VOLUME 34 - EDIÇÃO 103 Jan/ Abr - 2017

Editorial
Artigo Original

2 - Validação de bateria de avaliação de competências iniciais para a leitura e escrita – estudo com crianças com e sem fissura

Validation of evaluation battery skills for initial reading and writing - study of children with and without cleft

Rafael António Silva Pereira; Maria de Lourdes Tabaquim

Rev. Psicopedagogia 2017;34(103):3-19

Resumo PDF Português

As Dificuldades de Aprendizagem na Leitura e Escrita (DALE) transformam-se num problema na vida acadêmica e pessoal. Este estudo centra-se na validação de uma bateria de aferição de competências iniciais para a leitura e escrita em crianças com fissura e sem fissura labiopalatina. Foram analisados fatores de maturidade perceptiva, esquema corporal e orientação espaço-temporal, desenvolvimento motor e linguagem, essenciais à otimização da aprendizagem. O objetivo foi o de obter evidências de validade da Bateria de Avaliação de Competências iniciais para a Leitura e Escrita (BACLE), numa amostra brasileira. Participaram 164 estudantes, ambos os sexos, idade entre 5 e 6 anos, cursando a fase pré-escolar e o 1º ano do ensino fundamental, compondo dois estudos denominados de G1, com 134 participantes do ensino regular, e o G2, como grupo comparativo, com 30 participantes diagnosticados com fissura labiopalatina. Foram utilizados os instrumentos: Teste não verbal de inteligência para crianças – R2; e, Bateria de Avaliação de Pré Competências para Início de Leitura / Escrita (BACLE). No estudo comparativo dos grupos, não houve diferença estatisticamente significante quanto ao nível intelectual entre os dois grupos de idade. Os dados indicaram que apenas a linguagem correlacionou positivamente, mas moderadamente, com o nível intelectual (0.23). Quando comparados os grupos de referência, foram encontradas diferenças nas Escalas Maturidade Perceptiva–Visual, Maturidade Perceptiva-Dominância Lateral e Esquema Corporal-Identificação no Outro, com melhor desempenho dos participantes sem fissura. A BACLE constitui um instrumento que reuniu critérios de confiabilidade, de validade e de sensibilidade, os quais permitem a administração e utilização para finalidades de avaliação de funções cognitivas.

3 - Avaliação de adultos com dificuldades de leitura

Evaluation of adults with reading difficulties

Sara Peres; Renata Mousinho

Rev. Psicopedagogia 2017;34(103):20-32

Resumo PDF Português

Considerando a necessidade de instrumentos para a avaliação de adultos com dificuldades de leitura, o objetivo do presente estudo é comparar o desempenho de indivíduos com e sem queixas de dificuldades de leitura, por meio de instrumentos que avaliam as habilidades fonológicas, de leitura e de escrita. Por esta análise, verificar quais destes instrumentos se mostraram mais sensíveis na comparação entre o grupo com e sem dificuldade de leitura. Participaram da pesquisa 10 indivíduos sem dificuldades de leitura e 20 indivíduos com dificuldades, com idades entre 17 e 48 anos. Foram avaliadas as habilidades de leitura, de escrita e as habilidades fonológicas. Os resultados mostraram desempenhos significativamente piores pelo grupo com dificuldades na nomeação automatizada rápida de objetos e letras, memória de trabalho, consciência fonológica, ortografia, velocidade de leitura e compreensão no teste cloze. Assim como visto na literatura, os testes que melhor diferenciam indivíduos com e sem dificuldades de leitura são os que avaliam as habilidades de leitura, de escrita, consciência fonológica, nomeação automatizada rápida e memória de trabalho.

4 - Desempenho percepto-motor, psicomotor e intelectual de escolares com queixa de dificuldade de aprendizagem

Perceptual-motor performance, psychomotor and intellectual of students with learning disability complaints

Samara Lilian Zulian Ruas da Silva; Maria Carolina Camargo de Oliveira; Sylvia Maria Ciasca

Rev. Psicopedagogia 2017;34(103):33-44

Resumo PDF Português

OBJETIVOS: Este estudo teve como objetivo comparar o desempenho percepto-motor, psicomotor e a capacidade intelectual de escolares com e sem queixa de dificuldade de aprendizagem indicados por seus professores, e associar esse desempenho ao processo de aprendizagem da escrita.
MÉTODO: Participaram do estudo 26 escolares com idade entre 7 e 9 anos, frequentando o Ensino Fundamental, com e sem queixa de dificuldade de aprendizagem por parte dos professores, respectivamente, o grupo experimental (GE), com 14 escolares, e o grupo controle (GC), com 12. Os instrumentos utilizados foram: Teste Gestáltico Visomotor de Bender, Escala de Desenvolvimento Motor, Desenho da Figura Humana, e Avaliação de Dificuldades de Aprendizagem na Escrita – ADAPE.
RESULTADOS: As crianças com queixa de dificuldades de aprendizagem apresentaram pior desempenho em comparação ao grupo controle, em todas as áreas avaliadas. O GE teve resultado inferior ao esperado para sua idade na avaliação psicomotora e percepto-motora, indicando risco para aquisição da aprendizagem da escrita, o que foi confirmado com o resultado do teste ADAPE, que os classificou como tendo dificuldades na escrita de grau leve a moderado. A avaliação intelectual revelou melhor desenvolvimento cognitivo no GC.
CONCLUSÃO: Os resultados encontrados sugerem que o desempenho psicomotor, percepto-motor e intelectual estão estritamente ligados e que alterações em quaisquer dessas habilidades compõem fator de risco para a aquisição da escrita. Sugere-se a continuidade e ampliação dos estudos nesta área, com enfoque na estimulação percepto e psicomotora, como ferramenta que auxilie o desenvolvimento global e a aprendizagem escolar.

5 - Perfil cognitivo de crianças pequenas com e sem atraso de desenvolvimento*

Cognitive profile of the small children with and without development delay

Andréa Carla Machado; Maria Amelia Almeida

Rev. Psicopedagogia 2017;34(103):45-52

Resumo PDF Português

O atraso no desenvolvimento pode acarretar para as crianças pequenas sérios problemas ao longo da vida. Assim, a estimulação e intervenção precoce ressaltam a importância do trabalho das funções cognitivas necessárias para o desenvolvimento e a aprendizagem. Essa pesquisa pretendeu descrever o perfil cognitivo de crianças pequenas com e sem atraso de desenvolvimento participantes de um programa de intervenção precoce. Participaram 48 crianças de 3 a 5 anos de idade (M=0,248) e (DP=4,39) de ambos os sexos (46,26% masculino e 53,74% masculino), pertencentes a duas escolas municipais de educação infantil de uma cidade do interior paulista. Foram aplicados o Perfil Psicoeducacional Revisado (PEP-R) e o Teste de Trilha para pré-escolares (TT-P) versão infantil. Os resultados revelaram que as crianças apresentaram perfil semelhantes entre os grupos divididos por idade e nível de desenvolvimento. Assim, os dados indicaram que é importante uma programação em relação às variáveis citadas para a construção de programas de intervenção precoce, pois torna-se necessário saber o que é esperado para cada faixa etária levando em consideração tarefas da área cognitiva aqui estudada e, assim, consequentemente, atuar na prevenção e promoção da saúde, educação e do desenvolvimento infantil.

6 - Percepção de professores do ensino médio acerca da motivação docente

Perception of teachers of high school about teaching motivation

Ygor Alexsander Patti; José Maria Montiel; Karina da Costa; Camélia Santina Murgo; Marjorie Cristina Rocha da Silva; Daniel Bartholomeu; Nathalia Rodrigues Campos

Rev. Psicopedagogia 2017;34(103):53-64

Resumo PDF Português

OBJETIVO: Este estudo tem como objetivo identificar a percepção de professores do ensino médio acerca da motivação docente.
MÉTODO: A amostra contou com 27 professores do Ensino Médio de ambos os sexos, sendo 15 participantes (55,6%) do sexo feminino e 12 participantes do sexo masculino (44,4%). A idade variou entre 24 a 68 anos, com média de idade de 46 anos (DP=11,80). A amostra foi coletada em duas escolas públicas estaduais da região metropolitana de São Paulo, sendo 13 participantes da escola 1 (grupo que corresponde a codificação de 1 a 13) e 14 participantes da escola 2 (correspondente a codificação de 14 a 27).
RESULTADOS: Os resultados demonstraram relações diretas com as expectativas e habilidades percebidas para a docência desde a infância, que os relatos dos docentes estão relacionados à falta de políticas públicas, que os docentes se queixam do desrespeito/descomprometimento dos alunos, especialmente havendo predominância da violência; este último aspecto é relacionado a geradores de frustrados docentes. Nisto é possível inferir que o aluno é percebido como foco da motivação docente.
CONCLUSÃO: A motivação docente resulta em práticas educativas efetivas, as qual tendem a ocasionar motivação nos alunos, ocasionando melhor desempenho escolar, e especialmente desenvolvimento de habilidades diversas como acadêmicas e sociais.

Artigo de Revisão

7 - Instrução fônica como intervenção no processo da leitura e escrita em estudantes com deficiência intelectual

Phonics instruction as intervention in the process of reading and writing in students with intellectual disability

Liana Garcia Nunes; Anna Carolina Rufino Navatta; Eliane Correa Miotto

Rev. Psicopedagogia 2017;34(103):65-74

Resumo PDF Português

A meta do presente estudo foi, por meio de uma revisão de literatura, sistematizar pesquisas já realizadas sobre a contribuição de instruções fônicas na capacidade em desenvolver a leitura e escrita em estudantes com deficiência intelectual. Empregou-se a pesquisa literária por meio da análise de artigos publicados em revistas científicas tanto nacionais quanto internacionais com referência à temática de intervenção fonológica no processo de leitura em deficientes intelectuais. Os resultados dos estudos demonstraram que o treino de instrução fônica dá suporte ao desenvolvimento da leitura em crianças com deficiência intelectual de diferentes etiologias.

Relato de Experiência

8 - Fatores influenciadores no processo de aprendizagem: um estudo de caso

Factors influencing the learning process: a case study

Ariete Fröhlich Tabile; Marisa Claudia Durante Jacometo

Rev. Psicopedagogia 2017;34(103):75-86

Resumo PDF Português

Entende-se a aprendizagem como um processo dinâmico e interativo da criança com o mundo que a cerca, garantindo-lhe a apropriação de conhecimentos e estratégias adaptativas a partir de suas iniciativas e interesses e dos estímulos que recebe de seu meio social. O objetivo geral foi reconhecer se tais fatores são essenciais na aprendizagem. Especificamente: a) identificar se a motivação é um dos fatores que interferem nesse processo; b) descobrir como os professores lidam com possíveis dificuldades de aprendizagem que possam surgir. Realizou-se um estudo de caso com 120 professores do ensino fundamental I, sendo 60 da rede privada e 60 da rede pública. Os resultados indicam que os professores tendem a caracterizar a responsabilidade da dificuldade de aprendizagem na família e a própria criança, e não só acreditam na influência positiva das dinâmicas para motivação e aprendizagem do aluno como também consideram a lição de casa como excelente estímulo para aprendizagem.

9 - Os impactos sociais, cognitivos e afetivos sobre a geração de adolescentes conectados às tecnologias digitais

The social, cognitive and affective impacts at the generation of teenagers connected to the digital technologies

Thayse de Oliveira Silva; Lebiam Tamar Gomes Silva

Rev. Psicopedagogia 2017;34(103):87-97

Resumo PDF Português

INTRODUÇÃO: De acordo com dados do Comitê Gestor da Internet, no Brasil (2014), cerca de 81% dos adolescentes usam internet todos os dias, o que evidencia a abrangência do uso das tecnologias digitais e mostra a importância da investigação científica sobre temas correlatos.
OBJETIVO: Este trabalho visou discutir, mediante o olhar psicopedagógico, as consequências do uso indiscriminado de tecnologias digitais pelos adolescentes. Para tanto, formulou-se a seguinte questão norteadora: De que forma o uso das tecnologias digitais afeta os adolescentes em âmbito social, afetivo e educacional? Assim, verificou-se um conjunto expressivo de pesquisas sobre o tema.
MÉTODO: Trata-se de um estudo bibliográfico, de caráter exploratório, cujas informações foram coletadas e sistematizadas em seções que tratam das implicações afetivas, principalmente na relação com a família, sociais, abordando questões que afetam as relações sociais reais e virtuais; e cognitivas, destacando as funções cerebrais modificadas e os efeitos para a aprendizagem.
RESULTADOS E CONCLUSÃO: Como principais resultados, destacam-se: os conflitos familiares, decorrentes do distanciamento e da falta de diálogo; a predominância de relações superficiais e de falsa intimidade e a ilusão de que tudo é possível; e dificuldades de aprendizagem decorrentes da dependência da internet, de transtornos de ansiedade e de déficit de atenção.

Artigo Especial

10 - O conhecimento de docentes de educação infantil sobre o transtorno do espectro autístico

The knowledge of teachers in early childhood education on autism spectrum disorder

Ana Cristina de Castro; Silvyo David Araújo Giffoni

Rev. Psicopedagogia 2017;34(103):98-106

Resumo PDF Português

O objetivo desta pesquisa foi identificar o conhecimento do Transtorno do Espectro Autístico (TEA) por professores de Educação Infantil, traçar o perfil destes profissionais e se sentem-se preparados para trabalhar com alunos com TEA. Pontuar aspectos importantes no preparo para o trabalho, eixos relevantes para estes professores no trabalho com esses alunos, dificuldades encontradas pelos docentes. Foram convidados a participar desta pesquisa 300 professores da rede municipal de Paulínia, SP. Noventa e oito professores participaram por meio de questionário específico, que evidenciou que os professores mostraram ter conhecimento das principais características do quadro. Os aspectos apontados como necessários para o trabalho com TEA foram: cursos de especialização e apoio pedagógico. Eixos que professores consideram ser importantes serem trabalhados com estes alunos: comunicação, autonomia e comportamento. Aspectos que os professores encontram maior dificuldade de atuação são: comunicação e comportamento. Com o estudo foi possível evidenciar que quase todos os professores entrevistados não se sentiam preparados para trabalhar com alunos com TEA, o nível de formação não influenciou na avaliação de aspectos que consideram importantes no trabalho com estes alunos.