VOLUME 25 - EDIÇÃO 77 Maio/ Ago - 2008

Editorial
Artigo Original

2 - As estratégias do jogo Traverse em alunos com queixas de dificuldades escolares

The strategies of game Traverse in pupils with complaints of pertaining to school difficulties

Renata Bonturi von Zuben; Rosely Palermo Brenelli

Rev. Psicopedagogia 2008;25(77):94-108

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Objetivou-se analisar os processos cognitivos de alunos que apresentavam queixas de dificuldades escolares, por meio das condutas apresentadas no jogo de regras Traverse, destacando a construção das interdependências espaço-temporais e de reciprocidade. Foram estudadas as condutas apresentadas por 16 alunos, 8 deles com queixas de dificuldades escolares, que compuseram o Grupo A, comparando-as com as de 8 alunos que não apresentavam queixas de dificuldades escolares, que passaram a compor o Grupo B. Todos os participantes freqüentavam a 4ª série do Ensino Fundamental de uma escola particular. A coleta de dados realizou-se por meio de três partidas do jogo Traverse, jogadas entre cada participante e a experimentadora. Os dados foram analisados em uma perspectiva piagetiana, segundo categorias de condutas apresentadas pelos participantes no jogo e os níveis de construção dialética propostos. Os resultados evidenciaram que existem diferenças entre os procedimentos empregados no jogo, pelos participantes dos dois grupos. As condutas mais complexas, as que levaram em conta uma interdependência mais geral e mais constante entre as ações dos dois jogadores, pertenceram aos participantes do Grupo B, observando-se diferenças, portanto, entre os alunos com queixas de dificuldades escolares.

3 - Por que ensinar as relações grafema-fonema?

Why teaching the relations between graphemes and phonemes?

Dalva Godoy

Rev. Psicopedagogia 2008;25(77):109-119

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Este estudo objetivou observar se o ensino das correspondências grafofonológicas favorece diferenças no desenvolvimento da consciência fonológica em pré-escolares. Questiona-se em que medida o método de alfabetização pode beneficiar o desenvolvimento da consciência fonológica, uma habilidade estreitamente relacionada ao sucesso na aprendizagem da leitura e da escrita alfabética. Dois grupos de crianças, com idade média inicial de 5 anos e 9 meses, expostos a dois métodos diferentes de ensino, foram avaliados durante um período de um ano por meio de tarefas de consciência fonológica aos níveis silábico e fonêmico. Os resultados mostraram evolução de ambas as habilidades entre os dois momentos de avaliação, para os dois grupos, mas o crescimento das habilidades de consciência fonêmica foi mais acentuado. Foram observadas, no entanto, diferenças significativas na evolução desse crescimento entre os dois grupos. O grupo que recebeu ensino das correspondências grafofonológicas apresentou maior evolução nos desempenhos em tarefas fonêmicas.

Relato de Pesquisa

4 - Crianças que escrevem, mas não lêem: dificuldades iniciais na alfabetização

Children who write, but don't read: difficulties on basic literacy

Michelle Brugnera Cruz; Adriana Corrêa Costa

Rev. Psicopedagogia 2008;25(77):120-131

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O presente relato de experiência trata das dificuldades iniciais na alfabetização, apresentando um estudo sobre a dicotomia na aprendizagem da leitura e da escrita. A revisão teórica procura explorar duas visões distintas do processo de aprendizagem dessas habilidades: a Psicogênese da Leitura e da Escrita proposta por Ferreiro e Teberosky e os estudos da Psicologia Cognitiva, buscando uma complementaridade entre essas abordagens. O estudo foi realizado com sete crianças de uma escola de educação infantil da rede privada de Porto Alegre, com idades entre 5 e 6 anos, que escreviam alfabeticamente, mas não liam palavras em diferentes contextos. Partindo-se de evidências pedagógicas, foi constatado que as atividades e as propostas da escola envolviam o conhecimento das letras, das unidades silábicas e da consciência fonêmica, detendo-se principalmente em atividades de escrita. Porém, nenhuma das atividades envolvia a construção do significado das palavras, ficando apenas na correspondência letra-som. O estudo apresenta atividades de intervenção psicopedagógicas desenvolvidas no contexto da sala de aula, em que a construção do significado das palavras na leitura foi instigada.

Relato de Experiência

5 - O abuso sexual e a inclusão momentânea: as conseqüências no processo de aprendizagem

Sexual abuse and momentaneous inclusion: the consequences in the learning process

Kátia de Conto Lopes; Ronalisa Torman

Rev. Psicopedagogia 2008;25(77):132-138

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O artigo a seguir é fruto de pesquisa realizada no Núcleo de Atendimento e Extensão em Psicopedagogia (NAEP) do Centro Universitário Feevale, onde a cada dia nos defrontamos com mais casos de pacientes com dificuldades de aprendizagem que sofreram abuso ou violência sexual. O abuso sexual se apresenta sem distinção de idade, raça ou classe social. As vítimas, principalmente as crianças, acabam por sofrerem caladas as terríveis conseqüências físicas e psicológicas da violência sofrida. A aceitação da dor do trauma a que foram submetidas é um processo complexo e longo, que precisa ser verbalizado e trabalhado, a fim de sentirem-se compreendidas e acolhidas no meio onde estejam inseridas. A Psicopedagogia, sendo uma área de conhecimento que trabalha com o aprender e o não aprender, tem como objetivo investigar a relação destes sujeitos que sofreram abuso sexual com a falta de desejo de aprender. A pesquisa demonstra que a problemática apontada quanto à dificuldade de manejar e de tratar adequadamente o sujeito vítima de abuso sexual e sua família indica a necessidade de capacitar diversos profissionais, a fim de abordar o assunto sob um ponto de vista interdisciplinar. A partir dessa realidade, são realizadas algumas reflexões acerca do abuso sexual sofrido por estes pacientes, da dificuldade de aprendizagem que os mesmos apresentavam e da situação de inclusão momentânea que todos estavam vivenciando.

Artigo Especial

6 - Duas visões psicopedagógicas sobre o fracasso escolar

Two psychopedagogical points of view on the failure school

Lúcia Gracia Ferreira

Rev. Psicopedagogia 2008;25(77):139-145

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Esse artigo faz uma análise reflexiva de duas visões psicopedagógicas (social/pedagógica e psicanalítica) sobre o fracasso escolar. Nesta análise, procuramos compreender a aprendizagem e as dificuldades de aprendizagem, esta última é possível causadora do fracasso escolar. Também ressaltamos a importância da abordagem psicopedagógica para a compreensão do insucesso do aluno na escola, pois esta abordagem se insere na área de estudos responsável pela compreensão das dificuldades de aprendizagem. A partir desse estudo entendemos que a psicopedagogia dá respostas para alguns problemas que surgem no aluno, durante o processo de aprendizagem, mas que o maior problema está na educação. Portanto, acreditamos que quando houver melhoria na educação, também haverá melhoras no processo de aprender.

7 - 20 anos depois: uma pesquisa sobre problemas de aprendizagem na atualidade

20 years later: a review about apprenticeship problems nowadays

Michele Fabiane A. S. Garcia Paes; Rosa Maria Junqueira Scicchitano

Rev. Psicopedagogia 2008;25(77):146-157

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Em 1988, um estudo sobre o perfil da clientela do Centro de Atendimento psicopedagógico da Universidade Estadual de Londrina/PR (CAPp/UEL) mostrou que era constituída principalmente de meninos, de 7 a 11 anos, que freqüentavam escolas públicas e particulares, encaminhados por professoras, orientadoras educacionais e médicos (neurologistas, psiquiatras infantis e pediatras). Os principais motivos da procura de atendimento psicopedagógico eram trocas de letras na escrita e problemas de ortografia. Vinte anos depois o estudo foi retomado, com base em dados documentais dos prontuários da clientela encaminhada ao CAPp/UEL, no período de 1989-2005. Dados referentes a idade, sexo, série escolar, natureza da escola, quem encaminha e motivo do encaminhamento foram analisados e discutidos. Assim, foi possível ter uma visão dos problemas de aprendizagem ao longo de um período de 20 anos: como têm sido vistos, reconhecidos e considerados. Nos primeiros anos do século XXI (2001-2005), foram encaminhados com mais freqüência: meninos, de 7 a 14 anos, 1ª a 8ª séries e, principalmente, de 5ª a 6ª séries, de escolas públicas estaduais; professoras, orientadoras educacionais, médicos neurologistas, fonoaudiólogos, psicólogos e psicopedagogos foram os profissionais que mais encaminharam. Os principais motivos de encaminhamento foram problemas de aprendizagem, problema de atenção/concentração, hiperatividade/agitação, dificuldade em leitura, escrita e cálculo, reprovação, não estudar sozinho/não fazer sozinho as tarefas, dificuldades na alfabetização e baixo rendimento escolar/notas baixas. Não se observa, nos últimos 20 anos, mudança significativa na tendência de se culpabilizar a criança e sua família pelos problemas de aprendizagem. A persistência dos problemas de aprendizagem na alfabetização, no desenvolvimento da escrita e da leitura compreensiva aponta para a necessidade de se desenvolver ações preventivas como forma de enfrentamento do problema.

8 - Historiando os 18 anos da Psicopedagogia em Goiás

Telling the 18 years of the Psychopedagogy in Goiás

Candy Gifford; Janete Carrer; Luciana Barros de Almeida

Rev. Psicopedagogia 2008;25(77):158-167

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O presente artigo apresenta o percurso histórico da Psicopedagogia em Goiás, mostrando a partir do testemunho de três profissionais como o desejo e a ousadia permearam as ações de um grupo de pioneiras, resultando no nascimento da Seção Goiás da ABPp e na abertura da primeira turma do Curso de Especialização em Psicopedagogia na Região Centro-Oeste. Mostra, também, a evolução da formação acadêmica oferecida pela Universidade Católica de Goiás e como a Associação Brasileira de Psicopedagogia tem conduzido o seu trabalho em direção à formação consistente do profissional da Psicopedagogia nestes 18 anos de existência.