Relato de Pesquisa - Ano 2019 - Volume 36 - Edição 111

Bullying vs. educação escolar inclusiva

RESUMO

A educação inclusiva é hoje uma das principais preocupações de vários teóricos da educação. Desta forma, o presente trabalho com o tema "Bullying vs. educação inclusiva" tem como objetivo central trazer em evidência o papel da escola na luta e superação da problemática do bullying. E, como tal, oferecer algumas ferramentas teóricas para auxiliar professores e educadores no combate e mediação de situações de bullying no recinto escolar. O percurso investigativo deste trabalho embasa-se na pesquisa bibliográfica e, dividido em três partes principais, trata primeiramente da etimologia do conceito bullying, a definição, tipos e/ou formas bullying. Na segunda parte procura-se analisar e discutir o bullying dentro de contexto da sociedade e escolas brasileiras, ilustrando sobre como essa situação tem influenciado negativamente no processo de ensino-aprendizagem. Por fim, busca-se apontar como a escola pode ser um lugar primordial para a superação do bullying através de uma educação inclusiva. Assim, o trabalho aponta como resultado de pesquisa que a escola, ao assumir com responsabilidade seu papel de ensino-aprendizagem, socialização dos conhecimentos e formação moral, irá se tornar um espaço de convivência fraterna, capaz de superar o bullying.

Palavras-chave: Bullying. Sociedade. Escola. Educação. Educação Inclusiva.

ABSTRACT

Inclusive education is today one of the main concerns of various educational theorists. Thus, the current work with the theme "Bullying vs. inclusive education", has the central objective of highlighting the role of the school in the fight against, and overcoming, the problem of bullying. And, as such, offer some theoretical tools to assist teachers and educators in the combat and mediation of bullying situations on school environment. The investigative path of this work is based on bibliographic research and, divided into three main parts, deals first with the etymology of the concept of bullying, definition, types and /or forms of bullying. The second part seeks to analyze and dis-cuss bullying within the context of Brazilian society and schools, illustrating how this situation has negatively influenced the teaching-learning process. Finally, it is aimed to point out how the school can be an essential place to overcome the bullying through an inclusive education. Thus, the study points out as a result of re-search that the school, by assuming with responsibility its teaching-learning role, socialization of knowledge and moral formation, will become a space of fraternal coexistence, capable of overcoming bullying.

Keywords: Bullying. Society. School. Education. Inclusive Education.


INTRODUÇÃO

O presente trabalho "Bullying vs. educação inclusiva" nasce da constatação da questão do bullying na escola brasileira. Os estudos referentes à problemática do bullying são recentes no Brasil, e, por consequência, a maioria desconhece o tema e sua gravidade. Os fatores que podem ajudar os professores a compreender e mediar situações de bullying dentro do contexto escolar constituem outro impulso motivacional para a realização deste trabalho.

Antes mesmo de escolher um tema a ser abordado, a intenção sempre foi e continua sendo a de buscar um objeto de estudo que seja útil e contribua à sociedade contemporânea. Apresentar um trabalho que, por mais teórico que seja, ao seu término possa contribuir para uma nova práxis, pensando principalmente na atuação ética, dinâmica e reflexiva do profissional de Pedagogia.

Logo, a relevância acadêmica deste estudo está no aprofundamento da questão sobre o bullying levando a priori a explicação de Aristóteles, que aponta para o fato de ser inerente ao homem a tendência a viver em sociedade, e que, feito isso, ele se autobeneficie, porque esta é a finalidade do ser humano. O isolamento significa a destruição de nossa humanidade, da autoestima e da felicidade, porque tudo isso deriva de vida em comunidade.

Em todas as épocas da história do ser humano certamente houve o bullying, mesmo que conhecido e sentido pelas pessoas com outros cognomes (pirraça, apelido pejorativo, intolerância, rejeição, etc.). Temos excelentes razões para dedicar um estudo à investigação desse aspecto social que vem causando na contemporaneidade tanta preocupação no âmbito educacional (além de se estender na sociedade como um todo) e ultrapassar a meta de agregar conhecimentos, trazer pesquisas e intervenções no campo do fenômeno bullying.

No Brasil, Sposito1 descreve que a questão da violência no ambiente escolar teve seu foco de estudos acadêmicos na década de 1980, quando a preocupação se limitava aos danos causados ao patrimônio em decorrência de vandalismo e depredações. Nos anos 1990, a violência escolar passa a ser observada nas interações dos grupos de alunos, caracterizando um tipo de sociabilidade entre os pares ou de jovens com o mundo adulto, ampliando e tornando mais complexa a própria análise do fenômeno. Sabe-se da presença de ocorrências em várias regiões do país, alcançando cidades de médio porte, incluindo capitais e outros centros.

Além do mais, recentes casos de suicídio em escolas particulares de São Paulo têm despertado e nos alertado para a importância e enfoque do tema.

Cabe destacar uma questão importante que talvez seja a que mais preocupa os atuais pedagogos e teóricos da educação: como proporcionar uma educação inclusiva?

"A educação inclusiva é uma nova possibilidade que se abre para o desenvolvimento e para o benefício dos estudantes (quer tenham ou não deficiência) para que todos possam ser inseridos totalmente na sociedade em todos os seus segmentos", segundo Reis & Omodei2.

A educação inclusiva é assegurada pela legislação, mas na prática escolar ainda encontramos muitas barreiras. Uma dessas dificuldades é a falta de comprometimento por parte de alguns docentes que, ou simplesmente negligenciam os alunos com deficiência ou os tratam de um modo que os oprime ainda mais. Tal atitude, de ver o aluno com deficiência como coitadinho, ou a de simplesmente ignorar a sua presença em sala de aula, contribui para o bullying sofrido por ele, conforme descreve Silva3.

Atitudes como apelidar o garotinho mais gordinho ou aquela garotinha de óculos podem ter sido encaradas como inofensivas e até mesmo fazer parte dessa relação de convivência infantil. Porém, essa situação com o passar dos tempos foi se intensificando e o que era brincadeira começou a tomar caminhos mais dramáticos, desencadeando problemas psicológicos, formas de violência, depressão e, nos casos mais graves, até mesmo suicídio, observado por Souza & Almeida4.

O bullying é um fenômeno psicossocial expansivo, que compromete o desenvolvimento do indivíduo, por suas consequências psicológicas, emocionais, sociais e cognitivas, estendendo-se para além do período acadêmico.

Devido à sua relevância, este tema vem despertando um interesse crescente nos meios acadêmicos, até mesmo por apresentar uma abrangência multidisciplinar, envolvendo outros diferentes ramos de atividade, como a Educação, a Saúde e a área jurídica.

A revisão desse trabalho tem como objetivo contribuir para a compreensão deste fenômeno, ao refletir sobre seus desdobramentos e nas possíveis consequências, bem como nas suas maneiras de combatê-lo, para proporcionar uma educação mais inclusiva em nossa sociedade. Para a realização deste trabalho, baseamo-nos no método da pesquisa bibliográfica, que nos possibilistou a revisão de diversas literaturas analisando artigos científicos de diversos autores.

Na tentativa de alcançar os objetivos propostos, dividimos nosso trabalho em três partes, a saber: no primeiro capítulo buscaremos compreender com mais profundidade a etimologia do conceito bullying, a definição, seus tipos e/ou formas.

No segundo capítulo, analisaremos e apresentaremos a problemática do bullying na sociedade e escolas brasileiras, ilustrando sobre como essa situação tem influenciado negativamente no processo de ensino-aprendizagem. Por fim, no terceiro capítulo buscaremos apontar como a escola pode ser um lugar primordial para a superação da questão do bullying através de uma educação inclusiva.

 

MÉTODO

Compreendendo o conceito bullying

Neste capítulo primeiro abordaremos o conceito bullying buscando ilustrar sua etimologia, definição, tipos e/ou formas de bullying, sobretudo os que mais são observados no dia a dia da vida dos estudantes nas escolas brasileiras.

Etimologia e definição do conceito bullying

"A palavra bullying deriva do inglês bully, que apresenta duas definições; como substantivo o termo bully significa agressor e como verbo significa intimidar, e o seu derivado bullying definido como comportamento agressivo", conforme descrito por Souza & Almeida4.

"Os estudos relativos à violência escolar e às relações entre alunos nas escolas, o fenômeno hoje aceito por bullying, tem tido vários nomes em função da evolução do mesmo. Em Portugal, têm sido utilizados termos como "prepotência", "violência escolar entre pares", entre outros citados por Tarouca & Pires5.

Bullying é um termo utilizado para denominar uma questão antiga que durante muito tempo não era algo preocupante, até que, por volta dos anos 1970 surgiu na Suécia um grande interesse de toda a sociedade pelos problemas entre agressores e vítimas que ocorriam nas escolas. A preocupação com a questão se estendeu pelo mundo e um dos exemplos desse efeito nocivo foi a tragédia na Columbine High School, em 1999, devido ao seu destaque na mídia local e internacional, descrevem Oliveira-Menegotto et al.6.

O Brasil não possui atualmente uma palavra nativa que se assemelhe ao conceito do fenômeno. O Conselho Nacional de Justiça do Brasil elaborou uma cartilha na qual afirma que estudos revelam maior participação no bullying por meninos do que por meninas.

Silva7 revela que os meninos são mais agressivos fisicamente, agem de forma mais direta e contundente, o que torna mais facilmente ser vista a ação. Já as meninas, utilizam-se de meios indiretos ou discretos, sem deixar, é claro, de ser também perniciosos, como as fofocas, os apelidos pejorativos, e isolamentos de colegas, e talvez passem despercebidas pelos pesquisadores, pela família e pela escola. Logo, deduz-se que há mais de uma maneira de se praticar bullying, e assim mudam-se as especificidades de cada atuação.

Em última instância, significa dizer que, de forma "natural", os mais fortes utilizam os mais frágeis como meros objetos de diversão, prazer e poder, com o intuito de maltratar, intimidar, humilhar e amedrontar suas vítimas.

De acordo com a pesquisa levantada, a maioria dos estudos tem se ocupado com os fatores que motivam o bullying como o perfil dos envolvidos que, geralmente, estão associados com a violência doméstica e a violência escolar.

"A agressividade sempre esteve presente em nosso dia a dia, contudo, só nesses últimos tempos seus danos têm se apresentado de maneira perceptível, tamanho grau atingido. As vidas dos envolvidos são deterioradas, apresentando traumas que impedem seu real desenvolvimento", conforme descrito por Ramos & Barboza8.

Tarouca & Pires5 em seu levantamento verificaram que uma das definições de bullying refere-se a "uma subcategoria de comportamento agressivo; pois é dirigido com frequência em repetidas vezes a uma vítima que se encontra incapaz de se defender e que pode se encontrar em desvantagem numérica, ou só entre muitos, ela pode ser mais nova, menos forte, ou simplesmente menos autoconfiante. A criança agressiva explora esta oportunidade para infligir dano, obtendo gratificação psicológica, status no seu grupo ou, até, obter ganhos financeiros diretos extorquindo dinheiro ou objetos aos outros".

Tipos e/ou formas de bullying

"O que caracteriza o bullying é um fenômeno que sugere atos de violência física ou verbal ocorrendo de forma repetitiva e intencional contra uma ou mais vítimas. Destacam-se dois tipos de bullying: o decorrente de agressões físicas diretas e agressões verbais diretas e/ou indiretas", conforme revisado por Zequinão et al.9.

Para ser dada como tal, a agressão física ou moral deve apresentar quatro características: intenção do autor em ferir o alvo; repetição da agressão; presença de público espectador; e concordância do alvo com relação à ofensa.

Fatores que determinam o bullying

Vários estudiosos dessa questão argumentam que o bullying pode ser identificado por diversos fatores, dentre os quais:

a) A intencionalidade do comportamento, isto é, o comportamento tem um objetivo, que é provocar mal-estar e ganhar controle sobre outra pessoa;

b) O comportamento é conduzido repetidamente e ao longo do tempo, ou seja, não ocorre ocasionalmente ou isoladamente, antes passa a ser crônico e regular;

c) Um desequilíbrio de poder é encontrado no centro da dinâmica do bullying, em que normalmente os agressores veem as suas vítimas como um alvo fácil;

d) Outro aspecto a destacar é que o comportamento agressivo não resulta de qualquer tipo de provocação ou ameaça prévia.

"Além desses, alguns outros tipos de bullying vêm sendo relatados na literatura, como a agressão sexual, a extorsão, na qual os agressores exigem dinheiro ou bens através de ameaças, e o cyberbullying, que consiste na vitimização ocorrida no espaço virtual"9.

O cyberbullying

"Cyberbullying é o termo usado para descrever atos intencionais e repetidos de ameaça e ofensa, através da utilização de tecnologia, em particular dos celulares e da internet, tem-se tornando possível levar a cabo ameaças e chantagens acobertadas pelo anonimato"9.

É uma forma de extorsão menos frequente, mas que tem sido gradualmente desenvolvida, configurada em situações como envio de mensagens por celular (SMS) persecutórias ou o envio de fotografias ofensivas. Exemplo disso é o envio de mensagens por celular ameaçadoras ou a colocação de fotografias na Internet.

"Desse modo, os jovens cada vez mais são constrangidos, assediados, humilhados, intimidados, ameaçados e difamados por mensagens e fotos postadas na internet. Na internet, a informação, o apelido ou o comentário maldoso passam a ser conhecidos publicamente, dentro e fora da escola, ficando à mercê de dezenas, milhares ou milhões de pessoas que não conhecem a vítima, o que confere mais poder ao agressor. Outro ponto sobre isso é o fato de que a agressão se dissemina na rede rapidamente. A vítima fica sem saber ao certo como se defender, de quem se defender, quando e onde será atacada. Essa sensação de impotência e insegurança amplia a possibilidade de dano, seja ele moral, psicológico, social, material ou outro." (Rossato & Rossato10)

"Em alguns países, como é o caso do Canadá, esse tipo de ação já está legalmente configurada como ato criminal, passível de sanção, sendo expressamente proibido o envio de mensagens que firam ou insultem alguém. Um efeito do anonimato que a internet permite é o fato de frequentemente as vítimas também se converterem em agressores, servindo-se da rede virtual para se vingarem dos seus agressores. Se 'na vida real', a hostilização é exercida pelo mais forte, na internet pode ser exercida por qualquer um. Embora, na maioria das vezes, estes meios tenham uma aplicação e utilidade positiva, mesmo do ponto de vista pedagógico, têm sido inúmeros os casos em que o utilizador, por descuido ou inexperiência, tem sido seriamente lesado. Se, na escola, o maltratante era o rapaz ou moça em situação de maior poder (tamanho, idade ou outro), no mundo cibernético o cyberbully pode ter os mais variados perfis". (Tarouca & Pires5)

Recentemente, no Brasil, tivemos que nos deparar com o surgimento do jogo "Baleia Azul" e, atualmente, lidamos com a nova ameaça denominada "Momo" ou "Boneca Momo", que tem, entre seus objetivos, aterrorizar e coletar dados pessoais, contatando vítimas por WhatsApp e induzindo-as a uma ligação telefônica. Estes jogos incitam à violência, assédio, cyberbullying, extorsão, transtornos e agressões de ordem física, como automutilação e psicológica, podendo até mesmo induzir ao suicídio.

De acordo com Silva7, "o cyberbullying extrapola os muros das escolas e expõe a vítima ao escárnio público. Os praticantes desse modo de perversidade se valem do anonimato e atingem a vítima da forma mais vil possível; os traumas e consequências são dramáticos".

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Análise e discussão sobre bullying no contexto da sociedade e escolas brasileiras

Após compreensão da origem e definição do conceito bullying, bem como seus tipos, neste capítulo temos como objetivo analisar e discutir as grandes mazelas que esse fenômeno tem gerado no contexto da sociedade e escolas brasileiras.

O bullying como expressão da violência

Crochik11 relata que a violência escolar tem sido uma preocupação constante. A legislação e as estatísticas mostram que as escolas se voltam cada vez mais para a inclusão de contingentes maiores de pessoas: os trabalhadores, para as mulheres, para os pobres e, atualmente, com o movimento da educação inclusiva ou educação para todos, afirma que todos não só tenham acesso à escola, como estudem conjuntamente. Claro, há problemas de evasão escolar, de repetência, de analfabetismo funcional, mas a tendência de a educação ser cada vez mais inclusiva numa sociedade excludente é apreciável.

A violência nas escolas é um fenômeno complexo e múltiplo que necessita de melhor compreensão das suas origens. O entorno e o ambiente nas proximidades da escola, se forem violentos, aumentarão os riscos de violência na escola.

A ocorrência do bullying entre adolescentes nas escolas das capitais brasileiras é relatada pelo estudo de Malta et al.12 em que o contexto escolar brasileiro também se constitui em um espaço de reprodução da violência. A problemática do bullying é considerada atualmente como uma das maiores representações da violência escolar no Brasil. Oliveira-Menegotto et al.6 evidenciaram que "a violência não pode ser analisada de forma simplificada e que requer uma reflexão sobre as transformações sociais e sobre como as relações estão sendo constituídas". Assim sendo, o bullying, enquanto violência escolar, é visto como uma extensão da problemática social.

"Possivelmente um dos maiores desafios da escola seja assumir a sua parcela na responsabilidade em relação ao bullying. É fundamental fazer uma sensibilização do professor quanto ao bullying e às suas repercussões na vida das crianças e dos adolescentes"6.

De acordo com o observado por Reis & Omodei2, "a grande maioria dos alunos sofre o bullying na sala de aula, e o professor muitas vezes não observa a ocorrência desses atos". É preciso ficar atento às situações que acontecem na sala de aula e garantir o respeito ao próximo e o convívio sadio entre os estudantes, mantendo um clima agradável entre os alunos.

Dar apelido, humilhar e excluir são atos que muitas vezes levam à evasão escolar e geram problemas psíquicos dos alunos que sofrem bullying. Ao se tratar de estudantes com deficiência, esse processo é potencializado, considerando as suas limitações. A escola tem a responsabilidade de desenvolver o respeito à diversidade, legitimação de valores, ou seja, a pluralidade cultural indispensável para uma escola inclusiva.

O psicopedagogo Oliveira13 destaca que o bullying compromete a socialização, entendida como um processo que implica a assimilação da cultura, dos valores, dos hábitos, das crenças do grupo em que o sujeito está inserido, pois o indivíduo que sofre o bullying tende ao isolamento e exílio, não podendo, portanto, se abrir para o processo de socialização a partir da convivência sadia com os amigos, colegas e/ou familiares.

Daí a necessidade de professores e pais ficarem atentos aos diversos sinais que os alunos e/ou filhos vítimas de bullying vão apresentando. Ao nos referirmos às consequências do bullying para a escola, não falamos apenas dos diretamente envolvidos, mas de toda a escola, enquanto instituição, e de seus componentes, que podem sofrer essas consequências.

"A escola deixa de ser vista como o espaço democrático e igualitário que deveria ser e passa a ser reconhecida como um espaço de exclusões. O ideal de escola como espaço promotor de socialização, de aprendizagem e de desenvolvimento fica questionado. Sendo assim, as escolas não podem manter-se na posição de desconhecedoras ou de amenizadoras, pelo receio de perder a confiança da sociedade ou de perder alunos; ao contrário, devem reconhecer as transformações, os problemas sociais e admitir que a escola não está imune ao fenômeno. Por isso, além de promover o acesso à cultura e o desenvolvimento de seus alunos, ela precisa contribuir para que processos de sofrimento psíquico causados pela violência escolar sejam interrompidos". (Rossato & Rossato10)

Por desconhecimento da problemática do bullying nas escolas e dos sintomas por parte de quem sofre constantemente essa espécie de violência, há a procura dos pais pelos consultórios de psicologia, relatando a resistência que seus filhos vêm apresentando no momento de sair para a escola e que tem se tornado cada vez mais frequente na sociedade brasileira.

Oliveira13 descreve o comportamento que vai desde a simples recusa a ir para a aula à apresentação de sintomas como dores de cabeça, vômito, diarreia, febre, sudorese, taquicardia, dores musculares, entre outros. Nessas condições, ir para a escola torna-se uma tortura para esses alunos.

Portanto, é essencial que os educadores e os pais saibam identificar esses sintomas que a maioria das vezes as vítimas de bullying apresentam, a fim de que possam tomar as possíveis providências e saibam buscar caminhos fecundos de mediação e resolução dessa problemática.

De acordo com Silva7, as informações sobre o comportamento das vítimas devem incluir os diversos ambientes que elas frequentam:

- "Na escola: no recreio encontram-se isoladas do grupo, ou perto de alguns adultos que possam protegê-las; na sala de aula apresentam postura retraída, faltas frequentes às aulas, mostram-se comumente tristes, deprimidas ou aflitas; nos jogos ou atividades em grupo sempre são as últimas a serem escolhidas ou são excluídas; aos poucos vão se desinteressando das atividades e tarefas escolares; e em casos mais dramáticos apresentam hematomas, arranhões, cortes, roupas danificadas ou rasgadas.

- Em casa: frequentemente se queixam de dores de cabeça, enjoo, dor de estômago, tonturas, vômitos, perda de apetite, insônia. Todos esses sintomas tendem a ser mais intensos no período que antecede o horário de as vítimas entrarem na escola. Mudanças frequentes e intensas de estado de humor, com explosões repentinas de irritação ou raiva. Geralmente elas não têm amigos ou, quando têm são bem poucos; existe uma escassez de telefonemas, e-mails, torpedos, convites para festas, passeios ou viagens com o grupo escolar. Passam a gastar mais dinheiro do que o habitual na cantina ou com a compra de objetos diversos com o intuito de presentear os outros. Apresentam diversas desculpas (inclusive doenças físicas) para faltar às aulas." (Silva7).

O perfil da família – perfil dos pais e consequências

A pesquisa realizada por Ramos & Barboza8 pontua os perfis dos pais, a saber: com o perfil dos pais democráticos, teremos jovens com maior confiança em si mesmos, os quais não costumam ser motivo para problemas, têm bom desenvolvimento mental e escolar. Estes são considerados os pais ideais, pois conseguem combinar a comunicação com a afetividade que devem dispensar aos filhos e atitudes responsáveis a serem tomadas pelos mesmos. O perfil dos pais indiferentes, que geralmente terão em seus filhos condutas condizentes com as do agressor (bully). Jovens com esse tipo de pais podem apresentar problemas com o uso excessivo de álcool, ou drogas ilícitas, agressividade, baixo desempenho escolar e condutas antissociais, bem como baixa autoestima8.

Assim, também poderão se desenvolver os filhos de pais permissivos, cujo controle sobre a conduta do jovem lhes foge, com papel bem parecido ao de filhos com pais indiferentes. Não podemos deixar de mencionar os pais autoritários, cujos filhos provavelmente se tornarão obedientes e conformistas. Há possibilidade de vermos nesse filho a vítima anteriormente citada, uma vez que desenvolve características como baixa autoestima e depressão.

"Na sociedade atual, os pais passaram a ser permissivos em excesso e os filhos cada vez mais egocêntricos. As crianças tendem a se comportar em sociedade de acordo com os modelos domésticos. Muitos deles não se preocupam com as regras sociais, não refletem sobre a necessidade delas no convívio coletivo e, nem se preocupam com as consequências dos seus atos transgressores" (Silva7).

Sobre isso, Rossato & Rossato10 comentam que "é encontrado ainda entre os pais o surgimento de sintomas depressivos, com grande impacto sobre sua autoestima, numa avaliação negativa de si que repercute seriamente em suas relações familiares e sociais".

Baseados nesses perfis, podemos perceber que as atitudes dos pais estão diretamente ligadas ao comportamento dos filhos em relação aos seus colegas e àqueles que estão ao seu redor, determinando assim como eles reagirão frente ao fenômeno bullying.

Para Lemos14, "a influência familiar é definidora no desenvolvimento da estrutura psicológica da criança, e, portanto, os pais devem se comprometer a oferecer, desde o nascimento, uma formação digna, respeitosa e saudável".

Consequência no processo ensino-aprendizagem

Esse fenômeno compromete o processo ensino-aprendizagem por condicionar as crianças a viverem episódios de horror, medo e angústia regularmente, o que as impede de desejar aprender, de socializar e de desfrutar plenamente dos momentos que lhes são oferecidos numa instituição escolar para propiciar o seu desenvolvimento.

Lemos14 conclui que "o bullying é capaz de desenvolver sérios comprometimentos ao processo de aprendizagem, pois desenvolve na instituição educacional um ambiente nocivo não somente às vítimas, mas a todos, direta ou indiretamente envolvidos".

Por sua vez, Silva7 revela que os principais problemas que uma vítima de bullying pode enfrentar na escola e ao longo da vida e as consequências são as mais variadas possíveis e dependem muito de cada indivíduo, da sua estrutura, de vivências, de predisposição genética, da forma e da intensidade das agressões. No entanto, todas as vítimas, sem exceção, sofrem com os ataques de bullying (em maior ou menor proporção).

"Os problemas mais comuns são: desinteresse pela escola; problemas psicossomáticos; problemas comportamentais e psíquicos como transtorno do pânico, depressão, anorexia e bulimia, fobia escolar, fobia social, ansiedade generalizada, entre outros. O bullying também pode agravar problemas preexistentes, devido ao tempo prolongado de estresse a que a vítima é submetida. Em casos mais graves, podem-se observar quadros de esquizofrenia, homicídio e suicídio". (Silva7)

Não podemos negar que vítima e agressor se assemelham em uma única coisa: ambos tiveram sua identidade ou personalidade deterioradas.

"A maior preocupação existente para com o agressor é o fato da quebra com todas as regras, ao ponto de chegar à delinquência, podendo cometer delitos. A vítima nos preocupa pelo fato de ter totalmente comprometido seu aprendizado, suas funções psicológicas e sua capacidade de se socializar, além do seu desenvolvimento cognitivo muitas vezes poder se deteriorar". (Ramos & Barboza8)

As vítimas desse fenômeno são feridas na área mais preciosa e inviolável do ser –a sua alma.

Fante15 afirma que "a ação do agressor acaba se irradiando numa ação coletiva e as causas desse comportamento são relacionadas à carência afetiva, à ausência de limites e ao poder dos pais sobre os filhos, seja por maus tratos físicos e explosões emocionais violentas".

De acordo com a teoria da Psicopedagogia14, em que o aprendizado envolve a forma preventiva e terapêutica, faz-se necessário que o enfoque seja o processo de aprendizagem como um todo, a fim de descobrir as barreiras que impedem a aprendizagem. A autora destaca que tanto os fatores biológicos (intrínsecos) como os sociais (extrínsecos) têm importância na influência positiva ou negativa do processo de aprendizagem.

A escola e a família são definitivamente contribuintes para o desenrolar saudável ou de um fracasso na aprendizagem. Assim, como a aprendizagem participa de um processo, a não aprendizagem também. A Psicopedagogia visa desenvolver um trabalho com a criança, a família e a escola, sensibilizando-os sobre a importância de sua conduta14.

 

CONCLUSÃO

Como a escola pode ser espaço para discussão e superação do bullying

No presente capítulo temos como propósito abordar alguns caminhos de como a escola pode ser um espaço preponderante para discussão e superação da questão do bullying, buscando assim garantir uma educação inclusiva.

Superação do bullying como fundamento de educação inclusiva no contexto das escolas brasileiras

A questão do bullying representa uma das maiores formas de violência escolar no Brasil; violência essa que tem minado as relações sociais no seio do contexto escolar, visto que o bullying gera evasão escolar, isolamento no processo de socialização e problemas psicológicos por parte dos alunos que sofrem a violência do bullying. Essa realidade tem sufocado o processo de ensino e aprendizagem nas escolas brasileiras, o que dificulta a implementação da educação inclusiva nesses espaços.

Por outro lado, por falta de um conhecimento aprofundado a respeito dessa problemática, os pais, professores e gestores escolares encontram grandes dificuldades no processo de identificação e mediação de situações de bullying vivenciadas pelos alunos na escola.

Além do espaço de ensino e aprendizagem, podemos afirmar que a escola é uma das maiores instituições humanas de socialização, que é frequentada por parte da população no mundo todo. Todavia, a problemática do bullying inibe com que a escola cumpra plenamente com sua missão, a saber: ensino, aprendizagem e socialização.

"A escola é corresponsável nos casos de bullying, pois é lá onde os comportamentos agressivos e transgressores se evidenciam ou se agravam na maioria das vezes. A direção da escola (como autoridade máxima da instituição) deve acionar os pais, os Conselhos Tutelares, os órgãos de proteção à criança e ao adolescente etc. Caso não o faça, poderá ser responsabilizada por omissão. Em situações que envolvam atos infracionais (ou ilícitos) a escola também tem o dever de fazer a ocorrência policial". (Silva7)

Para reduzir o bullying nas escolas, deve-se levar em consideração que não existem soluções simples para combater o bullying. Trata-se de um problema complexo e de causas múltiplas. Portanto, cada escola deve desenvolver sua própria estratégia para reduzi-lo.

"A escola deve agir precocemente contra o bullying. Quanto mais cedo o bullying cessar, melhor será o resultado para todos os alunos. Intervir imediatamente, tão logo seja identificada a existência de bullying na escola e manter a atenção permanente sobre isso, é a estratégia ideal. A única maneira de se combater o bullying é através da cooperação de todos os envolvidos: professores, funcionários, alunos e pais". (Rossato & Rossato10)

Conforme observado por Reis & Omodei2, "a educação inclusiva é uma realidade atualmente desafiadora para as escolas, pois o direito a educação não é apenas pelo acesso à matrícula escolar, mas pela participação e aprendizado dos estudantes no convívio escolar". Quando não respeitamos as diferenças e nos manifestamos com atitudes discriminatórias, estamos sendo preconceituosos e, muitas vezes, transformamos essa intolerância em práticas de bullying, não respeitando as pessoas como elas são.

A educação inclusiva no Brasil

Conforme descrito por Silva7, na história brasileira, a pessoa com deficiência foi tratada de várias maneiras.

Nas populações indígenas, as crianças com alguma deformidade física eram abandonadas e excluídas do convívio social. Entre os negros escravizados, a deficiência física e sensorial pode ser em decorrência dos inúmeros castigos físicos aplicados; os colonos portugueses adquiriram limitações físicas ou sensoriais devido às condições climáticas, e, no século XIX, a principal causa de deficiência eram os conflitos militares.

O fortalecimento da educação inclusiva ocorreu a partir da década de 1990, com as conferências de Jontiem, em 1990, e a de Salamanca, em 1994. Muitos países, nesse último evento, foram signatários dessa luta: permitir que as minorias sociais possam estudar nas escolas regulares, sem nenhum tipo de segregação.

O Brasil foi um desses países e os dados mostram o êxito na implementação dessa proposta. Mas há obstáculos, e um deles se refere à educação inclusiva, que tem se voltado para os alunos com deficiência, quando deveria se dirigir a todas as minorias que, por diversos motivos, não podem frequentar a escola ou têm dificuldades de nela permanecer. Outro obstáculo é que as escolas não têm se modificado para incluir todas as minorias que deveriam conter; os alunos considerados em situação de inclusão podem até ser integrados, mas não incluídos11.

No estudo que abordou a inclusão e deficiência intelectual: escola especial e comum sob a óptica dos próprios alunos, realizado por Maturana & Mendes16, os autores observaram que muitas dúvidas surgem com relação à inclusão escolar de alunos com deficiência intelectual. Vale atentar que todo esse processo envolve um sujeito, o aluno, que é o maior interessado em seu processo de escolarização, seja na escola comum, seja na especial.

Considerar suas emoções, sentimentos e concepções sobre as formas de escolarização é o primeiro passo para inserir o aluno como sujeito ativo, propiciando sua participação e de sua família no processo de transferência escolar. Logo, é necessário que a atuação de todos os profissionais atuantes na escola considere a relação entre os alunos com seus pares na elaboração de práticas inclusivas, uma vez que, nos casos em questão, fica clara a influência das zombarias e do bullying na percepção dos alunos sobre suas escolas e sobre suas próprias potencialidades e capacidades de aprendizagem.

Possíveis caminhos para identificação e superação de fenômenos de bullying

Sabe-se que na maioria das vezes as vítimas não contam para ninguém que sofrem bullying por vergonha, o que dificulta a identificação dos casos no ambiente escolar. É preciso reconhecer as necessidades dos alunos e remover os obstáculos que tornam a escola exclusiva.

"Para isso, é preciso que o educador seja curioso, exteriorize os problemas, elabore questões que levem o aluno a expressar experiências pessoais, reaja com questões que tratem do assunto em foco"2.

Fante15 ainda cita que "as crianças portadoras de deficiências físicas e de necessidades especiais correm maiores riscos de se tornarem vítimas de bullying, em cerca de duas a três vezes maiores do que as crianças consideradas normais".

No estudo de Fante15, o bullying ocorre em 100% das escolas brasileiras, particulares ou não. A autora observou a pouca conscientização da realidade do fenômeno nos meios educacionais, além do despreparo dos profissionais desse setor para lidarem com a violência, pois alguns educadores ainda acreditam que esse tipo de relação é "normal", ou seja, encontrar nas escolas os grupos que "dominam" e os que "são dominados" e que cabe aos alunos aprenderem sozinhos a conviver e lidar com essas situações, pois "faz parte da vida".

"Os profissionais da educação devem intervir com ações que estimulem a prática de inclusão social e o respeito às diferenças, preparando o educando para qualquer situação adversa, com intuito de possibilitar ao indivíduo tornar-se protagonista de sua própria história"2.

Nesse contexto um possível trabalho do docente deve ser a construção de relações válidas e importantes em sala de aula; o aluno é alguém com quem o professor pode e deve contar, resgatando sua autoestima e capacidade de aprender.

"Sabe-se que o professor em sala de aula instrui, explica, informa, questiona e corrige o aluno, fazendo-o explicitar seus conceitos espontâneos. A ajuda do adulto permite à criança resolver os problemas complexos que não poderia enfrentar se fosse deixada à mercê da vida cotidiana. Como resultado, a intervenção das pessoas mais experientes na vida das crianças, criando-lhes espaços diferenciados de interlocução, parece ser fundamental para o desenvolvimento e a constituição de seu ser social". (Silva3)

"Todos os profissionais do âmbito escolar devem estar envolvidos no processo, comprometidos com a elaboração de campanhas, trabalhos específicos, parcerias com a família e demais profissionais, para que possam se orgulhar, no futuro, de um ambiente sadio e pacífico que estimularam, em decorrência do desenvolvimento de uma vinculação entre cognição e afeto dentro do ambiente escolar". (Lemos14)

Para Cury17, "o diálogo é a ferramenta educacional insubstituível. Deve haver autoridade na relação pai-filho e professor-aluno, mas a verdadeira autoridade é conquistada com inteligência e amor".

Segundo Freire18, "faz parte igualmente do pensar certo a rejeição mais decidida a qualquer forma de discriminação. A prática preconceituosa de raça, de classe, de gênero ofende a substantividade do ser humano que nega radicalmente a democracia".

"Outra atitude importante dos pais é a de se preocuparem com as atitudes e os exemplos e participar da vida social e escolar dos filhos, pois uma família equilibrada tende a gerar filhos equilibrados", afirma Chalita19.

Segundo Lopes Neto & Saavedra20, "todos devem estar de acordo com o compromisso de que o bullying não será mais tolerado. As estratégias devem ser definidas em cada escola e o incentivo ao protagonismo dos alunos, com a participação nas decisões e no desenvolvimento do projeto, é uma garantia de maior sucesso".

Tiba21 ainda afirma que "o educador é um profissional que pode interagir na prevenção e resolução dos problemas ocasionados na escola. Observar com atenção o comportamento dos alunos deve ser o primeiro passo, dentro e fora de sala, e perceber se há deficiências individuais no rendimento escolar. Incentivar a solidariedade, a generosidade e o respeito às diferenças, através de conversas, trabalhos didáticos e até de campanhas de incentivo à paz e à tolerância".

"No Brasil, o Programa Educar para a Paz tem como objetivos propostos considerar que os alunos se conscientizem do fenômeno e de suas consequências; que interiorizem os valores humanos, desenvolvendo a capacidade de empatia". (Fante15)

Ramos & Barboza8 citam que com o reconhecimento do fenômeno em si já se inicia a prevenção. Esse reconhecimento tem como intuito solucionar, ou amenizar, os problemas que o bullying causa em sala de aula. Para que isso efetivamente ocorra, é necessária a mobilização de muitos profissionais, como: professores, inspetores, diretores, coordenadores, responsáveis pela criança em questão, assim como auxílio de ajuda especializada, entre eles, estão psicólogos e psicopedagogos. Além, é claro, de contar com o apoio e o auxílio dos alunos.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em virtude do crescente número de casos noticiados na mídia geral no mundo todo, e, em especial, no Brasil, o debate sobre esse desvio comportamental identificado no âmbito escolar deve ser o foco de ações e programas que auxiliem na educação de crianças, adolescentes e também de adultos contra esse comportamento. Válido também enfatizar que surgem várias ferramentas de aceitação pessoal que auxiliam as vítimas a compreenderem que não há nenhum problema com elas, mas sim com a sociedade, que é a única responsável pela formação cidadã do indivíduo e a extirpação dos preconceitos e discriminações sociais.

O bullying é um padrão diferente que promove em uma ação prejudicar, causar dano e humilhar o outro de menor ou nenhum poder. Na maioria das vezes, a vítima é alguém fragilizada e vulnerável frente ao agressor que na sua ação deliberada e duradoura quase sempre obtém êxito. Infelizmente, atualmente as crianças crescem com a ausência de experiências que impulsionam o desenvolvimento de habilidades sociais.

A escola é um dos mais importantes meios para a formação do sujeito e precisa se conscientizar de sua responsabilidade na formação de valores para garantir o convívio sadio entre os estudantes, no sentido de apontar caminhos para acabar com os casos de bullying e reconhecer seu papel no processo de uma escola inclusiva.

Investir na parceria com a família e a comunidade escolar, no aperfeiçoamento profissional dos educadores, no desenvolvimento de novas competências para a construção de um novo sentido para a educação, e de um novo relacionamento na escola para a viabilização de uma escola inclusiva.

O processo de estigmatização do ser humano é tão perverso no bullying que as vítimas muitas vezes chegam ao "fundo do poço" da baixa autoestima e podem até cometer o ato de suicídio.

Por essa razão, a escola deve estar atenta e intervir nos pequenos atos de agressividade dirigidos ao outro para que não se transformem em desrespeito ou até mesmo violência, pois banalizá-la favorece o descaso frente ao compromisso educativo que deve assumir em relação ao ser humano e à sociedade. Além disso, ela precisa assumir seu papel no que diz respeito ao desenvolvimento de valores éticos desejáveis para que este processo de inclusão e respeito pelas diferenças possa ter continuidade na formação social do indivíduo.

A escola deve incluir no Projeto Político Pedagógico disciplinas focadas no conhecimento e prática de cidadania e dos direitos e garantias fundamentais consagrados pela Constituição Federal, assim como o problema de bullying e suas consequências para atores, vítimas, testemunhas e toda a comunidade envolvida.

Torna-se imprescindível aos professores e pais a identificação rápida do problema para seu devido tratamento, para que crianças e adolescentes do amanhã não tenham um futuro comprometido. É dever não só do professor, mas do ser humano, ajudar outro quando este estiver em perigo, ou causar perigo aos demais. Cabe lembrar que a família não deve deixar que a situação somente seja resolvida pela escola, devendo contribuir com uma participação ativa.

A escola, em parceria com a família, tem a tarefa de viabilizar aos alunos um ambiente equilibrado, que favoreça na construção de indivíduos participativos, autênticos e confiantes, assim sendo, estarão formando pessoas que se amam, se cuidam, que assumem suas qualidades, bem como suas limitações.

 

REFERÊNCIAS

1. Sposito MP. Um breve balanço da pesquisa sobre violência escolar no Brasil. Educ Pesqui. 2001;27(1):87-103.

2. Reis LJT, Omodei JD. Educação inclusiva e bullying: a visão do outro. Educ Artes Inclusão [Internet]. 2015 [acesso 2018 Set 5];11(2)120-40. Disponível em: http://www.revistas.udesc.br/index.php/arteinclusao/article/viewFile/7193/4959

3. Silva AB. O papel do professor no combate ao bullying na educação inclusiva [Internet]. In: II Congresso Internacional de educação Inclusiva; 2016 Nov 16-18; Campina Grande, PB, Brasil [acesso 2018 Set 5]. p. 1-12. Disponível em: https://editorarealize.com.br/revistas/cintedi/trabalhos/TRABALHO_EV060_MD1_SA10_ID2216_01092016235501.pdf

4. Souza CP, Almeida LCP. Bullying em ambiente escolar. Enciclopédia Biosfera [Internet]. 2011 [acesso 2018 Set 5];7(12):179-90. Disponível em: http://www.conhecer.org.br/enciclop/conbras1/bullying.pdf

5. Tarouca A, Pires P. Bullying Não Recursos Digitais [Internet]. Lisboa: Instituto de Apoio à Criança (IAC); 2011 [acesso 2018 Set 5]. Disponível em http://www.iacrianca.pt/images/stories/koha/publ_bullying_nao_.pdf

6. Oliveira-Menegotto LM, Pasini AI, Levandowski G. O bullying escolar no Brasil: uma revisão de artigos científicos. Psicol Teor Prat. 2013;15(2):203-15.

7. Silva ABB. Bullying Cartilha 2010-Projeto Justiça nas Escolas [Internet]. 3ª ed. Brasília: Conselho Nacional de Justiça; 2010 [acesso 2018 Set 5]. Disponível em http://www.crianca.mppr.mp.br/arquivos/File/publi/cnj/cartilha_bullying.pdf

8. Ramos ALM, Barboza AES. Bullying -um obstáculo na vida e na aprendizagem. ECCOM [Internet]. 2012 [acesso 2018 Set 5];3(5):69-84. Disponível em: http://unifatea.com.br/seer3/index.php/ECCOM/article/view/585/536

9. Zequinão MA, Medeiros P, Pereira B, Cardoso FL. Bullying escolar: um fenômeno multifacetado. Educ Pesqui [Internet]. 2016 [acesso 2018 Set 5];42(1):181-98. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S1517-970220 1603138354

10. Rossato G, Rossato SM. Educando Para a superação do Bullying escolar. São Paulo: Edições Loyola; 2013. p. 49-50.

11. Crochik JL. Fatores Psicológicos e Sociais Associados ao Bullying. Rev Psicol Polít [Internet]. 2012 [acesso 2018 Set 5];12(24):211-29. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/rpp/v12n24/v12n24a03.pdf

12. Malta DC, Silva MA, Mello F, Monteiro RA, Sardinha LMV, Crespo C, et al. Bullying nas escolas brasileiras: resultados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), 2009. Ciênc Saúde Coletiva. 2009;15(Suppl 2): 3065-76.

13. Oliveira EC. O bullying na escola: como alunos e professores lidam com esta violência? Rev Fundamentos. 2015;2(1):118-37.

14. Lemos ACM. Uma visão psicopedagógica do bullying escolar. Rev Psicoped [Internet]. 2007 [acesso 2018 Set 5];24(73):68-75. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/psicoped/v24n73/v24n73a09.pdf

15. Fante C. O fenômeno bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz. 2ª ed. Campinas: Verus; 2005.

16. Maturana APPM, Mendes EG. Inclusão e deficiência intelectual: escola especial e comum sob a óptica dos próprios alunos. Educ Rev. 2017;66:209-26.

17. Cury AJ. Pais brilhantes, professores fascinantes. Rio de Janeiro: Sextante; 2003.

18. Freire P. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra; 1996.

19. Chalita G. Pedagogia da amizade - Bullying: o sofrimento das vítimas e dos agressores. São Paulo: Editora Gente; 2008.

20. Lopes Neto AA, Saavedra LH. Diga não para o bullying. Programa de redução do comportamento agressivo entre estudantes. Rio de Janeiro: ABRAPIA; 2003.

21. Tiba I. Quem ama educa. São Paulo: Editora Gente; 2002.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1. Graduação em Pedagogia, Universidade Paulista (UNIP) - Polo Jabaquara (EAD), São Paulo, SP, Brasil
2. Graduação em Pedagogia, Universidade Paulista (UNIP) - Polo Jabaquara (EAD), São Paulo, SP, Brasil
3. Graduação em Pedagogia, Universidade Paulista (UNIP) - Polo Jabaquara (EAD), São Paulo, SP, Brasil

 

Correspondência

Paola Raffaella Arabbi Humpel
Rua Tutóia, 235/51 – Paraíso
São Paulo, SP, Brasil – CEP: 04007-000
E-mail: phumpel3@gmail.com

Artigo recebido: 27/05/2019
Aceito: 21/08/2019

Conflito de interesses: Os autores declaram não haver. Trabalho Monográfico – Curso de Graduação – Licenciatura em Pedagogia, apresentado à comissão julgadora da UNIP EaD sob a orientação da professora Gledis Guerra.


Trabalho realizado na Universidade Paulista (UNIP) - Polo Jabaquara, São Paulo, SP, Brasil.