VOLUME 26 - EDIÇÃO 80 Maio/ Ago - 2009

Editorial
Artigo Original

3 - Desenvolvimento infantil facilitação do meio (holding): violências, resiliência e estilos cognitivo-afetivos

Child development through facilitation (holding): violence, resilience and cognitive-affective style

Eloisa Quadros Fagali

Rev. Psicopedagogia 2009;26(80):175-187

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Este texto aborda a importância do processo maturacional e a facilitação do meio no desenvolvimento das crianças, segundo a teoria psicanalítica de Winnicott1,2,3 e Gilberto Safra4,5,6. O estudo focaliza as distorções de relacionamentos "crianças-família- escola-cultura" , e diferente violências, colocando ênfase na possibilidade de integração humana e criação cultural. A pesquisa discute aspectos essenciais para a aprendizagem eficiente na família, escola, comunidade e terapias. Este trabalho apresenta a satisfatória "relação criança- mãe", o "holding", os diferentes estilos cognitivos-afetivos (Carl Jung,7 Won Franz,8 e os processos arte-terapêuticos (Fagali)9,10, abrindo portas para a aprendizagem de psicopedagogos e crianças.

4 - Amostra de desempenho de estudantes do ensino fundamental em testes de atenção e funções executivas

Sample of the performance of children in tests of attention and executive functions

Ricardo Franco de Lima; Paula Pinheiro Travaini; Sylvia Maria Ciasca

Rev. Psicopedagogia 2009;26(80):188-199

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O objetivo da presente pesquisa foi obter uma amostra referencial do desempenho de crianças sem dificuldades de aprendizagem, de ambos os sexos e faixa etária entre 7-10 anos de idade, em testes que avaliam a atenção e as funções executivas. Foram usados os instrumentos: para a atenção - Testes de Cancelamento e Trail Making Test - Parte A; para as funções executivas - Trail Making Test - Parte B, Stroop Color Word Test e Torre de Londres; para as habilidades escolares - Teste de Desempenho Escolar. Os resultados foram organizados em análises da amostra total e em função dos gêneros, idades e níveis de escolaridade. Foram obtidos efeitos da idade e da série escolar no desempenho dos testes, principalmente nos escores de tempo, de modo que, com o avanço da faixa etária e nível de escolaridade, o desempenho melhorou significativamente. Foram obtidas correlações entre os escores dos instrumentos, com o fator idade e com os escores do TDE.

5 - Aquisição da linguagem figurada

Figurative language acquisiton

Renata Mousinho; Bianca Deschamps; Kaliani Coça; Daniela Schuewk; Aline Marchi; Beatriz Rufino

Rev. Psicopedagogia 2009;26(80):200-206

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Objetivou-se, nessa pesquisa, determinar a fase da aquisição da linguagem em que se compreendem as diversas formas de linguagem figurada, favorecendo a compreensão de dificuldades que podem surgir neste percurso, envolvendo metonímias, metáforas e estruturas que envolvem humor. Foram utilizados parâmetros baseados na Linguística Cognitiva, inspirada em Estudos Interacionais e na Teoria dos Espaços Mentais, por meio das noções de projeção, mesclagem e mudança de enquadre. Os resultados destacaram uma relação hierárquica desses fenômenos. O domínio da projeção se deu entre 5/6 anos, da mudança de enquadre entre 7/8 anos e da mesclagem entre 8/9 anos.

6 - Desempenho de escolares com dificuldades de aprendizagem em um programa de intervenção com a consciência fonológica

Performance of students with learning difficulties in a phonological awareness intervention program

Ana Paula de Castro Silva; Simone Aparecida Capellini

Rev. Psicopedagogia 2009;26(80):207-219

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O entendimento da estrutura da língua auxilia no desenvolvimento da alfabetização, e o ensino sistemático e explícito do funcionamento desta estrutura pode contribuir para que os escolares com dificuldades de aprendizagem as superem. Este estudo teve por objetivo verificar a eficácia de um programa de intervenção com a consciência fonológica. Participaram desta pesquisa 14 escolares de 30 ano do ensino básico de escola pública do interior de São Paulo, de ambos os gêneros, na faixa etária de 8 a 10 anos, sendo distribuídos em grupo experimental e controle. Em situação de pré e pós testagem, todos os escolares foram submetidos às provas do teste CONFIAS e realizaram a escrita espontânea de textos. Após a pré-testagem, somente o grupo experimental foi submetido ao programa de remediação fonológica. Os resultados apontaram que, após a intervenção, o grupo experimental apresentou diferença estatisticamente significante para as tarefas referentes à consciência de fonemas (segmentação e transposição) e que houve melhora na compreensão do código alfabético, evidenciada pelo aumento do número de palavras escritas. O programa de intervenção com a consciência fonológica favoreceu a percepção fonêmica e o entendimento do princípio alfabético de escrita do português.

7 - Comparação do nível de conhecimento das regras de correspondência grafofonêmicas entre escolares do 1º ao 5º ano do ensino fundamental

Comparison of the Knowledge level of Brazilian Portuguese rules between students from 1st to 5th grades of the fundamental education

Natália Fusco; Simone Aparecida Capellini

Rev. Psicopedagogia 2009;26(80):220-230

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OBJETIVOS: Este estudo teve como objetivos elaborar um protocolo de avaliação de leitura e comparar o nível de conhecimento dos escolares do 1º ao 5º ano do ensino fundamental quanto ao uso das regras do português brasileiro.
MÉTODO: Participaram 150 escolares divididos em 5 grupos de 30 escolares por série, na faixa etária de 6 a 10 anos e 11 meses, de ambos os gêneros, do 1º ao 5º ano, denominados de GI ao GV. Foi elaborado um Protocolo de Avaliação de Leitura baseado nas regras de decodificação do português brasileiro, composto por 6 categorias: Palavras Regulares, Palavras Irregulares, Palavras Regulares Incorretas com Trocas Visuais, Palavras Regulares Incorretas com Trocas Fonológicas, Palavras Homófonas e Pseudopalavras.
RESULTADOS: Os resultados revelaram diferença estatisticamente significante entre os escores esperados e obtidos em todos os subtestes, indicando que os escolares do 1º ao 5º anos não obtiveram a pontuação máxima de acerto para as categorias de leitura; os escolares do GI e GII apresentaram desempenho inferior para leitura das categorias deste estudo em relação aos GIII, GIV e GV. Com relação ao tempo de leitura, quanto maior a seriação escolar, menor tempo de leitura.
CONCLUSÃO: Pode-se concluir que o Protocolo de Avaliação da Leitura elaborado para este estudo permitiu conhecer o nível de conhecimento dos escolares do 1º ao 5º ano do ensino fundamental quanto ao uso das regras do português brasileiro. Entretanto, novas pesquisas necessitam ser realizadas para verificar se os achados aqui apresentados retrataram o comportamento de leitura de escolares de escola pública.

8 - Desenvolvimento das habilidades auditivas de escolares com distúrbio de aprendizagem, antes e após treinamento auditivo, e suas implicações educacionais

Development of the auditory skills in students with learning disabilities before and after auditory training and their implications in educational area

Fábio Henrique Pinheiro; Simone Aparecida Capellini

Rev. Psicopedagogia 2009;26(80):231-241

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Este trabalho tem por objetivo caracterizar e comparar o desempenho de escolares com e sem distúrbio de aprendizagem em testes de processamento auditivo, após a aplicação do programa treinamento auditivo, e discutir suas implicações no âmbito educacional. Foram selecionados 40 escolares, divididos em dois grupos: GI, subdividido em: GIe (10 escolares com distúrbio de aprendizagem submetidos ao programa de treinamento auditivo), GIc (10 escolares com distúrbio de aprendizagem não submetidos ao programa de treinamento auditivo) e GII, subdividido em: GIIe (10 escolares sem dificuldades submetidos ao programa de treinamento auditivo) e GIIc (10 escolares sem dificuldades não submetidos ao programa de treinamento auditivo). Os escolares foram submetidos a avaliação audiológica e provas de processamento auditivo em situação de pré e pós-testagem e a aplicação do programa de Treinamento Auditivo Audio Training®. Os resultados evidenciaram que os escolares com distúrbio de aprendizagem apresentaram alterações estatisticamente significantes, caracterizando alteração do processamento auditivo. Os escolares de GI apresentaram desempenho estatisticamente inferior em relação aos escolares de GII. Os grupos GIe e GIIe, submetidos ao programa de treinamento auditivo, apresentaram desempenho estatisticamente superior em situação de pós-testagem. Os achados sugerem que os processos auditivos interferem diretamente na recepção e na decodificação da informação, refletindo em atrasos no desenvolvimento da linguagem e da aprendizagem da leitura e escrita em sala de aula. O trabalho com enfoque nas habilidades alteradas pode auxiliar significantemente o aprendizado do escolar em sala de aula.

9 - Dislexia: atitudes de inclusão

Dyslexia: school inclusion attitudes

Maria Angélica Moreira Rocha; Maria Arminda S. Tutti Cabussú; Vitória Galvão Soares; Rita Lucena

Rev. Psicopedagogia 2009;26(80):242-253

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O objetivo deste estudo foi verificar a crença dos educadores e pais sobre a inclusão escolar de alunos disléxicos; bem como suas atitudes em relação a essa inclusão e como esses alunos se sentem no ambiente escolar. Um conjunto de variáveis interfere nesse processo, em decorrência de fatores de ordem socioemocional e pedagógica que afetam aos educadores, pais e alunos. As crenças determinam a conduta e prática pedagógica dos educadores, a relação familiar e o sentimento dos alunos disléxicos. Por meio da aplicação de questionários à equipe escolar, pais e alunos, visamos analisar essas intercorrências. Os resultados revelaram discrepância entre as crenças favoráveis à inclusão e as reais atitudes inclusivas dos educadores. Os pais acreditam na inclusão escolar e demonstraram conhecimento sobre a existência de algumas modificações realizadas pela escola, porém desconhecem as estratégias diferenciadas para o seu filho. Percebem também que a dislexia causa uma desvantagem pedagógica, insegurança e interfere na auto-imagem do disléxico. Os alunos disléxicos sentem-se inseguros no ambiente escolar, diante da participação e exposição nas atividades escolares e do baixo rendimento acadêmico. Dessa forma, conclui-se que há necessidade de mudança de paradigmas para que a inclusão escolar seja realmente efetivada.

10 - Alterações ortográficas: existem erros específicos para diferentes transtornos de aprendizagem?

Orthographic alterations: are there specific errors for different learning disabilities?

Jaime Luiz Zorzi; Sylvia Maria Ciasca

Rev. Psicopedagogia 2009;26(80):254-264

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OBJETIVOS: Analisar a escrita de crianças com problemas diversos de aprendizagem para identificar perfis particulares de erros.
MÉTODO
: Examinou-se a escrita de 64 sujeitos avaliados por equipe multidisciplinar e diagnosticados como apresentando algum tipo de problema de aprendizagem: Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade28; Dificuldades de Aprendizagem13; Distúrbio de Aprendizagem7; Dislexia3; Distúrbios Associados5 e Diagnóstico inconclusivo9. As idades variaram entre 8,2 e 13,4 anos, média de 10,6 anos. Foram avaliados sujeitos em nível alfabético, sem rebaixamento intelectual. Os grupos de problemas foram comparados entre si, considerando-se a frequência e distribuição dos erros ortográficos produzidos nas situações de escrita.
RESULTADOS: Não foi possível identificar erros de maior prevalência para cada tipo de problema. Existe tendência à formação de blocos de erros, sendo as representações múltiplas, omissões e apoio na oralidade os erros mais frequentes. Os erros por inversão e letras parecidas são os menos presentes. O agrupamento dos erros nas categorias de ortográfico, fonológico ou visuo-espacial evidenciou tendência de predomínio dos erros devido a processos ortográficos. Não há diferença significativa entre os erros de base ortográfica e os de base fonológica, sendo que tal diferença se manifesta em relação aos erros de natureza visuo-espacial.
CONCLUSÃO: Não foram identificados erros típicos para cada problema. A presença maior de erros ortográficos e fonológicos indica que estes são os aspectos mais complexos da aprendizagem. Os poucos erros ligados a processos visuais demonstram que os mesmos não são característicos dos problemas analisados.

Relato de Experiência

11 - Diagnóstico e intervenção psicopedagógica com adultos: um estudo de caso

Diagnosis and psychopedagogical intervention in adults: a case study

Débora Silva de Castro Pereira

Rev. Psicopedagogia 2009;26(80):265-273

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Refere-se este Estudo de Caso à psicopedagogia e sua relação com adultos. A atividade psicopedagógica, dinâmica em sua essência e vinculada à aprendizagem, diagnóstico e tratamento psicopedagógico, vem se apresentando de forma mais abrangente, com ações não somente direcionadas à criança e ao adolescente, mas também aos adultos. Nesse universo, relativamente novo, faz-se necessário levar em consideração toda a perspectiva histórica e a-histórica, numa visão sistêmica entre a observância da interferência da idade adulta em relação ao meio sociocultural, a inteligência e a afetividade, com vistas a um trabalho clínico psicopedagógico, de natureza preventiva e/ou remediativa.

12 - Psicopedagogia e constelação familiar sistêmica: um estudo de caso

Psychopedagogy & systemic familiar constellation: a study of one case

Ana Lucia de Abreu Braga

Rev. Psicopedagogia 2009;26(80):274-285

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Este artigo pretende apresentar o caso de uma criança de nove anos, com queixas de dificuldades de aprendizagem. A criança mostrou na avaliação um desempenho defasado daquele esperado para sua faixa etária e para o ano escolar cursado por ela. Apresentou grandes dificuldades em escrita, leitura e matemática; apesar de sua inteligência, não conseguia corresponder ao que a escola exigia dela. Por cinco meses ficou em terapia psicopedagógica, sem melhoras significativas. Após este tempo, tanto com a intervenção "jogo da percepção" ou "jogo da família", como com a constelação familiar sistêmica, a criança passou a aprender os conteúdos escolares, mostrando progressos significativos até o final do ano escolar. A constelação familiar sistêmica, de orientação fenomenológica, é vista aqui como intervenção determinante do progresso evolutivo da criança. Esta abordagem parte do princípio de que as leis sistêmicas, quando desrespeitadas, trazem desequilíbrios, que criam emaranhamentos e sofrimentos para os familiares. Muitas dificuldades de aprendizagem podem ser vistas como emaranhamento sistêmico. Este artigo tem o objetivo de apresentar este novo trabalho, constelação familiar sistêmica, como abordagem de terapia familiar breve e possível parceira da psicopedagogia.

Ponto de Vista

13 - Sono e aprendizagem

Sleep and learning

Luiza Elena Leite Ribeiro do Valle; Eduardo L. Ribeiro do Valle; Rubens Reimão

Rev. Psicopedagogia 2009;26(80):286-290

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É grande a importância do sono na vida diária, especialmente pensando no desenvolvimento físico e psicológico da criança, e suas influências sobre o comportamento infantil e o aprendizado.
OBJETIVO:
A identificação dos distúrbios do sono em crianças.
MÉTODO:
O questionário do sono de Reimão e Lefèvre (QRL) aborda diversos distúrbios do sono na infância, com questões respondidas pelos pais. Foi tomada uma amostra de 258 escolares, na faixa etária de 6 a 9 anos, em cinco escolas de ensino fundamental na cidade de Poços de Caldas, em Minas Gerais.
RESULTADOS: Entre os resultados, verificou-se que apenas 13(5%) pais admitiam a influência do sono na aprendizagem.
DISCUSSÃO:
A literatura relata as relações do sono com a aprendizagem, atenção e memória, porém poucos trabalhos avaliam o grau de informação dos pais quanto às conseqüências dos distúrbios do sono para a aprendizagem.
CONCLUSÃO: A utilização do QRL para pesquisas sobre o sono pode facilitar o diagnóstico e possibilitar tratamentos eficazes, especialmente quando a grande maioria dos pais e pessoal envolvido na escola, ainda desconhece a relação entre problemas no sono e transtornos na aprendizagem.

Artigo de Revisão

14 - Resiliencia

Resiliency

Ana María Rodríguez Piaggio

Rev. Psicopedagogia 2009;26(80):291-302

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La resiliencia es un concepto nuevo, difundido en los últimos años, y muy atractivo para los que trabajamos con niños y jóvenes. Abre nuevas posibilidades, da una nueva mirada, más esperanzadora, para viejos problemas de nuestros educandos. Todos los profesionales tanto de la salud como de la educación conocemos niños o adolescentes que viven situaciones de tragedia que parecen difíciles o imposibles de superar. Sin embargo, la realidad nos muestra que habiendo superado, logran una vida adulta equilibrada, creativa y hasta optimista, a pesar de todo. Este modelo, tal vez opuesto al modelo de riesgo, o complementario de este, nos describe la existencia de verdaderos escudos protectores o factores de resiliencia que actúan atenuando los efectos de la adversidad y transformándolos en factores de superación.

15 - Modalidade de aprendizagem: uma contribuição para a ampliação do conceito

Modality of learning: a contribution to the enlargement of the concept

Regina Orgler Sordi

Rev. Psicopedagogia 2009;26(80):303-312

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O conceito de modalidades de aprendizagem é uma das pedras angulares da teoria psicopedagógica clínica por permitir descrever e compreender a forma pessoal com que cada sujeito acerca-se e relaciona-se ao objeto de conhecimento. Este artigo pretende, à luz das contribuições seminais de Sara Paín e Alicia Fernández, bem como, contribuições de autores da filosofia e psicanálise que têm se dedicado ao estudo do pensamento em sua potência estética, ampliar o conceito de modalidades de aprendizagem. Introduz o conceito de recepção, relacionado à dimensão estética do pensamento, o qual, associado aos mecanismos assimilativo e acomodativo, formam uma tríade capaz de incluir, para além dos aspectos recognitivos da aprendizagem, sua dimensão inventiva e problematizadora.

16 - Intervenção psicopedagógica nas empresas: a relevância da construção de métodos profiláticos e assertivos que visem à erradicação do fenômeno assédio moral

The Psychopedagogy intervention at corporation: the importance about building cognitive instruments to face any kind of "bullying"

Márcia Oliveira de Carvalho

Rev. Psicopedagogia 2009;26(80):313-324

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O presente artigo científico situa a Psicopedagogia Institucional como disciplina capaz de atuar no redimensionamento psicológico dos espaços corporativos vitimados pelo fenômeno do assédio moral. Apresenta, em seu argumento, os desafios enfrentados pelos setores de recursos humanos, em função da complexidade do objeto, e defende a criação de políticas afirmativas que utilizem, prioritariamente, metodologias comprometidas com a dinâmica do "ensino/aprendizagem". Destina-se, enfim, a fomentar a construção de instrumentos de intervenção educativos, visando minorar os danos no ambiente das relações entre empregados e empregadores.

Artigo Especial

17 - Psicopedagogia em grupo, no grupo e com o grupo: para além da patologização

Psychopedagogy in-group, in-the-group and with-the-group - going beyond patholization

Laura Monte Serrat Barbosa

Rev. Psicopedagogia 2009;26(80):325-336

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Com o intuito de superar a "Sovivência" instalada no mundo, é preciso promover a "Convivência", semeando "grupalidade" por onde caminhamos. O espírito do grupo visa transcender a dimensão individual, oportunizar a percepção e a vivência de todos como parte de um todo, como representantes desse todo e, ao mesmo tempo, como sujeitos. Quando pessoas agrupam-se, não se caracterizam como um grupo apenas por esse fato. Agrupar-se é o primeiro passo; porém, para chegar-se à vida grupal, o caminho é longo; é necessário fazer articulações para que as características pessoais possam, como a exemplo de uma orquestra, harmonizar-se para realizar a tarefa que é grupal. Numa Psicopedagogia em grupo, no grupo e com o grupo, objetiva-se proporcionar aos aprendizes aprender a pensar, a tecer juntos o conhecimento, ampliando a aprendizagem para além da dimensão individual. Aprender em grupo supõe troca de experiências, de idéias, de sentimentos e, sobretudo, mudanças internas e externas, pessoais e conjuntas; aprender no grupo supõe aprender a vincular-se, passando pelos momentos de confusão, de dissociação e de integração, ou seja, aprender no grupo o que é grupo e o que se faz em grupo; aprender com o grupo leva-nos a aprendizagens de novos conhecimentos e de novas formas de abordar a tarefa, subjetiva e objetiva, que passam a fazer parte de nós. Nesse artigo, mostra-se a aventura de viver o grupo, coordená-lo, observá-lo e provocá-lo para que possamos aprender a conviver e a construir conhecimentos em conjunto.