VOLUME 27 - EDIÇÃO 84 Set/ Dez - 2010

Editorial
Artigo Original

2 - Conhecimento de letras, sílabas e palavras por escolares de 1º e 2º anos do ensino fundamental

Knowledge of letters, syllables and words by students 1st and 2nd grades of basic education

Mayara Pessoa de Moraes; Simone Aparecida Capellini

Rev. Psicopedagogia 2010;27(84):325-333

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OBJETIVO: Verificar e comparar o desempenho de escolares de 1º e 2º anos do ensino fundamental sobre conhecimento de letras, sílabas e palavras em três momentos de avaliação.
MÉTODO: Participaram deste estudo 19 escolares de ensino público municipal do 1º e 2º ano do ensino fundamental do município de Marília-SP, de ambos os gêneros, na faixa etária de 6 a 7 anos e 11 meses de idade. Os escolares foram distribuídos em GI: composto por 9 escolares do 1º ano do ensino fundamental e GII: composto por 10 escolares do 2º ano do ensino fundamental. Os dois grupos foram submetidos à aplicação da adaptação brasileira do Protocolo de identificação e detecção precoce de dislexia. Este protocolo foi composto por duas partes denominadas nível de leitura e identificação de erros específicos. Os resultados foram analisados estatisticamente, visando à comparação de desempenho dos grupos nos três momentos de avaliação.
RESULTADOS: Os resultados revelaram diferenças estatisticamente significantes, evidenciando que o desempenho dos dois grupos foi superior quando comparado o primeiro com o terceiro momento de avaliação.
CONCLUSÃO: Os resultados deste estudo permitiram concluir que, ao longo do ano escolar, os escolares do GI e os escolares do GII adquiriram a capacidade de conhecimento e reconhecimento de letras, sílabas e palavras, além da capacidade de identificar e reconhecer erros de inversão, demonstrando que os escolares sem dificuldades de aprendizagem se apropriam do princípio alfabético do sistema de escrita do português brasileiro sendo expostos a tarefas de leitura e escrita em contexto de sala de aula.

3 - Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH): o que os educadores sabem?

Attention-deficit hyperactivity disorder (ADHD): what teachers know?

Marília Piazzi Seno

Rev. Psicopedagogia 2010;27(84):334-343

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INTRODUÇÃO: O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é considerado pelos educadores um fator preocupante, principalmente na fase escolar. Caracterizado pelos sintomas de desatenção, impulsividade e hiperatividade, afeta de 3 a 5% das crianças. É um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Apesar de não existir cura, sua manifestação tende a diminuir com a idade e com o uso de medicação. Quando a criança inicia seu contato com a leitura e escrita, é necessário que mantenha sua atenção e concentração sustentados, a fim de que os objetivos pedagógicos possam ser alcançados.
OBJETIVO: Este trabalho teve como principal objetivo pesquisar o conhecimento de 52 educadores da Rede Municipal de Ensino de um município do interior de São Paulo/SP sobre o TDAH.
MÉTODO: Foi aplicado um questionário, cujas perguntas foram elaboradas considerando-se a importância desse conhecimento para atuação profissional dos educadores.
CONCLUSÃO: Concluímos que, apesar do professor não ter conhecimento teórico suficiente para discorrer com propriedade sobre o TDAH, sua prática escolar lhe permite observar, analisar, levantar hipóteses e adaptar sua metodologia independente do que o sistema lhe oferece; possibilitando que esse aluno tenha suas diferenças respeitadas e seja realmente incluído na sala de aula regular.

4 - Parceria no contexto escolar: uma experiência de ensino colaborativo para educação inclusiva

Partnership in the school environment: a collaborative teaching experience for inclusive education

Andréa Carla Machado; Maria Amélia Almeida

Rev. Psicopedagogia 2010;27(84):344-351

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OBJETIVO: Avaliar os efeitos de uma prática de leitura pautada no ensino colaborativo em alunos de uma sala regular.
MÉTODO: Participaram do estudo 22 alunos do 4º ano do ensino regular, dos quais um deles apresentava necessidades educacionais especiais. Por meio da abordagem descritiva observacional, os resultados obtidos neste estudo foram coletados durante o processo na sala de aula.
RESULTADOS: Verificou-se que a estratégia escolhida para a intervenção da professora - roda da leitura - foi relevante, por possibilitar exposições linguísticas e o desenvolvimento da esfera cognitiva, tanto do aluno com necessidade especial, bem como para todos os demais alunos.

Artigo de Pesquisa

5 - A vivência de professores sobre o processo de inclusão: um estudo da perspectiva da Psicologia Histórico-Cultural

The experience of teacher about the process of inclusion: a study of perspective of Historical-Cultural Psychology

Eveline Tonelotto Barbosa; Vera Lucia Trevisan de Souza

Rev. Psicopedagogia 2010;27(84):352-362

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OBJETIVOS: Analisar a percepção e as vivências de professores sobre seu papel na inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais. Outro aspecto que se pretendeu investigar diz respeito aos sentimentos vividos por professores e alunos com necessidades educacionais especiais que, muitas vezes, resultam em insucesso: identidades em crise; sofrimento gerado pela vergonha e/ou culpa, pelo sentimento de incompetência; etc. Para isso, recorremos à Psicologia Histórico-Cultural, utilizando os pressupostos de seu principal representante, Vygotsky, além de autores como Rey, Souza, entre outros, que partem dessa mesma base.
MÉTODO: Nossa investigação tem se dado com professores de uma escola pública do município de Campinas-SP, em que foram realizadas entrevistas semi-estruturadas e observações em vários espaços da escola.
RESULTADOS E CONCLUSÃO: Os resultados indicaram que os professores possuem percepções que se contrapõem aos pressupostos da educação inclusiva, como uma visão do aluno com necessidades especiais como incapaz, que necessita de tratamento médico por meio de remédios, colocando no aluno a origem e a solução dos problemas que vivem em sala de aula. Além disso, percebemos que os professores também são afetados com essa questão, pois o fato de não saberem como trabalhar com o aluno provoca mal-estares que os levam a buscar fora de sua sala de aula e de sua prática docente as causas para o insucesso que vivenciam.

6 - Produção textual: quando a linguagem escrita se torna objeto escolar

Literal production: when the written language becomes school object

Denise Miyabe da Silva

Rev. Psicopedagogia 2010;27(84):363-371

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INTRODUÇÃO: O presente trabalho analisa, por meio de pesquisa longitudinal, a produção textual de crianças da 4ª série do ensino fundamental de uma escola pública do município de Rolândia/PR.
OBJETIVO: O objetivo do trabalho foi avaliar a aprendizagem da linguagem escrita na escola e refletir sobre o papel do professor mediador nesse processo.
MÉTODO: Para tanto, foram analisados os primeiros textos do ano letivo que faziam parte de uma avaliação solicitada aos professores pela Secretaria Municipal de Educação com a finalidade de verificar o nível de escrita dos alunos. A análise dos textos prosseguiu durante os meses de abril, maio e junho, a fim de verificar se houve mudanças na escrita das crianças através da mediação do professor.
CONCLUSÃO: A pesquisa permitiu concluir que quase não há mediação do professor no trabalho de escrita dos textos em sala de aula. Para que haja melhora qualitativa na produção textual, é necessária uma mudança na concepção de ensino da linguagem escrita.

Artigo Especial

7 - Psicopedagogia no cotidiano escolar: impasses e descobertas com o ensino de nove anos

Psychoeducation in everyday school dilemmas and discoveries: with teaching nine years

Fabiani Ortiz Portella; Neusa Kern Hickel

Rev. Psicopedagogia 2010;27(84):372-384

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A Ampliação do Ensino Fundamental para nove anos vem provocando discussões e impasses, apesar de ser uma prática corrente em uma parcela das escolas privadas do país. A recomendação atual é a não antecipação de conteúdos e sim uma readequação das condições estruturais e pedagógicas, para que, efetivamente, possa ocorrer qualificação no ensino fundamental. No ensejo de contribuir para a reflexão sobre o tema, articulamos três movimentos: buscar depoimentos de profissionais inseridos no cotidiano escolar privado e público; organizar interlocuções teóricas situando o pensamento e a ação da Psicopedagogia em suas interfaces com Educação, Pedagogia e História Social, para assim problematizar o lugar da infância em nossa sociedade atual e, desse modo, compreender, psicopedagogicamente, as relações de aprendizagem que se apresentam nesta nova configuração escolar. O terceiro movimento articula os depoimentos e as interlocuções, objetivando compreender como se trama no cotidiano escolar a temática abordada.

Artigo de Revisão

8 - O falante inocente: linguagem pragmática e habilidades sociais no autismo de alto desempenho

The innocent speaker: pragmatic language in high functioning autism

Renata Mousinho

Rev. Psicopedagogia 2010;27(84):385-394

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INTRODUÇÃO: Existe uma relação estreita entre as habilidades sociais e a linguagem pragmática.
OBJETIVO: Tendo em vista que a "inocência" apresentada por indivíduos com Autismo de Alto Desempenho (AAD), que apresenta correlação direta com prejuízos nas habilidades sociais, este artigo tem como objetivo definir quais aspectos da linguagem contribuem para isso.
MÉTODO: Para tal, lança mão da Teoria Cognitiva da linguagem, uma vez que preconiza uma ponte entre aspectos linguísticos, cognitivos e sociais. O paralelo entre o Falante Inocente de Fillmore (1979) e dados de pesquisas anteriores (Mousinho, 2003; 2010) e testemunhos extraídos de autobiografias de indivíduos com AAD (Grandin & Scariano, 1986; Williams, 1992) foi a articulação escolhida para o objetivo traçado.

9 - Mind map como instrumento psicopedagógico de mediação para o desenvolvimento das funções psicológicas superiores

Mind map as mediation strategy for the development of higher psychological functions

Lucy Duró Matos

Rev. Psicopedagogia 2010;27(84):395-404

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INTRODUÇÃO: A sociedade contemporânea passa por um momento sem precedentes na história da humanidade, principalmente, no que tange a produção de conhecimento, que se traduz numa dinâmica de múltiplas relações. Contudo, a educação, mais precisamente o processo ensino-aprendizagem quase não avançou. Dentre outros problemas, o abuso da medicalização e a falta de recursos didático-pedagógicos têm sido freqüentes no meio educacional. Diante desse cenário é necessário investigar novas possibilidades de intervenção à prática didático-pedagógica tendo como objetivo instrumentalizar os educadores com recursos capazes de dar suporte à formação integral do indivíduo, garantindo o desenvolvimento de sua autonomia.
OBJETIVO: O objetivo do presente estudo foi investigar o "Mind Map" como atividade de mediação para auxiliar a prática psicopedagógica. Método: A metodologia adotada foi uma pesquisa descritiva com revisão bibliográfica baseada em autores que escreveram sobre a temática explorada.
RESULTADOS: Os resultados obtidos mostraram que o Mind Map pode ser usado como atividade mediadora voltada a desenvolver as funções psicológicas superiores já que possibilita ao indivíduo focar a sua atenção; organizar conceitos por categoria; desenvolver o raciocínio indutivo e dedutivo; desenvolver a memória voluntária; relacionar conceitos; ampliar a percepção e a capacidade de reflexão.
CONCLUSÃO: Os resultados mostraram a eficiência da estratégia pesquisada no desenvolvimento das funções psicológicas superiores.

10 - Formação de professores e inclusão escolar de pessoas com deficiência: análise de resumos de artigos na base SciELO

Teacher education and school inclusion of deficient people: analysis of SciELO articles' abstracts

Marcos Vinícius de Araújo; Robson Jesus Rusche; Rinaldo Molina; Luiz Renato Rodrigues Carreiro

Rev. Psicopedagogia 2010;27(84):405-416

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OBJETIVO: Apresentar uma revisão bibliográfica de artigos que tratam da formação de professores para a inclusão escolar da pessoa com deficiência, tendo como base os resumos de artigos publicados na SciELO até o primeiro semestre de 2010.
MÉTODO: Foram utilizados descritores a partir da combinação de três palavras-chave e seus derivados: professores, inclusão escolar e formação e analisou-se: instituição dos autores, revistas que publicaram os artigos, ano de publicação, palavras-chave, temática ou problemática, objetivos, tipo de deficiência, referenciais teóricos, instrumentos, sujeitos, resultados e conclusões.
RESULTADOS: Com relação à formação dos profissionais da Educação, ainda parece prevalecer uma valorização da formação continuada, embora a preocupação com a formação inicial já esteja presente. A análise dos resumos aponta para a presença de ações formativas baseadas em processos de desenvolvimento e aprendizagem da docência, no entanto, a racionalidade técnica ainda se faz presente. Quanto ao processo de formação dos professores sobre a inserção dos deficientes no ambiente escolar, a discussão se mantém de forma generalista. Como continuidade dessa pesquisa os textos serão analisados na íntegra. Tal análise possibilitará compreender a relação entre a produção científica acadêmica e os documentos das diretrizes de políticas públicas de inclusão, além da relação entre o currículo e a organização dos espaços e tempos escolares.

11 - Atuação psicopedagógica no contexto escolar: manipulação, não; contribuição, sim

Educational psychology practice in the school framework: not to manipulation, yes to contribution

Idalina Amélia Mota Pontes

Rev. Psicopedagogia 2010;27(84):417-427

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No complexo processo que envolve a aprendizagem, revela-se significante a atuação preventiva do psicopedagogo no contexto escolar, onde muitas informações e vários aspectos têm que ser observados e analisados. Ter conhecimento de como o aluno constrói o seu saber, compreender as dimensões das relações com a escola, com os professores, com o conteúdo e relacioná-los aos aspectos afetivos e cognitivos, permite um fazer mais fidedigno ao psicopedagogo. Deve-se considerar que o desenvolvimento do aprendente se dá de forma harmoniosa e equilibrada nas diferentes condições orgânica, emocional, cognitiva e social.

Resenha