VOLUME 33 - EDIÇÃO 102 Set/ Dez - 2016

Editorial
Artigo Original

2 - Relação entre autoconceito e autocontrole comparados ao desempenho escolar de crianças do Ensino Fundamental

Relationship between self-concept and self-control compared to the academic performance of elementary school children

Gabriella Conte; Sylvia Maria Ciasca; Iuri Victor Capelatto

Rev. Psicopedagogia 2016;33(102):225-234

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Nos estudos das dificuldades escolares ou de aprendizagem, destaca-se a relevância de identificar quais as possíveis causas do não aprender, e, dentre essas, sabe-se que o aspecto afetivo-emocional influencia o desempenho escolar. Este estudo teve como objetivo identificar a relação entre autoconceito e autocontrole comparados ao desempenho escolar. Os participantes deste estudo foram 35 crianças (19 do sexo feminino e 16 do sexo masculino), de 8 a 11 anos, que estavam cursando o Ensino Fundamental I (3º a 5º ano) de uma escola particular em uma cidade no interior de São Paulo. Para a avaliação, foram utilizados os seguintes instrumentos: Teste de Desempenho Escolar (TDE); Escala Feminina de Autocontrole (EFAC) e Escala Masculina de Autocontrole (EMAC); Escala de Autoconceito Infanto-Juvenil (EAC-IJ). Os resultados apresentados permitiram concluir que, para a amostra estudada, quanto mais conhecimento o indivíduo tinha de si (autoconceito), maior foi seu autocontrole, e quanto maior foi seu autocontrole, maior foi seu autoconceito familiar, demonstrando a importância da família no estado emocional da criança, no desenvolvimento das regras e condutas e no autocontrole em geral. Além disso, o autoconceito pessoal estava diretamente relacionado à aprendizagem (e no desempenho em aritmética) e aos sentimentos e emoções da criança, assim como o autoconceito social influenciou no desempenho escolar e em aritmética, ou seja, quanto mais a criança conhece sobre si mesma, melhor é seu desempenho escolar e sua capacidade em lidar com as situações do dia-a-dia.

3 - Caracterização do bullying em estudantes que gaguejam

Characterization of bullying in students with stuttering

Leila Nagib; Renata Mousinho; Gil Fernando da Costa Mendes de Salles

Rev. Psicopedagogia 2016;33(102):235-250

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OBJETIVO: Descrever o bullying em pacientes/estudantes com gagueira, suas variáveis sociodemográficas, relações familiares, caracterização e sentimentos da violência na escola e características por local, praticantes e alvo.
MÉTODO: Foram analisados 23 participantes, com idades de 10 a 17 anos, de ambos os sexos, com diagnóstico de gagueira acompanhados pelo Ambulatório especializado da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foram excluídos pacientes com alterações de comportamento ou transtornos de compreensão e cognição, ou sem frequência regular aos atendimentos.
RESULTADOS: Cerca de 40% dos pacientes afirmaram serem bem tratados por colegas; 34,8% relataram se sentirem rejeitados; 29,16% sofrem na escola. Mais de 80% têm bom relacionamento com os pais e mais de 70% residem com eles. 34,8% foram reprovados. 13% dos estudantes presenciaram agressão no lar, e 8,7% presenciaram colegas com estilete na escola e 4,3% com arma de fogo. 40% sofreram ameaça de violência física fora da sala; quase 80% se vingaram dos agressores. 78,3% estão descrentes com resolução da violência. Pouco mais de 1/4 se revelou vítima de bullying; 1/5 refere não ter qualquer amigo especial e 13% sentem-se bem com 2 ou 3, enquanto 4,3% não têm amigos. 13% sofreram agressão verbal na escola e 4,3% física, enquanto quase 9% ambas. Quase 80% negam provocar, entretanto 1/4 provocam.
CONCLUSÕES: Os resultados voltam-se ao desenvolvimento de estratégias defensivas aos ataques, motivando a autoestima e sentimento de igualdade aos demais.

4 - Investigação da atenção de adolescentes que apresentam mau desempenho escolar

Attention research of teen presenting bad school performance

Maria de Fátima Guadagnini; Adriana Nobre de Paula Simão

Rev. Psicopedagogia 2016;33(102):251-261

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O objetivo da presente pesquisa foi comparar o desempenho atencional de adolescentes em instrumentos neuropsicológicos que avaliam a atenção. Participaram 40 adolescentes de uma Escola Pública Estadual localizada na cidade de Campinas-SP, de ambos os gêneros, com idades de 14 a 16 anos, com e sem dificuldades escolares. Foram utilizados os seguintes instrumentos: Teste de Inteligência Geral Não-Verbal (TIG-NV); Índices Fatoriais Velocidade de Processamento (VP) e Memória Operacional (MO) da Escala Wechsler de Inteligência para Crianças (WISC-IV); Teste de Cancelamento com Lápis e Papel A/B e Trail Making Test A/B. Os resultados dos grupos foram analisados estatisticamente e obtidas diferenças significativas indicando escores inferiores no grupo de adolescentes com mau desempenho escolar nos instrumentos utilizados, com exceção do Teste de Cancelamento – Letras em Fileiras e do Trail Making Test – Parte B, que não apontaram diferenças significativas em relação ao grupo controle. Os resultados sugerem que a função atencional apresenta prejuízos no grupo de alunos apontados com mau desempenho escolar, corroborando os estudos que afirmam que a atenção é base para o sucesso da aprendizagem.

5 - Identificação das competências necessárias para a aprendizagem de leitura e escrita de crianças com fissura labiopalatinas: estudo comparativo

Identification of skills needed for learning reading and writing of children with cleft lip and cleft comparative study

Shaday Prudenciatti; Rafael Silva Pereira; Maria de Lourdes Merighi Tabaquim

Rev. Psicopedagogia 2016;33(102):262-271

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O objetivo do estudo foi identificar as competências para a aprendizagem da leitura e escrita de crianças com fissura labiopalatina, caracterizando as funções perceptivas, do esquema corporal, da orientação espaço temporal, do desenvolvimento motor, da linguagem compreensiva e expressiva e do nível intelectual e comparar os desempenhos dos grupos. Participaram 120 crianças, de ambos os sexos, de 5 e 6 anos, cursando o Jardim II e o 1º anos do Ensino Fundamental, compondo dois grupos: G1, como grupo alvo, formado por 60 crianças com fissura labiopalatina; e G2, como grupo controle, formado por 60 crianças. Na coleta de dados foram utilizados os instrumentos: Matrizes Progressivas Coloridas de Raven e Bateria de Avaliação de Competências Iniciais para a Leitura e Escrita. Quando comparados os desempenhos do G1 e G2, verificou-se diferença estatística nas funções intelectuais (p=0,019) e no esquema corporal (p=0,036). Os participantes com fissura pré-forame tiveram desempenhos mais rebaixos, indicando diferencial fenotípico dessa população. A ausência de desempenhos por excelência no G2 foi sugestivo de interferências ambientais, cujos alunos eram de região de baixo poder aquisitivo e cultural. O estudo concluiu que, a amostra estratificada de participantes com fissura labiopalatina, comparada ao grupo sem a mesma condição, com déficits no domínio de competências necessárias à aquisição da leitura e escrita, foi indicativa de imaturidade cognitiva, fator este capaz de interferir na eficiência do processo de alfabetização.

6 - Relações entre as funções executivas, fluência e compreensão leitora em escolares com dificuldades de aprendizagem

Relationship between the executive functions, fluency and reading comprehension in students with learning difficulties

Evelyn Budal Porto Bovo; Ricardo Franco de Lima; Fernanda Caroline Pinto da Silva; Sylvia Maria Ciasca

Rev. Psicopedagogia 2016;33(102):272-282

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O objetivo da presente pesquisa foi investigar as relações entre as funções executivas (FEs) e o desempenho em fluência e compreensão de leitura de escolares com dificuldades de aprendizagem. Participaram do estudo 29 estudantes, sendo 20 meninos e 9 meninas, cursando do 3º ao 9º ano do Ensino Fundamental, idade média de 11,79 (DP = 2,23), selecionados entre os pacientes que passaram por avaliação neuropsicológica no Ambulatório de Neuro-Dificuldades de Aprendizagem do Hospital de Clinicas (UNICAMP) e no Centro de Investigação da Atenção e Aprendizagem (CIAPRE). Foram utilizados os instrumentos: indice de memória operacional, subteste de digitos (ordem indireta), subteste sequência números e letras, cubos de corsi, teste das trilhas, teste cor-palavra de Stroop, teste de fluência verbal, torre de Londres, texto "A coisa" e teste de Cloze. Os dados foram analisados por meio do SPSS 21.0. Os resultados demonstraram correlações significativas entre os escores dos instrumentos variando de moderada a alta. As maiores correlações do desempenho em compreensão de leitura ocorreram com o controle inibitório, a memória operacional e a fluência verbal. É possível inferir que as FEs contribuem com os aspectos estratégicos e metacognitivos da leitura, sendo que estudos posteriores podem investigar o valor preditivo das FEs para a compreensão.

7 - Alterações de processos fonológicos e índice de gravidade em uma amostra de fala e de escrita de escolares de ensino público e privado

Alteration of phonological processes and severity index in a sample of speech and writing in students of public and private education

Monique Herrera Cardoso; Ana Carla Leite Romero; Simone Aparecida Capellini

Rev. Psicopedagogia 2016;33(102):283-293

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Este estudo teve como objetivo comparar a ocorrência de processos fonológicos alterados e o índice de gravidade do transtorno fonológico em uma amostra da fala e da escrita entre escolares do 1º ao 5º ano dos ensinos público e particular. Participaram 300 escolares, sendo 150 de escola pública e 150 de particular, distribuídos entre 1º e 5º ano escolar, ambos os gêneros, faixa etária de 6 anos a 10 anos e 11 meses de idade. Foram aplicadas as provas de fonologia do Teste de Linguagem Infantil – ABFW, uma prova de redação temática e calculado o índice de gravidade nas duas provas. Os resultados demonstraram melhor desempenho dos escolares de ensino particular nas provas fonológicas e na escrita temática. Ao analisar o índice de gravidade, notou-se que a gravidade do transtorno fonológico foi classificada como leve em ambos sistemas de ensino. Ao se aplicar o índice de gravidade na amostra de escrita, observou-se predominantemente a classificação leve, porém nos escolares do 1º e 2º ano, tanto da escola pública quanto da particular, foi possível identificar classificação levemente moderada, moderadamente grave e grave. Os achados deste estudo contribuíram para o estabelecimento de um perfil da relação oralidade-escrita de escolares em período de alfabetização.

8 - O currículo, a ação e a ilegítima inclusão no ensino fundamental: problematizando a realidade das escolas de Alfenas/MG

The curriculum, action and illegitimate inclusion at the elementary school: questioning the reality of Alfenas/MG schools

Juliana Oliveira Pessoa Araújo; Claudia Gomes

Rev. Psicopedagogia 2016;33(102):294-306

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Este estudo visa caracterizar as condições de formação e atuação docente alinhados aos pressupostos da Educação Inclusiva. Para tanto, foram participantes do estudo 63 professoras do Ensino Fundamental, atuantes em 7 escolas do município de Alfenas/MG. A coleta de dados foi feito por meio de questionários compostos por questões de caracterização sociodemográfica, da formação inicial e continuada, assim como pressupostos curriculares, recursos e estratégias pedagógicas consideradas inclusivas. As análises quantitativas dos dados evidenciaram que 79,4% dos professores entrevistados não possuem formação profissional com enfoque em ações inclusivas; 52,4% apontam não possuir domínio de estratégias educacionais com base na premissa, assim como 22,2% indicam atuar com base em um currículo fragmentado e estático que não favorece a articulação das ações com base nos pressupostos inclusivos. Conclui-se que os desafios curriculares, pedagógicos e relacionais das práticas docentes refletem não apenas que a formação deve ser problematizada, mas, acima de tudo, devemos deflagrar qual é a concepção curricular que sustenta o entendimento dos processos políticos, pedagógicos e relacionais das escolas, para a partir disto discutirmos quais os desafios e perspectivas possíveis para a construção de uma ação docente efetivamente integrada, com o desenvolvimento de metodologias colaborativas e participativas, e de fato vinculadas às ações educacionais inclusivas nas escolas públicas.

9 - As relações fraternas no contexto do autismo: um estudo descritivo

Fraternal relations in autistic context: a descriptive study

Gleidson Diego Lopes Loureto; Soraya Ivon Ramirez Moreno

Rev. Psicopedagogia 2016;33(102):307-318

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Os estudos acerca do Transtorno do Espectro Autista (TEA) no âmbito das relações familiares têm enfatizado, em sua maioria, a figura materna. Nesse contexto, investigações sobre as relações fraternas são escassas. Nessa direção, o presente estudo de cunho qualitativo e descritivo teve por objetivo caracterizar as interações sociais entre sujeitos com desenvolvimento típico (DT) e seus irmãos com TEA. Participaram do estudo duas díades de irmãos. Os instrumentos utilizados foram: Formulário de Informações sobre a Família, Formulário de Informações sobre o irmão com TEA e entrevista semiestruturada. Os resultados indicaram que as interações se constituem por sentimentos ambíguos, altruísmo, maturidade, conflitos devido às características da síndrome, companheirismo, poucas responsabilidades frente ao irmão com TEA e apoio familiar. Em suma, a relação entre os irmãos foi facilitada por amizades em comum, orientações das mães junto aos filhos com DT, relativa autonomia do irmão com TEA e redes de apoio familiar e especializado. Os fatores que dificultam tais interações relacionam-se às características clássicas do autismo e falta de tempo por parte dos pais. Conclui-se que as particularidades de cada família determinam as interações sociais entre sujeitos com DT e irmãos com TEA.

Artigo de Revisão

10 - Bullying escolar: revisão sistemática da literatura do período de 2009 a 2014

School bullying: a systematic review of the literature from 2009 to 2014

Maria Teresa Barros Falcão Coelho

Rev. Psicopedagogia 2016;33(102):319-330

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Este estudo teve como objetivo analisar as pesquisas recentes publicadas no Brasil sobre o bullying no contexto escolar. Foi realizada uma revisão sistemática de literatura mediante uma busca eletrônica de artigos indexados nas bases SciELO e PEPSIC, publicados no período de 2009 a 2014. Considerando critérios de inclusão/exclusão, foram selecionadas 26 publicações para análise. Tais publicações foram lidas na íntegra e analisadas com relação à autoria, ao ano de publicação, participantes da pesquisa, instrumento utilizado para a coleta dos dados, principais resultados, foco de análise e discussão. Os resultados indicam predominância de estudos descritivos e correlacionais sobre a temática do bullying escolar publicados recentemente no Brasil. Pode-se destacar que, no período considerado de 2009 a 2014, foram poucas publicações que focalizaram a dinâmica interacional do bullying, embora se perceba um crescimento de artigos com relatos de programas de intervenção antibullying.

11 - Como avaliar a escrita? Revisão de instrumentos a partir das pesquisas nacionais

How to assess writing? Review of instruments from national surveys

Camila Barbosa Riccardi León; Talita de Cassia Batista Pazeto; Gabriela Lamarca Luxo Martins; Ana Paula Prust Pereira; Alessandra Gotuzo Seabra; Natália Martins Dias

Rev. Psicopedagogia 2016;33(102):331-345

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A escrita é uma habilidade complexa e essencial para a inserção social. A partir do referencial teórico da psicologia cognitiva e da neuropsicologia, destacam-se três componentes da escrita, a saber, ortografia, grafia e produção textual. Para que haja um processo de avaliação adequado, é necessário compreender o construto e seus componentes fundamentais, bem como conhecer os instrumentos de avaliação disponíveis. Este estudo objetivou fazer uma revisão da literatura sobre os instrumentos de avaliação da escrita a partir de pesquisas nacionais (2009-2014), identificando quais componentes tais instrumentos avaliam. Utilizaram-se as bases BVS-Psi, PEPSIC e SciELO. Segundo os critérios estabelecidos, selecionaram-se 95 artigos. Houve predomínio de publicações em periódicos de fonoaudiologia, psicopedagogia, educação e psicologia. Grande parte das pesquisas incluiu populações de desenvolvimento típico, tendo como foco crianças, sobretudo no curso do Ensino Fundamental I. Nos artigos, foram descritos 37 instrumentos de avaliação, dos quais 23 foram identificados como disponíveis. Destes, houve predomínio de testes que mensuram aspectos ortográficos, enquanto os aspectos gráficos e de produção textual foram menos abordados. Uma das lacunas identificadas refere-se à disponibilidade de instrumentos para a avaliação de adolescentes e adultos. O levantamento realizado serve a profissionais, informando-os acerca de instrumentos disponíveis no âmbito nacional, e a pesquisadores da área, na medida em que resume o panorama atual e aponta áreas de carência de instrumental. Faz-se necessário ampliar a discussão suscitada por esta revisão e avaliar a qualidade psicométrica dos instrumentos disponíveis.

12 - Prática de jogos eletrônicos por crianças pequenas: o que dizem as pesquisas recentes?

Electronic game playing by young children: what do recent studies say?

Larissy Alves Cotonhoto; Claudia Broetto Rossetti

Rev. Psicopedagogia 2016;33(102):346-357

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O estudo teve como objetivo realizar uma revisão da literatura brasileira publicada na última década sobre a prática de jogos eletrônicos na primeira infância. As publicações, selecionadas em bases de dados eletrônicas, somaram 20 referências entre artigos publicados em periódicos brasileiros de Educação e Psicologia com Qualis (n=18) e duas dissertações. A análise dos dados focalizou a natureza dos trabalhos, a faixa etária da população-alvo, o modelo teórico-metodológico, os objetivos das investigações e os resultados apontados. Os resultados demonstraram uma produção escassa para a interface jogos eletrônicos e educação infantil. Dentre as publicações encontradas, predomina a área de Educação. A Psicologia do Desenvolvimento tem muito a contribuir com os conhecimentos acerca das implicações dos jogos eletrônicos e videogames no desenvolvimento infantil.

Artigo Especial

13 - Transtornos da aprendizagem não-verbal

Nonverbal learning disorders

Maria de Lourdes Merighi Tabaquim

Rev. Psicopedagogia 2016;33(102):358-364

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Os transtornos de aprendizagem são alterações no sistema nervoso central, em crianças com inteligência normal, sem alterações sensoriais, com qualidade de vida adequada e métodos de ensino apropriados. O transtorno de aprendizagem não-verbal é uma alteração específica no funcionamento do sistema nervoso, caracterizada por prejuízos marcantes no raciocínio matemático, na cognição visoespacial, coordenação motora, percepção sensorial e nas habilidades sociais. Estudos recentes apontam para alterações na substância branca nas conexões córtico-corticais do hemisfério direito, relacionadas ao comprometimento de funções implicadas no transtorno. Porém, o diagnóstico é essencialmente clínico, identificado pela presença de uma série de critérios, marcados pela discrepância de habilidades verbais e não-verbais, com déficits de ordem primária, secundária e terciária, que acometem os domínios da cognição e interferem no aprendizado. Frequentemente, crianças com o transtorno de aprendizagem não-verbal se amparam nas habilidades verbais preservadas para, compensatoriamente, lidarem com as dificuldades inerentes à condição.

14 - Importância das emoções na aprendizagem: uma abordagem neuropsicopedagógica

Importance of emotions in learning: a neuropsycopedagogical approach

Vitor da Fonseca

Rev. Psicopedagogia 2016;33(102):365-384

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O artigo procura abordar a importância das emoções na aprendizagem escolar, tendo em atenção que a missão da escola atual não deve ser focada somente no desenvolvimento intelectual das crianças e dos jovens, mas deve, igualmente, responsabilizar-se pelo seu desenvolvimento social e emocional. Independentemente de as neurociências demonstrarem, atualmente, que as emoções têm impacto fulcral na aprendizagem, muitos professores e responsáveis educacionais revelam, ainda, alguma insegurança em incorporarem o trabalho sobre as emoções na sala de aula. Ao longo do texto são exploradas questões sobre as relações entre a emoção e a cognição em termos neurofuncionais, quando ambas as funções se incorporam na aprendizagem, levantando várias reflexões sobre o processo ensino-aprendizagem e sobre as interações emocionais entre professores e alunos. Finalmente, algumas estratégias pedagógicas para os professores são avançadas e discutidas.

15 - Psicopedagogia institucional: sugestões de um roteiro de intervenção no ensino superior

Institutional psychopedagogy: suggestions for a roadmap intervention in higher education

Terezinha Richartz; Julia Eugênia Gonçalves

Rev. Psicopedagogia 2016;33(102):385-395

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A legislação brasileira prevê um sistema educacional inclusivo em todos os níveis. Atualmente, alunos com algum tipo de transtorno ou deficiência chegam à universidade, mas muitos não concluem o curso por falta de intervenções psicopedagógicas apropriadas. No ambiente escolar, os laudos são variados e o psicopedagogo precisa atentar para estratégias de intervenção para cada caso. É necessário considerar desde as dificuldades do sujeito até as limitações dos docentes e coordenadores quanto à aplicação apropriada das metodologias de ensino e à estrutura física adequada para permitir a acessibilidade. Este artigo apresenta ao psicopedagogo que atua no Ensino Superior um roteiro de intervenção para nortear seu trabalho com alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem. Os dados apontam que não existe uma metodologia adequada a todos os casos. É necessário considerar o diagnóstico psicopedagógico e acompanhar o discente durante o período letivo, a fim de que as especificidades sejam respeitadas e as intervenções necessárias sejam realizadas.

Resenha
IV Simpósio Internacional de Psicopedagogia