VOLUME 32 - EDIÇÃO 97 Jan/ Abr - 2015

Editorial
Artigo Original

2 - Avaliação da evolução do perfil motor de pré-escolares com necessidades educativas especiais após intervenção psicomotora breve

Motor profile developments in pre-school children with special educational needs after brief psychomotor intervention

Giuseppina Antonia Sandroni; Sylvia Maria Ciasca; Sônia das Dores Rodrigues

Rev. Psicopedagogia 2015;32(97):4-13

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O objetivo desse estudo foi avaliar e comparar o perfil psicomotor de crianças do ensino infantil (EI) com necessidades educativas especiais (NEE), antes e após intervenção psicomotora breve. Participaram do estudo 5 crianças do nível II, participantes de uma Sala de Recursos Multifuncional de Escola Publica. Duas crianças tinham transtorno do espectro do autismo (TEA), duas não tinham diagnóstico definido e uma tinha deficiência intelectual. Para avaliação foram utilizados: 1) Inventário Portage Operacionalizado, para obtenção de dados relativos a socialização, cognição, linguagem e autocuidados; 2) Escala de Desenvolvimento Motor, para avaliação do perfil psicomotor. Em seguida, foi elaborado um programa de intervenção psicomotora individual, com duas sessões/semana, totalizando 24 sessões, com a finalidade de estimular as funções psicomotoras defasadas. Finalizado o programa interventivo, as crianças foram reavaliadas com os mesmos instrumentos mencionados. Os dados obtidos foram analisados de forma qualitativa e quantitativa (Programa SAS System for Windows, versão 16.0). Todas as crianças apresentaram perfil motor inferior à idade cronológica no momento da avaliação inicial, bem como nos aspectos relativos à cognição, linguagem e autocuidados; defasagem em socialização também foi observado nas duas crianças com TEA. Após o processo interventivo, não foi observada diferença estatisticamente significativa entre os dados obtidos antes e após a intervenção. Entretanto, qualitativamente constatou-se evolução de 4 crianças em todos os aspectos analisados. Considera-se, então, que a abordagem psicomotora rotineira junto a crianças do ensino infantil, com NEE pode maximizar o desempenho global da criança e, como consequência, o seu aprendizado.

3 - Programa de estimulação cognitiva "Ativamente" para o Ensino Infantil

Ativamente: a cognitive stimulation program for preschool children

Jucelia Santos Ganz; Luce Malba Campos; Patricia Botelho da Silva; Tatiana Pontrelli Mecca; Roselaine Pontes de Almeida; Camila Rennhard Bandeira de Melo; Maria Marta de Sousa Correa; Marialda Carvalho Furtado Mendes; Elizeu Coutinho de Macedo

Rev. Psicopedagogia 2015;32(97):14-25

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Intervenções no contexto educacional com crianças préescolares são de suma importância para o desenvolvimento de habilidades cognitivas necessárias à aprendizagem. O presente estudo teve por objetivo investigar o efeito do programa de estimulação cognitiva "Ativamente" em crianças pré-escolares de São Luís/MA. Participaram do estudo 20 crianças entre 3 e 6 anos de idade. Foram avaliadas inteligência, atenção, memória e linguagem, antes e após intervenção realizada, durante um período de 4 meses. Os resultados demonstraram que houve aumento significativo no desempenho nos testes de inteligência, atenção, fonoarticulatório, nomeação de letras e leitura por soletração. Da mesma forma, houve diminuição significativa no tempo de nomeação de cores e objetos, indicando aumento na velocidade da nomeação automática rápida. Os resultados demonstram a importância da estimulação precoce para o desenvolvimento de habilidades cognitivas que são preditoras de desempenho acadêmico.

4 - Dificuldade de aprendizagem no Ensino Fundamental e Médio: a percepção de professores de sete escolas públicas de São Paulo - SP

Learning disabilities in elementary and secondary school:perception of seven public school teachers of São Paulo-SP

Francisco Frederico Neto; Andréa Cristina Cardoso; Harumi Nemoto Kaihami; Kátia Osternack; Andreia de Fátima Nascimento; Carolina Luísa Alves Barbieri; Marina Emiko Ivamoto Petlik

Rev. Psicopedagogia 2015;32(97):26-37

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INTRODUÇÃO: Atualmente, assiste-se ao aumento de crianças com queixa de dificuldades de aprendizagem encaminhadas a profissionais da saúde.
OBJETIVO: Este estudo visou compreender a percepção de professores de escolas públicas sobre as dificuldades de aprendizagem em seus alunos.
MÉTODO: Estudo descritivo, realizado em sete escolas públicas na região central de São Paulo-SP, no ano de 2011. Professores de todos os anos do Ensino Fundamental e Médio foram convidados a participar, respondendo a um questionário fechado autoaplicado. Para a análise dos dados foi usado o teste de qui-quadrado e admitido nível de significância de 5%.
RESULTADOS: Participaram do estudo 104 professores. A maioria percebeu ser muito frequente a dificuldade de aprendizagem (60,8%). Os tipos de dificuldades percebidos como mais frequentes foram escrita, leitura, desatenção e alterações de comportamento, porém, foram as de ordem comportamental as mais "difíceis de lidar". Os participantes destacaram o desinteresse dos pais e a dificuldade em dar atenção individualizada ao aluno como importantes fatores associados às dificuldades de aprendizagem. Os profissionais da área da saúde que os professores julgaram ser mais necessários para a avaliação das crianças com dificuldades de aprendizagem foram o psicólogo (66,7%), seguido pelo fonoaudiólogo e psicopedagogo.
CONCLUSÕES: Os professores participantes conceberam a dificuldade de aprendizagem como algo muito frequente na sua prática cotidiana e referiram dificuldades no seu enfrentamento. Estudos como este podem contribuir para uma reflexão mais ampla acerca do tema e para o reconhecimento e valorização dessa queixa no âmbito escolar, melhorando o diálogo entre os diferentes atores envolvidos com o desenvolvimento infantil.

5 - Uma experiência fílmica na escola

A filmic experience at school

Mariana Pereira dos Reis; Leda Maria Codeço Barone

Rev. Psicopedagogia 2015;32(97):38-48

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O presente trabalho foi elaborado a partir da dissertação "O garoto", de Charlie Chaplin: desvendando o apelo de uma obra de arte em sala de aula, de 2014, realizada no curso de Pós-graduação em Psicologia Educacional, do Centro Universitário FIEO, Osasco/SP, e teve por objetivo apresentar e discutir os apelos emocionais e psíquicos da experiência com o referido filme, projetado a alunos do 2º ano de uma escola pública em São Paulo, bem como contribuir para as reflexões sobre a presença da arte, especialmente o cinema, em sala de aula, visto como instrumento humanizador e/ou terapêutico, de natureza estética, capaz de mobilizar na criança sua capacidade narrativa e a expressão de aspectos projetivos. Pode-se observar o imenso valor da experiência fílmica na escola, pois a mesma permitiu maior elaboração psíquica dos alunos, além de mobilizar muitos saberes existenciais.

6 - Protocolo Lince de investigação neurolinguística (PLIN): instrumento lúdico para conhecer habilidades de leitura e escrita

Neurolinguistics research protocol (PLIN): playful instrument for reading and writing skills

Renata Savastano Ribeiro Jardini; Lydia Savastano Ribeiro Ruiz; Walderlene Ramalho; Andrea Villela de Paula

Rev. Psicopedagogia 2015;32(97):49-60

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O Método das Boquinhas fonovisuoarticulatório foi desenvolvido pela primeira autora da pesquisa com o intuito de alfabetizar e reabilitar os distúrbios da leitura/escrita. O jogo Lince de Boquinhas foi idealizado para conhecer e treinar percepção visual, consciência fonológica, memória imediata, memória visual e auditiva, funções visuoespaciais, cognição e leitura/escrita, dentre outras. A partir das evidências observadas em mais de 10 anos de aplicação clínica desse jogo, foram tabuladas tendências de comportamentos apresentados por indivíduos sintomáticos dos transtornos dislexia, transtorno no déficit de atenção e hiperatividade e deficiência intelectual, em relação aos mesmos comportamentos em sujeitos assintomáticos. Essas evidências foram pareadas aos manuais de diagnóstico e fontes científicas que apresentam classificações categoriais desses transtornos. A partir dessa análise, foram elaboradas 26 questões, com 5 itens cada, que analisam quali e quantitativamente os comportamentos apresentados e refletem as respostas mais usuais apresentadas, para compor o Protocolo Lince de Investigação Neurolinguística (PLIN). As questões foram agrupadas em 5 blocos de habilidades: consciência fonológica (HCF); visuoespaciais (HVE); leitura e escrita (HLE); memória imediata (HMI) e cognição (HCO). A fase 1, de dimensionamento amostral, contou com 40 crianças do estado do Paraná, entre 5 e 12 anos de idade, divididas igualitariamente em 4 grupos, dos transtornos estudados e o grupo controle de assintomáticos. A fase 2, para elaboração de tabelas de tendências de comportamentos, contou com 296 crianças, do Distrito Federal. Os dados foram comparados a fim de verificar se existia diferença estatisticamente significativa entre os quatro grupos estudados, para a publicação do PLIN.

7 - Educação para a sexualidade e prevenção da violência sexual na infância: concepções de professoras

Education for sexuality and prevention of sexual violence in childhood: teacher's conceptions

Raquel Baptista Spaziani; Ana Cláudia Bortolozzi Maia

Rev. Psicopedagogia 2015;32(97):61-71

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OBJETIVO: O presente estudo teve como objetivo analisar a opinião de professoras sobre a educação para a sexualidade na infância, bem como sobre a prevenção da violência sexual infantil.
MÉTODO: Participaram 16 professoras da Educação Infantil de uma cidade do interior paulista. Para a coleta de dados foi utilizado um roteiro de entrevista semiestruturada elaborado pelas pesquisadoras sobre as formas de prevenção da violência sexual infantil na escola. Os relatos foram gravados em áudio e transcritos na íntegra para a análise de conteúdo.
RESULTADOS: Os resultados deste trabalho revelaram que algumas professoras demonstraram acreditar na prevenção da violência sexual infantil por meio do diálogo sobre o assunto com a criança, porém apenas uma delas relacionou a educação para a sexualidade com a prevenção da violência sexual infantil. Outras professoras relataram que a prevenção deve ser feita com a família, por meio de palestras na escola. Por fim, houve professoras que relataram não ter certeza sobre a possibilidade de prevenção dessa modalidade de violência. Sobre as concepções das professoras a respeito da educação para a sexualidade na Educação Infantil, muitas revelaram compreender esse trabalho como necessário, enquanto outras demonstraram acreditar que as crianças são pequenas demais para se abordar o assunto em sala de aula.
CONCLUSÕES: Faz-se necessária a inserção desses temas na formação inicial e continuada dos/as professores/ as, para que se reconheçam como protagonistas na prevenção da violência sexual infantil.

8 - Colaboração escolar na perspectiva da educação inclusiva americana

School collaboration in view of American inclusive education

Andréa Carla Machado; Cindy Vail; Maria Amelia Almeida

Rev. Psicopedagogia 2015;32(97):72-83

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A presente pesquisa objetivou observar, sistematicamente, intervenções realizadas pelos professores regular e especial em instituições escolares americanas. Participaram da pesquisa quinze professores de quatro escolas, uma rural e três urbanas na cidade de Athens, Estado da Georgia, nos Estados Unidos. Foram utilizados para coleta de dados quatro instrumentos que versaram sobre roteiros observacionais. Os dados foram analisados de acordo com critérios estabelecidos, descritos e postos em discussão. Os resultados foram consistentes para concluir que: as observações realizadas nas salas de aulas se mostraram importantes para verificar a forma de desenvolvimento da colaboração dos professores perante os alunos com necessidades especiais. Da mesma forma, os atendimentos especializados e os programas de avaliação e monitoramento desenvolvidos pelos professores em sala de aula forneceram subsídios para a construção de parâmetros consistentes de atendimentos, que poderão ser utilizados como recurso para montagem de programas de consultoria colaborativa em pesquisas futuras na realidade brasileira.

Artigo Especial

9 - Psicomotricidade no contexto da Neuroaprendizagem: contribuições à ação Psicopedagógica

Psychomotor in the context of Neurolearning: contributions to action Psychopedagogical

Sonia Moraes; Maria Fernanda de Matos Maluf

Rev. Psicopedagogia 2015;32(97):84-92

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Compreender como se desenvolve o processo de aprendizagem na criança é uma das melhores formas de contribuir para que ela se desenvolva sem tropeços e aproveitando ao máximo seu potencial cognitivo. Para atender a esse objetivo geral, diversas abordagens são possíveis, mas este trabalho buscou as contribuições de três áreas: Psicomotricidade, Psicopedagogia e Neuroaprendizagem. Para isto, realizou-se revisão bibliográfica que cobriu os seguintes recortes: Psicomotricidade e contribuições à aprendizagem; Psicopedagogia, definição de objeto e formas de atuação; Neuroaprendizagem, princípios e contribuições às práticas educativas. A revisão partiu de consulta à obra de autores consagrados nas áreas citadas e estendeu-se à produção científica dos últimos dez anos, buscando conquistas e possibilidades efetivas de ação interdisciplinar e transdisciplinar que favoreçam o desenvolvimento cognitivo e a boa evolução na aprendizagem escolar. Os artigos selecionados e analisados confirmam os benefícios do diagnóstico e intervenção precoces aos pacientes em situação de risco, ou que apresentem dificuldades ou transtornos de aprendizagem já instalados. A pesquisa revelou, ainda, a existência de lacunas graves na formação dos profissionais da Educação, o que, em combinação com dificuldades e carências das próprias crianças, explica o crescente índice de fracasso escolar no País. Também se constatou haver demanda por revisão do currículo em Pedagogia que permita o retorno da Psicomotricidade à grade, além de inclusão da Neuroaprendizagem como disciplina, não só nesse curso, como também em licenciaturas e especializações voltadas à Educação.

Artigo de Revisão

10 - Compreendendo o impacto do TDAH na dinâmica familiar e as possibilidades de intervenção

The impact of Attention Deficit Hyperactivity Disorder (ADHD) on family relationships

Edyleine Bellini Peroni Benczik; Erasmo Barbante Casella

Rev. Psicopedagogia 2015;32(97):93-103

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Este artigo visa a focar o poderoso efeito que o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade promove nas interações familiares, seja entre pais e filhos, na relação conjugal e na interação entre irmãos, afetando sobremaneira a dinâmica familiar. A revisão teórica foi fundamentada em pesquisas nacionais e internacionais, obtidas por meio do PubMed, SciELO e em livros sobre o tema. Os resultados obtidos demonstram urgência na elaboração de projetos de intervenção e de orientação junto aos pais, a fim de promover a saúde mental de todos os membros da família e do próprio portador, minimizando o impacto negativo e os prejuízos decorrentes.

11 - Neurociência e o déficit intelectual: aportes para a ação pedagógica

Neuroscience and intellectual deficit: contributions towards pedagogical action

Marlene Cabral de Souza; Claudia Gomes

Rev. Psicopedagogia 2015;32(97):104-114

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Considera-se que alunos com déficit intelectuais, dentre os quais destacamos alunos com síndrome de Down, necessitam de intervenções metodológicas que lhes oportunizem o acesso ao conhecimento na escola. Esses alunos em razão das limitações decorrentes de seu desenvolvimento intelectual e cognitivo apontam particularidades quanto à aprendizagem, as quais devem ser consideradas pelo professor. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho classificado como uma pesquisa bibliográfica, visa à compreensão das contribuições que a Neurociência possui para a aprendizagem desse público, em relação às dinâmicas e ações pedagógicas favorecedoras do acesso, permanência e desenvolvimento escolar como fundamentado pelos preceitos da educação inclusiva. As discussões visam avançar no debate da formação e atuação docente com base no reconhecimento das bases científicas cognitivas do aprendizado, e das facetas que compõem o cérebro e suas conexões, e como esses elementos favorecem não só a elaboração de estratégias que minimizem o impacto dos prejuízos decorrentes dos quadros de déficit intelectual, mas acima de tudo posicionem os docentes como agentes centrais no processo de mediação, ação esta que deve ser contemplada com base na compreensão das particularidades e potencialidades desses alunos, a luz dos avanços teóricos, científicos e procedimentais sob os preceitos da neurociência.