os jovens especiais têm de colocar seus conflitos, suas angústias em relação à sua adolescência, frente à sua família e à sociedade em que vivem, bem como apresentar o sujeito que habita esses jovens, seu imaginário em relação à sociedade, dentro de uma abordagem psicopedagógica e sociointeracionista, em que mediar atitudes, relações familiares e sociais possa ampliar os espaços desse sujeito para buscar entender e reconstruir condições psíquicas que lhe permitam conviver bem em sociedade. A mediação para esses conflitos torna-se fundamental, condição que possibilitará o desenvolvimento de suas funções superiores e a compreensão das relações de aprendizagem que podem estabelecer na sociedade. Partimos da intermediação e da observação de um grupo de jovens que é atendido na clínica psicopedagógica. Dessa forma, discute-se, também, o imaginário dos pais em relação ao filho ideal e ao filho especial, e a estruturação psicoafetiva e social do filho real.

6 - A emergência da Psicopedagogia como ciência

Nadia Aparecida Bossa

Rev. Psicopedagogia 2008;25(76):43-48

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Este artigo discute o fazer psicopedagógico na atualidade. Inicialmente, apresenta algumas considerações acerca do que se constitui nas chamadas práticas psicopedagógicas para, em seguida, expor considerações de natureza epistemológica a respeito da formação e, principalmente, da investigação psicopedagógica, que fundamenta essa prática. Finaliza discutindo a necessidade e a pertinência da pós-graduação strito sensu com área de concentração em Psicopedagogia.

Relato de Pesquisa

7 - O espectro autista no contexto institucional: aspectos constitutivos do desenvolvimento

The autistic spectre in the intitutional context: constitutive aspects of development

Ana Beatriz Machado de Freitas

Rev. Psicopedagogia 2008;25(76):49-61

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O presente artigo refere-se a um estudo de caso que subsidiou uma pesquisa qualitativa de Mestrado em Psicologia. Procurou-se compreender como a dinâmica de uma instituição constituía a subjetividade de uma aluna. A escola-campo é uma instituição filantrópica de ensino especial e reabilitação que atende a crianças com diagnóstico de deficiência mental. A criança-participante é uma aluna diagnosticada deficiente mental com comportamentos autistas. A aluna foi acompanhada por um semestre letivo, nos espaços clínico e pedagógico. A pesquisadora posicionou-se como observadora participante e, assim, acompanhou a criança em diversos momentos e espaços da instituição, buscou interação com a aluna em alguns momentos e conversou com familiares e profissionais envolvidos. Constatou-se que a instituição é fortemente norteada pelo enfoque estritamente clínico e pelo diagnóstico e características gerais da deficiência. Discutiu-se o quanto esta visão, predominante na subjetividade social, dificulta o olhar para o sujeito em sua singularidade e processo de comunicação e desenvolvimento que ocorrem em um universo social e cultural. Tal obstáculo constitui-se empecilho para que necessidades educacionais importantes possam ser atendidas. A orientação e construção metodológica fundamentou-se na Epistemologia Qualitativa, de González Rey, e a construção-interpretação alicerçada na perspectiva histórico-cultural do desenvolvimento humano, cujo principal expoente é L.S.Vygotsky.

Relato de Experiência

8 - Acentuação gráfica: criação e aplicação de um jogo de regras

Accents on words: invention and application of games and their rules

Kelly Priscilla Lóddo Cezar; Nayra Carolina Bueno de Morais; Geiva Carolina Calsa; Edson Carlos Romualdo

Rev. Psicopedagogia 2008;25(76):62-74

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O presente artigo teve por objetivo apresentar os resultados de uma criação e aplicação de um jogo de regras, elaborado pelos pesquisadores, sobre o conteúdo de acentuação gráfica, a fim de evidenciar a capacidade de promover melhorias acerca do tema proposto juntamente com o processo de intervenção psicopedagógica. O ponto de partida foram os resultados divulgados por pesquisas e dados oficiais, que revelam um baixo desempenho na aprendizagem de diversos conteúdos escolares. Reflexões acerca das metodologias de ensino são de grande relevância, uma vez que estudos vêm demonstrando que o uso de jogos como recurso didático pode melhorar o desempenho dos alunos em diferentes áreas do conhecimento. Para aplicação do jogo no testes piloto, a pesquisa contou com três alunos que estudavam em redes públicas do município de Maringá/PR. A escolha foi relacionada à série escolar a qual freqüentavam, ou seja, entre 4ª e 5ª série. Os resultados preliminares evidenciaram que a intervenção psicopedagógica com o uso de jogos de regras facilita o processo de tomada de consciência acerca das regras de acentuação, bem como contribui para o aperfeiçoamento de esquemas cognitivos essenciais para a construção do conhecimento, revelando a importância dessa metodologia para o processo de ensino e aprendizagem dentro e fora da escola.

Ponto de Vista

10 - Ser para reconhecer-se ensinante

To be an educator means to be a human being

Evelise Maria Labatut Portilho; Isabel Cristina Hierro Parolin

Rev. Psicopedagogia 2008;25(76):78-82

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Em meio a inúmeras maneiras de viver e conviver que nos proporciona a sociedade atual, é fundamental a recriação de diferentes formas de aprender e de ensinar para ser professor-ensinante. A construção desse sujeito ensinante acontece quando ele se predispõe a autoconhecer-se e a conhecer o outro como partícipe de uma determinada jornada. Esse texto se propõe a refletir e a responder à pergunta: Que sujeito emerge do trabalho metacognitivo? A experiência tem mostrado que é um Ser que se reconhece e se reencanta a cada novo desafio, e dessa trajetória e das conexões que advêm dela que nasce o Ser Conhecedor. Focamos o Ser professor como um sujeito que, além de ensinante, é provocador de aprendizagens que vão além das portas das salas de aula. Este estudo tem relevância quando diferencia autoconhecimento de alto conhecimento e quando avança no sentido de demonstrar que o autoconhecimento é o caminho para a construção deste ensinante conhecedor.