VOLUME 29 - EDIÇÃO 90 Set/ Dez - 2012

Editorial
Artigo Original

2 - Avaliação de crianças pré-escolares: relação entre testes de funções executivas e indicadores de desatenção e hiperatividade

Avaliação de crianças pré-escolares: relação entre testes de funções executivas e indicadores de desatenção e hiperatividade

Ana Paula Prust Pereira; Camila Barbosa Riccardi León; Natália Martins Dias; Alessandra Gotuzo Seabra

Rev. Psicopedagogia 2012;29(90):279-289

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Funções executivas (FE) referem-se às habilidades necessárias para planejar, iniciar, realizar e monitorar comportamentos intencionais. Incluem inibição, memória de trabalho, flexibilidade cognitiva, atenção seletiva, planejamento e organização e, de forma geral, são habilidades fundamentais à aprendizagem e ao comportamento autorregulado. As FE podem estar comprometidas em alguns distúrbios do desenvolvimento, como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Perante esse panorama e pautando-se na crescente ênfase da literatura sobre a importância da avaliação precoce, esta pesquisa investigou as relações entre desempenho em testes de funções executivas e indicadores de desatenção e hiperatividade em crianças pré-escolares de amostra não-clínica. Participaram 85 crianças de uma escola municipal de Educação Infantil da Grande SP, com idades entre quatro e seis anos, avaliadas no Teste de Trilhas para pré-escolares (TT-PE) e no Teste de Atenção por Cancelamento (TAC). Pais e professores responderam à SNAP-IV. As crianças com maiores índices de desatenção e hiperatividade, conforme relato dos pais, tenderam a apresentar piores desempenhos no TAC e aquelas com maiores índices de desatenção e hiperatividade, conforme relato dos professores, tenderam a apresentar piores desempenhos em diversas medidas do TAC e TT-PE. As relações entre desempenho nos testes e indicadores desatenção e hiperatividade tenderam a ser mais consistentes quando consideradas as respostas dos professores do que as dos pais. O estudo evidenciou que as relações entre desempenho em testes de FE e indicadores de desatenção e hiperatividade podem ser observadas desde idades precoces, em amostras não-clínicas, contribuindo para a discussão sobre avaliação e identificação precoce.

3 - Protocolo psicopedagógico de avaliação interdisciplinar de crianças com lesão cerebral

Psychopedagogic protocol assessment interdisciplinary of children with brain injury

Renata Trefiglio Mendes Gomes; Claudia Berlim de Mello; Thiago da Silva Gusmão Cardoso; Silvia Cristina de Freitas Feldberg; Mauro Muszkat; Orlando Francisco Amodeo Bueno

Rev. Psicopedagogia 2012;29(90):290-300

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O objetivo deste trabalho foi descrever os procedimentos de atendimento no Ambulatório de Neuroplasticidade do Núcleo de Atendimento Neuropsicológico Infantil Interdisciplinar (NANI), com foco no detalhamento do protocolo psicopedagógico de avaliação. Para isso, foi realizada descrição dos procedimentos de atendimento, do protocolo psicopedagógico de avaliação e o perfil dos usuários atendidos no ano de 2011, a fim de explicitar como se deu a atuação psicopedagógica nesse contexto. Os indivíduos foram submetidos a anamnese, avaliação neuropsicológica, avaliação terapêutica-ocupacional, exame neurológico e avaliação psicopedagógica. Os resultados da avaliação psicopedagógica foram: 25% realizavam leitura ortográfica, 25% leitura alfabética e 50% leitura logográfica. O nível de escrita na qual se encontravam foi: 63% no nível alfabético e 37% no nível pré-silábico. No domínio matemático, 63% tinham consolidado o sistema de numeração decimal e realizavam operações aritméticas de adição e subtração, enquanto que os outros 37% não dominavam ainda esse conceito. O protocolo mostrou-se sensível e eficaz na avaliação de sujeitos com lesão cerebral, uma vez que propõe a avaliação de questões relacionadas a linguagem, escrita, leitura, matemática e aspectos comportamentais.

4 - Inclusão: um enfoque piagetiano sobre as relações de amizade no contexto escolar

Inclusion: a piagetian approach about friendship in the school context

Lorena Santos Ricardo; Claudia Broetto Rossetti

Rev. Psicopedagogia 2012;29(90):301-312

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Objetivou-se investigar se há diferença no conceito de amizade, no respeito às diferenças e nos relacionamentos entre pares no contexto escolar, entre 17 crianças que estudam com um autista em classe inclusiva (CI) e 17 que estudam em classe não-inclusiva (CNI), todas com idade entre 7-8 anos. Para a coleta de dados foram criados catorze cartões com desenhos de crianças em diversas situações, para que cada participante indicasse se aquelas crianças poderiam ou não ser amigas. Também foi utilizado um roteiro de entrevista baseado no método clínico Piagetiano. A maioria dos participantes define "amizade" e percebe o diferente de forma semelhante, embora os alunos da CI pareçam mais dispostos a respeitar e se relacionar com estes. Os dados apontam para a necessidade de incentivo à amizade e ao respeito às diferenças no contexto escolar, uma vez que isso contribui para o desenvolvimento social das crianças.

5 - Estudo comparativo sobre a formação em psicopedagogia em três países: Argentina, Brasil e Espanha

Comparative study on the formation in Psychopedagogy in three countries: Brazil, Argentine and Spain

Jane Nogueira dos Santos; Magali Marques Macêdo Martins; Maria do Carmo dos Santos Motta; Rosa Maria Maia de Oliveira; Márcia Siqueira de Andrade

Rev. Psicopedagogia 2012;29(90):313-319

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OBJETIVO: Apresentar estudo comparativo sobre a formação em Psicopedagogia em três países: Brasil, Argentina e Espanha.
MÉTODO: Análise de amostra composta por 12 cursos de graduação em Psicopedagogia, quatro cursos de cada um dos três países. Os critérios utilizados para a comparação foram: perfil profissional, duração do curso e análise das grades curriculares. As disciplinas que compunham as grades curriculares foram divididas por subáreas do conhecimento: educação, saúde, social, psicologia e psicopedagogia.
RESULTADOS: Os resultados indicam que, mesmo havendo variação na ênfase das disciplinas que compõem a grade curricular, a formação oferecida é semelhante entre os países analisados.
CONCLUSÃO: A formação do psicopedagogo nesses países busca garantir um corpo de conhecimento que garanta uma atuação seja na área da saúde mental, seja na área escolar.

6 - A produção subjetiva da violência nas escolas: indicador de sentido para avaliação e desenvolvimento de política educacional

The subjective production of school violence: direction indicator for evaluation and development of educational policy

Vannúzia Leal Andrade Peres; Luiz Roberto Rodrigues Martins

Rev. Psicopedagogia 2012;29(90):320-329

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Os autores fazem uma reflexão sobre a produção subjetiva da violência nas escolas, sabidamente envolvida, de forma recursiva e contraditória, com a subjetividade social. Orientados pela Epistemologia Qualitativa analisam informações construídas no estágio básico de alunos de psicologia escolar da Pontifícia Universidade Católica de Goiás e, como resultado, apresentam o indicador de que as políticas públicas, para serem efetivas, precisam responder às necessidades singulares da escola e serem inseridas em uma ética da responsabilidade, isto é, provocarem o respeito às diferenças e a participação ativa dos sujeitos nos seus processos de aprendizagem e de desenvolvimento.

Relato de Experiência

7 - Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade na escola: mediação psicopedagógica

Attention deficit/hyperactivity disorder at school: mediation psychopedagogical

Maria Fernanda Batista Coelho da Fonseca; Mauro Muszkat; Sueli Rizutti

Rev. Psicopedagogia 2012;29(90):330-339

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O estudo apresenta um caso de mediação psicopedagógica para diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), tratamento, orientação na escola, família, e com a criança. A criança foi encaminhada pela psicopedagoga para avaliação interdisciplinar dos aspectos psicopedagógicos, neuropsicológico, neuropediátrico, psiquiátrico e familiar. A queixa da escola e da mãe era de que a criança estava agressiva, opositora, recusava-se a fazer as atividades, provocava confusões em casa e na sala de aula, era desorganizada, sem cuidado com seus pertences pessoais, não conseguia manter amizades e não demonstrava interesse pelas lições. Foi tratada com medicação metilfenidato, com melhora imediata da impulsividade e desatenção. Foram aplicados testes neuropsicológicos, psicopedagógicos, escalas de comportamento, antes e após o tratamento medicamentoso. Após o tratamento e as intervenções, foi verificada grande melhora no comportamento, na aprendizagem e nas relações pessoais. Os resultados nos testes foram para melhor; em relação à aprendizagem, foi possível verificar uma dificuldade fonológica do processo de alfabetização, que antes não foi constatado devido a sua recusa. A psicopedagoga fez orientação na escola e soube na ocasião que a criança frequentava o reforço escolar na escola, com conteúdo mais relacionado à matéria atual, assim foi realizada orientação para que fosse trabalhado o processo de alfabetização com ênfase nos aspectos fonológicos devido às dificuldades apresentadas na escrita e na leitura. A relação Saúde e Educação trouxe perspectivas e intervenções importantes na vida escolar, demonstrando que é possível mudar o comportamento e a qualidade da aprendizagem de crianças com diagnóstico de TDAH.

Artigo Especial

8 - Dinâmicas, jogos e vivências: ferramentas úteis na (re)construção psicopedagógica do ambiente educacional

Dynamics, games and experiences: useful tools in psychopedagogical (re) construction of educational environment

Sandra Coelho Barreto Silva; Mônica Hoehne Mendes

Rev. Psicopedagogia 2012;29(90):340-355

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Este artigo se predispôs a apontar a relevância dos jogos, dinâmicas e vivências, geralmente utilizados pela área de recursos humanos, como ferramentas adaptáveis ao campo da educação e úteis na intervenção psicopedagógica institucional. Além disso, foram abordados a importância do bom ambiente de trabalho e o papel do psicopedagogo institucional na gestão de conflitos. A realização do trabalho deu-se por meio de um levantamento bibliográfico referente a alguns conceitos relacionados à área de recursos humanos que poderiam servir de auxílio ao trabalho do psicopedagogo institucional, como diversidade das pessoas, motivação e conflitos. Autores como Gramigna, Chiavenato e Robbins serviram como base para o referencial teórico deste estudo, possibilitando um enriquecimento de informações para a área psicopedagógica. Com fundamento nos conceitos analisados optou-se pela linha de trabalho que trata das técnicas vivenciais como uma abordagem mais satisfatória de intervenção, visando aproveitar o lado positivo das situações de conflito e alcançar as mudanças desejadas. Após a realização do levantamento chegou-se à conclusão que, tanto as dinâmicas, como os jogos e as vivências, quando bem elaborados e aplicados, são atividades que propiciam resgate do lúdico e que, portanto, permitem maior espontaneidade, resultando em maior envolvimento com os objetivos propostos.

9 - O psicopedagogo nas organizações: a aprendizagem como estratégia competitiva

The psychopedagogists inside the enterprises: learning as a competitive strategy

Vanusa dos Reis Coêlho Rodrigues

Rev. Psicopedagogia 2012;29(90):356-362

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Mudanças importantes ocorrem no mundo dos negócios continuamente. Gestores e colaboradores devem estar preparados para essas mudanças, aprimorando, cada vez mais, seus conhecimentos, habilidades e competências, para atuar em um ambiente de negócios diferente e complexo. Dentro desse contexto, a aprendizagem torna-se uma grande vantagem competitiva para a corporação que pretende potencializar os pontos fortes e as oportunidades, neutralizando suas ameaças e pontos fracos. A aquisição de conhecimento está visivelmente atrelada ao processo de aprendizagem e é muito mais do que a simples acumulação de dados e informações. Ponderar a relação entre conhecimento e aprendizagem é também enfatizar os diversos tipos de conhecimento necessários em situações de trabalho, bem como a variedade de modos e níveis de aprendizagem. Portanto, o processo de aprendizagem deixou de ser uma preocupação exclusiva do âmbito acadêmico e passou a ser uma preocupação das empresas mais competitivas. Desse modo, este estudo tem o objetivo de refletir sobre a aprendizagem como estratégia competitiva, assim como, a posição do psicopedagogo dentro desse contexto.