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13 resultado(s) para: Renata Mousinho

O falante inocente: linguagem pragmática e habilidades sociais no autismo de alto desempenho

Renata Mousinho

Rev. Psicopedagogia 2010;27(84):385-394 - Artigo de Revisão

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INTRODUÇÃO: Existe uma relação estreita entre as habilidades sociais e a linguagem pragmática.
OBJETIVO: Tendo em vista que a "inocência" apresentada por indivíduos com Autismo de Alto Desempenho (AAD), que apresenta correlação direta com prejuízos nas habilidades sociais, este artigo tem como objetivo definir quais aspectos da linguagem contribuem para isso.
MÉTODO: Para tal, lança mão da Teoria Cognitiva da linguagem, uma vez que preconiza uma ponte entre aspectos linguísticos, cognitivos e sociais. O paralelo entre o Falante Inocente de Fillmore (1979) e dados de pesquisas anteriores (Mousinho, 2003; 2010) e testemunhos extraídos de autobiografias de indivíduos com AAD (Grandin & Scariano, 1986; Williams, 1992) foi a articulação escolhida para o objetivo traçado.

Interrelação entre processamento fonológico e compreensão leitora do 2º ao 4º ano do ensino fundamental: um estudo longitudinal

Renata Mousinho; Jane Correa

Rev. Psicopedagogia 2010;27(82):27-35 - Artigo Original

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INTRODUÇÃO: A relação entre as habilidades linguístico cognitivas do processamento fonológico para a compreensão de textos lidos é examinada ao longo do 2º, 3º e 4º anos do ensino fundamental.
MÉTODO: Foram entrevistadas individualmente 45 crianças durante 3 anos sequenciais, no início do ano letivo, para a avaliação da compreensão da leitura e cada uma das habilidades fonológicas: consciência fonológica, memória de trabalho e nomeação automatizada.
RESULTADOS: Todas as habilidades do processamento fonológico correlacionaram-se significativamente com a compreensão leitora no início do processo de letramento escolar. Nesta fase, a compreensão mostra-se ainda depende do automatismo da leitura, que deve ser precisa, veloz e fluente.
CONCLUSÃO: A memória de trabalho fonológica, bem como a consciência silábica, correlacionaram-se com a compreensão em todas as séries estudadas, sugerindo a importância das habilidades de processamento fonológico na dinâmica de integração do texto no ato de leitura.

Avaliação de adultos com dificuldades de leitura

Sara Peres; Renata Mousinho

Rev. Psicopedagogia 2017;34(103):20-32 - Artigo Original

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Considerando a necessidade de instrumentos para a avaliação de adultos com dificuldades de leitura, o objetivo do presente estudo é comparar o desempenho de indivíduos com e sem queixas de dificuldades de leitura, por meio de instrumentos que avaliam as habilidades fonológicas, de leitura e de escrita. Por esta análise, verificar quais destes instrumentos se mostraram mais sensíveis na comparação entre o grupo com e sem dificuldade de leitura. Participaram da pesquisa 10 indivíduos sem dificuldades de leitura e 20 indivíduos com dificuldades, com idades entre 17 e 48 anos. Foram avaliadas as habilidades de leitura, de escrita e as habilidades fonológicas. Os resultados mostraram desempenhos significativamente piores pelo grupo com dificuldades na nomeação automatizada rápida de objetos e letras, memória de trabalho, consciência fonológica, ortografia, velocidade de leitura e compreensão no teste cloze. Assim como visto na literatura, os testes que melhor diferenciam indivíduos com e sem dificuldades de leitura são os que avaliam as habilidades de leitura, de escrita, consciência fonológica, nomeação automatizada rápida e memória de trabalho.

A eficácia das oficinas de estimulação em um modelo de resposta à intervenção

Bartira Silva; Thamires Luz; Renata Mousinho

Rev. Psicopedagogia 2012;29(88):15-24 - Artigo Original

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INTRODUÇÃO E OBJETIVOS: Este trabalho comparou a velocidade de leitura e compreensão das crianças e adolescentes avaliados, em dois momentos: antes e depois das oficinas, por meio da proposta de Resposta à Intervenção fonológica, considerando-se também tipo de intervenção e diferentes diagnósticos.
METODOLOGIA: Foram coletados resultados de avaliação e reavaliação da velocidade de leitura oral e compreensão textual em 19 crianças, do 3º ao 7º ano escolar, que ficaram em oficina de fonoaudiologia e pedagogia no período 2010-2 a 2011-1. Foram realizados dois experimentos. Experimento 1: a eficácia das oficinas foi estabelecida pela comparação pré e pós-teste. Realizou-se o refinamento do experimento 1 pela análise da eficácia das oficinas por diagnósticos. Experimento 2: dividiu as crianças em dois grupos: intervenção individual (G1) e em grupo (G2).
RESULTADOS: No experimento 1 houve diferença estatisticamente significante na comparação pré e pós-teste nos parâmetros velocidade e compreensão de leitura. Ao refinar a pesquisa, não se observou diferença estatística por diagnóstico. Já no experimento 2 não foi verificada diferença estatisticamente significante entre G1 e G2.
DISCUSSÃO: Ao considerar a velocidade de leitura oral e a compreensão, a eficácia das oficinas corrobora outros estudos. Várias pesquisas ressaltam a importância dos diferentes tipos de intervenção e a relevância deste para a identificação diagnóstica.
CONCLUSÃO: Independente do diagnóstico e proposta de intervenção, todas as crianças apresentaram melhora relevante no pré e pós-teste em relação a velocidade e compreensão de leitura. A eficácia similar na intervenção em grupo e individual demonstrou que a primeira proposta pode ajudar a suprir a alta demanda do SUS na área.

Quem canta, seus males espanta: um ensaio sobre autismo, cegueira, canto, inclusão, superação e sucesso

Renata Mousinho; Andrea Câmara; Carla Gikovate

Rev. Psicopedagogia 2016;33(101):196-205 - Artigo Original

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Autismo é uma desordem neurobiológica caracterizada por dificuldades sociais, de comunicação e interesses restritos. Estima-se que cerca de 10% dos autistas apresentem talentos, dentre eles, o musical. Há hipóteses cognitivas que podem estar subjacentes ao aparecimento de tais talentos. O artigo foi baseado na trajetória de um jovem, autista e cego, na Faculdade de Música de uma grande universidade federal, expondo os desafios e soluções encontrados por ele e pela equipe educacional ao longo deste percurso. Para vencer as dificuldades foi necessária observação detalhada, criar e repensar as estratégias para o dia-a-dia, assim como um constante "acreditar" de todos que estavam envolvidos. Espera-se que tal experiência, discutida à luz das Neurociências, possa ser generalizada, servindo de modelo e inspiração para educadores de diversas áreas.

A eficácia de estratégias de remediação fonoaudiológica na avaliação das dificuldades de aprendizagem

Lia Pinheiro; Jane Correa; Renata Mousinho

Rev. Psicopedagogia 2012;29(89):215-225 - Artigo Original

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OBJETIVOS: Analisar a eficácia da intervenção fonoaudiológica utilizando estratégias de remediação na avaliação das dificuldades de aprendizagem como no desenvolvimento de habilidades linguístico-cognitivas relacionadas ao aprendizado da leitura. A utilização da metodologia de resposta à intervenção visa distinguir dificuldades transitórias daquelas que indicariam transtornos específicos de aprendizagem.
MÉTODO: Foram estudados os protocolos de avaliação e intervenção aplicados em 48 crianças do 1º ano do Ensino Fundamental de escola federal de ensino da cidade do Rio de Janeiro. As mesmas foram reavaliadas quanto às habilidades linguístico-cognitivas, após um ano de intervenção fonoaudiológica, a fim de investigar os benefícios de tal estimulação.
RESULTADOS: Todas as crianças se beneficiaram da intervenção, porém, os efeitos desta foram mais expressivos em crianças com alteração em poucos componentes do processamento fonológico. As crianças que apresentaram déficits importantes no processamento fonológico obtiveram ganhos nessa habilidade, mas parecem demorar mais para transpor esses avanços para as habilidades de leitura.
CONCLUSÃO: A intervenção precoce se mostrou eficaz na estimulação do processamento fonológico, quer na prevenção quer na remediação de dificuldades na aprendizagem da leitura.

Análise da escrita de escolares com e sem dificuldades no início da segunda etapa do Ensino Fundamental

Larissa Haniel Rodrigues de Almeida; Renata Mousinho

Rev. Psicopedagogia 2018;35(106):42-50 - Artigo Original

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OBJETIVO: Caracterizar as falhas na escrita de crianças do 6º ano, comparando grupos com e sem dificuldades.
MÉTODOS: Participaram 30 crianças divididas em dois grupos: sem dificuldades de escrita (G1) e com dificuldades de escrita (G2). Foi proposta a elaboração de uma narrativa escrita e, então, foram analisados os critérios adotados em cada nível. No nível da palavra, o percentual de erros nos diversos tipos (regular, regra fonológica, regra morfossintática, irregular) em relação ao total de palavras do texto; no nível da frase, as falhas na pontuação (0 a 5), uso de letras maiúsculas (0 a 2), uso de elementos coesivos (0 a 3); no nível do texto, o número total de palavras e o nível da narrativa (1 a 5).
RESULTADOS: Os parâmetros que mais diferenciaram os grupos participantes da pesquisa foram o número de erros em palavras regulares, com regras morfossintáticas, o uso de maiúsculas e elementos de coesão, assim como a quantidade de palavras e o grau de complexidade da narrativa.
CONSIDERAÇÕES FINAIS: Verificou-se que o G1 obteve melhor desempenho na maioria dos critérios abordados e que o G2 apresentou desempenho significativamente pior, o que parece indicar que as caraterísticas da alteração na linguagem escrita podem trazer prejuízos significativos principalmente no âmbito escolar.

Parceria saúde-educação na UFRJ: compartilhando experiências

Renata Mousinho; Claudia Tavares Ribeiro; Gláucia M. M. Martins

Rev. Psicopedagogia 2010;27(83):163-170 - Artigo Original

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OBJETIVO: Verificar os ganhos da parceria educação-saúde na experiência da fonoaudiologia da UFRJ com o CApUFRJ.
MÉTODO: Análise quantitativa - participaram da pesquisa crianças que cursaram o 1º ano em 2007, com idade média de 6,4 anos, em três momentos distintos: no início do primeiro ano e no início e no fim do segundo ano letivo. A primeira avaliação serviu para determinar os grupos de alfabetizados e não alfabetizados na entrada da escola. Nas duas avaliações subsequentes, foram investigadas a velocidade, a compreensão, a fluência e a precisão de leitura. Análise qualitativa - impressões sobre o impacto nos alunos, na família e na equipe profissional da escola.
RESULTADOS: No início do ano letivo, a discrepância entre os grupos mostrou-se bastante importante em todos os parâmetros avaliados, no fim do segundo ano, essa diferença foi bastante minimizada, tendo mesmo desaparecido em parte das habilidades investigadas; o impacto nas diversas categorias da comunidade escolar foi positivo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS: Em curto prazo de tempo, foi possível minimizar diferenças individuais que se impunham de forma gritante no momento do ingresso à instituição. Considerando a multifatoriedade das questões envolvidas no processo ensino-aprendizagem e os desafios postos à educação na atualidade, a parceria educação-saúde que vai sendo construída do CAp com o Setor de Fonoaudiologia da UFRJ é uma importante via de enfrentamento das dificuldades presentes e de produção de conhecimento na área.

Compreensão, velocidade, fluência e precisão de leitura no segundo ano do ensino fundamental

Renata Mousinho; Fernanda Mesquita; Josi Leal; Lia Pinheiro

Rev. Psicopedagogia 2009;26(79):48-54 - Artigo Original

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O objetivo geral deste trabalho é estabelecer correlações entre fluência, precisão, velocidade e compreensão de leitura no português do Brasil em estudantes do 2º ano do ensino fundamental, bem como suas relações com as habilidades metalinguísticas e cognitivas. A amostra foi formada por 45 crianças do 2º ano do ensino fundamental, com idade com média etária de 7,58 anos (desvio padrão de 3,793), tendo sido avaliados a velocidade de leitura, a leitura de palavras, a consciência fonológica, o span dígitos e repetição de não palavras e a nomeação automatizada rápida. A análise em Cluster definiu dois grupos, o Grupo 1, com leitura lenta, padrão silabado e poucas possibilidades de compreensão e o Grupo 2, com velocidade duas vezes mais rápida, padrão de pausado a fluente e interpretação eficiente. A correlação (Pearson) entre compreensão, padrão, velocidade e precisão de leitura foi considerada de alta significância estatística em todas as combinações possíveis. A compreensão apresentou alto nível de significância em quase todas as habilidades investigadas, sendo mais discreta apenas na repetição de não palavras. Esta alta significância estatística revelada mostra que estes podem ser bons indicadores precoces de dificuldades na área, associados às habilidades já mais amplamente descritas de consciência fonológica, nomeação automatizada rápida e memória de trabalho. Tais dados corroboram a literatura.

Caracterização do bullying em estudantes que gaguejam

Leila Nagib; Renata Mousinho; Gil Fernando da Costa Mendes de Salles

Rev. Psicopedagogia 2016;33(102):235-250 - Artigo Original

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OBJETIVO: Descrever o bullying em pacientes/estudantes com gagueira, suas variáveis sociodemográficas, relações familiares, caracterização e sentimentos da violência na escola e características por local, praticantes e alvo.
MÉTODO: Foram analisados 23 participantes, com idades de 10 a 17 anos, de ambos os sexos, com diagnóstico de gagueira acompanhados pelo Ambulatório especializado da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foram excluídos pacientes com alterações de comportamento ou transtornos de compreensão e cognição, ou sem frequência regular aos atendimentos.
RESULTADOS: Cerca de 40% dos pacientes afirmaram serem bem tratados por colegas; 34,8% relataram se sentirem rejeitados; 29,16% sofrem na escola. Mais de 80% têm bom relacionamento com os pais e mais de 70% residem com eles. 34,8% foram reprovados. 13% dos estudantes presenciaram agressão no lar, e 8,7% presenciaram colegas com estilete na escola e 4,3% com arma de fogo. 40% sofreram ameaça de violência física fora da sala; quase 80% se vingaram dos agressores. 78,3% estão descrentes com resolução da violência. Pouco mais de 1/4 se revelou vítima de bullying; 1/5 refere não ter qualquer amigo especial e 13% sentem-se bem com 2 ou 3, enquanto 4,3% não têm amigos. 13% sofreram agressão verbal na escola e 4,3% física, enquanto quase 9% ambas. Quase 80% negam provocar, entretanto 1/4 provocam.
CONCLUSÕES: Os resultados voltam-se ao desenvolvimento de estratégias defensivas aos ataques, motivando a autoestima e sentimento de igualdade aos demais.

Mediação escolar e inclusão: revisão, dicas e reflexões

Renata Mousinho; Evelin Schmid; Fernanda Mesquita; Juliana Pereira; Luciana Mendes; Renata Sholl; Vanessa Nóbrega

Rev. Psicopedagogia 2010;27(82):92-108 - Artigo Especial

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A mediação escolar passou a se tornar mais frequente a partir da Convenção de Salamanca. As escolas de todo o mundo tiveram que dar conta de incluir crianças que precisavam de ajuda em classes já existentes, muitas vezes com grande número de alunos e professores, cuja formação não havia se preocupado com esses aspectos. O mediador pode atuar como intermediário nas questões sociais e de comportamento, na comunicação e linguagem, nas atividades e/ou brincadeiras escolares, e nas atividades pedagógicas, nas limitações motoras ou da leitura, nos diversos níveis escolares. Um mediador estimulando a aquisição de linguagem e habilidades sociais no cotidiano escolar amplia a possibilidade da quantidade de estímulo recebido, como também a qualidade já que sempre ocorrerá em situação real de uso, diferente do que se pode proporcionar num consultório. Conhecer o aluno que será acompanhado pela mediação, discutir com a equipe pedagógica da escola e com a equipe de apoio terapêutico são pontos fundamentais. Apesar da figura do mediador ser considerada uma adaptação no espaço pedagógico, portanto garantido pela lei, não existe muita clareza quanto o papel e as atribuições deste profissional nem quanto à regulamentação da profissão.

Aquisição da linguagem figurada

Renata Mousinho; Bianca Deschamps; Kaliani Coça; Daniela Schuewk; Aline Marchi; Beatriz Rufino

Rev. Psicopedagogia 2009;26(80):200-206 - Artigo Original

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Objetivou-se, nessa pesquisa, determinar a fase da aquisição da linguagem em que se compreendem as diversas formas de linguagem figurada, favorecendo a compreensão de dificuldades que podem surgir neste percurso, envolvendo metonímias, metáforas e estruturas que envolvem humor. Foram utilizados parâmetros baseados na Linguística Cognitiva, inspirada em Estudos Interacionais e na Teoria dos Espaços Mentais, por meio das noções de projeção, mesclagem e mudança de enquadre. Os resultados destacaram uma relação hierárquica desses fenômenos. O domínio da projeção se deu entre 5/6 anos, da mudança de enquadre entre 7/8 anos e da mesclagem entre 8/9 anos.

Aquisição e desenvolvimento da linguagem: dificuldades que podem surgir neste percurso

Renata Mousinho; Evelin Schmid; Juliana Pereira; Luciana Lyra; Luciana Mendes; Vanessa Nóbrega

Rev. Psicopedagogia 2008;25(78):297-306 - Artigo de Revisão

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O desenvolvimento adequado da linguagem é um dos fatores fundamentais para que o desenvolvimento infantil ocorra de forma harmônica em todas as esferas, seja do ponto de vista social, relacional ou ao nos referirmos à aprendizagem formal. A aquisição da forma, conteúdo e uso da linguagem assumem papel importante na construção da mesma e na compreensão de sua organização interna. Entretanto, não são incomuns problemas que podem interferir neste curso. Este artigo se propõe a realizar uma revisão sobre a aquisição e o desenvolvimento da linguagem, fala e cognição, inserindo posteriormente os percalços que podem interferir neste desenvolvimento, dentre eles o atraso simples de linguagem, desvio fonológico, distúrbio específico de linguagem, alterações na fluência e alterações semântico-pragmáticas. Estas dificuldades podem trazer prejuízos secundários à aprendizagem escolar.